100 Anos - Barbosa

Barbosa dizia ter vivido uma 'prisão perpétua', tamanha a vilania que lhe foi imposta (Arte Lance!)

Felippe Rocha
27/03/2021
00:00
Rio de Janeiro (RJ)

Se existe a essência do que é ser torcedor de um clube, nenhum jogador simboliza mais isso do que Moacyr Barbosa. O inadjetivável Barbosa. Tachado injustamente como vilão nacional, mas um dos maiores heróis do Vasco. O goleiro que faria cem anos neste sábado é a exclamação personificada do que é o Cruz-Maltino.

O primeiro grande goleiro do Brasil. Para muitos, o maior goleiro da história do Brasil. Impressionante e revolucionário, mas de legado ocultado como é - infelizmente - comum para quem brilha como a noite. E como Barbosa brilhou. Que bom que as gerações mais novas estão podendo conhecê-lo.

Barbosa é desses heróis de sangue retinto e pisado, dessas histórias que a História não conta - salve Mangueira! Especificamente este precisou viver com os injustos ódio e tristeza de todo um país. Imagine a dor deste homem. Imagine a vida deste homem. Imagine as dores deste herói.

Havia quase 10% da população da cidade do Rio, então capital do país, no Maracanã, naquele dia do Maracanazo. O palco que viu Barbosa ser grande quis torná-lo pequeno. Impossível, afinal o goleiro representava o Vasco. Ele simboliza o Vasco.

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Simboliza a luta por igualdade que cerra o punho de quem sente o clube. Simboliza a dificuldade de quem foi colocado à margem, como à margem nasceu o clube, distante da Zona Sul. Ilustra a luta de um povo como o da Barreira, que conta com a Cruz de Malta para melhorar condições sociais básicas individuais e coletivas.

Barbosa é um vencedor que penou para não morrer como perdedor. Como pode? Barbosa é a resistência, diz um amigo deste que vos escreve. A quem é de analogia, pense que as lutas sociais não se dão solitárias. Nunca.

Veja só: num dia, o Vasco, num país tão homofóbico, homenageou o Dia Nacional do Orgulho Gay; no dia seguinte, neste país racista, lembrou Odvan, preto de lugar no coração de gerações e gerações de vascaínos; este sábado é o dia de Barbosa. Um dos maiores nomes da história do Vasco.

Repare que esta crônica se deu, nas linhas acima, no tempo presente. Lendas não morrem. Barbosa está aí. Presente!