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'Tivemos uma maior precisão', diz brasileiro que comandou testes antidoping no Pan

Dia 01/03/2016
03:14

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Entre os diversos fatos marcantes que aconteceram nos Jogos Pan-Americanos de Toronto dentro e fora das competições, um deles foi o alto número de atletas flagrados em exames antidoping.

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Na última edição do Pan, em Guadalajara-2011, quatro competidores testaram positivo. No Canadá, foram 11 até o momento. E a lista crescerá ainda mais, segundo relatou o brasileiro Eduardo de Rose, presidente da comissão médica da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa) e responsável por gerenciar o controle antidoping no Pan de Toronto.

Em entrevista concedida neste sábado por telefone, enquanto se encaminhava para as provas de atletismo para realizar mais testes, o também membro da Agência Mundial Antidoping (Wada) revelou que tal crescimento não foi por acaso.

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De acordo com De Rose, uma série de fatores, incluindo novas diretrizes no controle, tornaram o processo mais eficaz. Confira abaixo a entrevista com o brasileiro:

LANCE!: Qual é a avaliação que pode ser feita sobre o combate ao doping no Pan de Toronto?
Eduardo de Rose: Para isso não há uma avaliação. Não tenho nada a dizer, se foram muitos ou poucos casos. Isso não existe no mundo do controle antidoping. Mas penso que vários fatores condicionaram a um número mais expressivo do que tivemos em Guadalajara. Lá foram quatro (atletas flagrados), e aqui tivemos mais. Em primeiro lugar, temos de considerar as modificações feitas pela Wada desde janeiro. Antes, havia um padrão de exame mais ou menos igual para todas as disciplinas. Agora, a Wada exige um padrão específico para cada disciplina. São exames totalmente diferentes para cada uma delas. Essa adequação aparentemente está nos indicando alguma coisa. Em segundo lugar, não existe mais aquela coisa de fazer exame em atleta somente depois do pódio. Aqui no Pan, 40% dos testes foram antes das competições começarem. Também tivemos um fator mais incisivo, que foi a qualidade do laboratório com que trabalhamos (Instituto Armand-Frappier, de Montreal). Eles estão entre os três melhores do mundo. Ainda há o fato de que recebemos muita ajuda da Wada, que nos indicou muito bem quais eram os atletas e os países em que deveríamos nos concentrar. Tivemos uma maior precisão nos testes do que em edições anteriores. Tudo isso foi o motivo da gente encontrar mais casos positivos aqui do que em Guadalajara.

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Eduardo de Rose é presidente da comissão médica da Odepa, e membro da Agência Mundial Antidoping (Foto: Divulgação)

L!: Em relação à diferenciação de exames para cada disciplina, qual exemplo você pode citar?
ER: Vou usar o exemplo do atletismo. A maratona, uma prova de longa distância, exige um exame diferente da prova de arremesso de peso, em que a Wada vai se focar mais em encontrar atletas que tenham utilizado hormônio de crescimento e esteroide. A qualidade fisiológica é determinante nisso.

L!: No combate ao doping, há sempre aquela dúvida: quando o número de atletas flagrados cresce, é o combate que melhorou, ou é o doping que está mais disseminado? Esta é uma pergunta sem resposta?
ER: Tem coisas que eu não consigo responder. Mas vejo que os casos de doping aqui no Pan são comuns. Entre eles, apenas dois casos foram mais diferenciados, em que houve uma qualidade maior no sistema. O que eu penso é que, às vezes, o número de casos positivos nos Jogos Pan-Americanos é maior do que na Olimpíada. O número de atletas que compete no Pan vindos de países sem controle de doping é muito grande. Na Olimpíada o processo é mais seletivo, os atletas têm mais educação para o doping. Dos atletas flagrados no Pan, quantos foram de Estados Unidos e Canadá? Nenhum. São países que fazem muitos controles, e têm uma tremenda educação antidoping. Países como Nicarágua, Paraguai e Honduras não possuem estrutura. Aqui (no Pan) é mais complicado, há mais desafios.

L!: Como membro da Wada, como você analisa esta fragilidade no combate ao doping nestes países? O que pode ser feito?
ER: A Wada está insistindo para que esses países criem agências antidoping. Até a nossa (ABCD) foi criada recentemente, por causa da Olimpíada. Evidentemente, até entendo que isto não seja uma prioridade em um país diante de áreas como saúde, educação, entre outras. O que a Wada colocou é que, em países sem condições de criar uma agência, é necessária a criação de agências regionais. Atualmente, toda a América Central está centralizada em uma agência só. Essas estruturas regionais são a solução encontrada pela Wada. Vejo isso com esperança, e enxergo uma melhora neste sentido. Mas ainda há uma deficiência.

L!: Em relação ao controle antidoping previsto para a Olimpíada Rio-2016, o que já está sendo feito?
ER: A Wada criou um grupo de trabalho que visita o Brasil a cada quatro meses. Essas pessoas observam como está o andamento dos preparativos do laboratório (Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem, no Rio) e do pessoal da coleta. A próxima visita será em agosto. Sobre o número de testes, deverão ser feitos cerca de 6 mil.

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