Sacrifício e recompensa pelo Ato Trabalhista em 2012

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O elenco do Fluminense se reapresentou nesta quarta-feira nas Laranjeiras e iniciou os trabalhos para 2012. Entretanto, talvez o grande reforço do clube este ano não atenda pelo nome de Wagner, Bruno ou Anderson, jogadores contratados até o momento para a disputa da Libertadores. O Tricolor inicia a temporada com perspectiva financeira completamente diferente graças ao retorno ao Ato Trabalhista, conquistado em novembro passado.
O instrumento permitiu ao clube o novo parcelamento da dívida trabalhista, algo que gira em torno de R$ 121 milhões. Além dos benefícios a longo prazo, com a quitação da dívida milionária em oito anos, o Flu sentirá os efeitos da vitória nos tribunais já este ano graças ao fim das penhoras nas rendas dos jogos. Para se ter uma ideia, o clube arrecadou na partida contra o América-MG, válida pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro do ano passado, cerca de R$ 665 mil, com aproximadamente 40 mil torcedores no Engenhão.
Apenas nas três partidas da primeira fase da Libertadores deste ano, com uma arrecadação semelhante, o clube já somaria quase R$ 2 milhões. Por trás desse reforço providencial está o trabalho conjunto da diretoria e do departamento jurídico. Enquanto Peter Siemsen foi obrigado a colocar o clube em dia com seus funcionários para garantir que o montante da dívida não cresceria e que o clube havia mudado de filosofia, o advogado Mário Bittencourt trabalhou junto ao tribunal para acelerar ao máximo o processo.
- Estamos dando um passo decisivo para termos o Fluminense forte como sempre sonhamos. O Ato Trabalhista vai acabar com as penhoras, poderemos nos planejar melhor em relação às receitas. Estamos de parabéns por essa conquista, conseguimos mostrar à Justiça do Trabalho que podemos arcar com as nossas obrigações trabalhistas. O Fluminense vive um novo momento na sua história - comemora Mário Bittencourt.
O trabalho ainda está longe de acabar. A fiscalização do Fluminense deve ser permanente para que os erros cometidos no passado não se repitam e o clube perca, pela segunda vez, o benefício. Dificilmente a Justiça do Trabalho daria uma terceira chance aos tricolores. O Flu está arcando com algo próximo de R$ 1 milhão por mês e o presidente Peter Siemsen admite que, atualmente, a tarefa não tem sido fácil. A parcela de dezembro já foi paga e a cobrança de janeiro está perto de chegar.
- Neste primeiro momento, está havendo um grande esforço para manter nossas obrigações em dia, não mandar funcionários embora sem pagar. Mas já estamos tendo uma previsão de caixa melhor. Em um, dois anos, sonhamos em terminar o exercício sem déficit. Quando pagarmos as parcelas do Ato sem esforço, será quando realmente teremos uma grande guinada em termos financeiros. Esse ano, queremos criar um novo projeto de sócios, esperamos uma grande comunhão com a torcida, com grandes públicos na Libertadores. Se tudo isso acontecer, o fato de não termos mais penhoras será uma ajuda muito grande para as finanças do Fluminense - explicou Siemsen.
Com um retrospecto elogiável nos tribunais esportivos - Mário afirma que, entre 2007 e 2011, o percentual de teses de defesas acolhidas, somando absolvições e reduções de pena, foi de 72% -, o advogado tricolor celebra a vitória mais recente com o retorno ao Ato e a coloca no mesmo patamar de outros momentos que considera positivos na sua passagem pelas Laranjeiras: a fuga do rebaixamento em 2009 e a classificação para as oitavas de final da Libertadores do ano passado.
- Nas duas ocasiões, pude ajudar de uma maneira diferente, dentro do departamento de futebol. Mas em todos os casos conseguimos ter sucesso. Com o time de 2009, através do trabalho do Cuca e dos atletas, e com o ano passado, já com o Enderson Moreira, contornando algumas crises e arrancando aquela classificação heróica em Buenos Aires. Fiquei muito feliz por ter ajudado um pouco. Nunca tive a intenção de ficar muito tempo no futebol. Pode ser que um dia tenha para fazer um trabalho de longo prazo, mas faço isso por amor e respeito ao clube. Minha praia é a área jurídica, mas sempre que precisarem, estarei à disposição - afirma.
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