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Rafael Sobis: moldado pela vida para ser decisivo

Apresentação Rafael Sobis (Foto: Nelson Perez/Fluminense FC)
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Dia 27/10/2015
22:26

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Xinho domina a bola. Passa por um, dois, três e chuta. Golaço! Festa no pátio da escola São Cristovão. Festa no bairro Centro. Mas a singela, porém feliz, infância do pequeno Sobis sofreu um corte aos 13 anos, quando teve de deixar Erechim e tentar a sorte no futebol. Essa e outras experiências fizeram de Rafael um homem preparado para momentos decisivos. Como será a partida entre Fluminense e Internacional.

Rafael Augusto Sobis do Nascimento nasceu numa família de sete irmãos. A casa humilde, de três andares, ficava atrás da Escola São Cristovão, onde ele era o capetinha loiro da quadra de futebol, hoje abandonada (veja ao lado). A instituição fechou e ele subiu a rua, para a Escola Estadual Érico Veríssimo. Pouco depois a vida pacata ficou para trás. O sonho de jogador e as dificuldades falaram mais alto.

Morar em Porto Alegre, com apenas 13 anos, longe da grande e calorosa família, fez de Sobis um menino independente. E independência significou tomar decisões. Das mais rotineiras as mais complexas. Como por exemplo onde fazer carreira. Melhor para o Internacional, que confiou em seus chutes e apostou em sua profissionalização.

Rafael sempre se mostrou maduro para a idade. Não treme nos grandes jogos. Com 20 anos, encarou sem medo a Copa Santander Libertadores, cheia de gringos, viagens e responsabilidades. O que o faz novamente nesta temporada, já aos 26, agora pelo Fluminense.

- O Sobis além de ser um grande jogador é decisivo. Ele tem isso em seu histórico e vai voltar a ser decisivo e importante agora - disse o técnico Abel Braga, novamente companheiro de trabalho do jogador, só que no Flu.

A partir do Beira-Rio, Sobis encarou novas e maiores decisões. Em umas foi mal, em outras bem. Como por exemplo agradecer aos que, mesmo de longe, influenciaram sua trajetória. Amanhã ele terá mais um momento importante. Para Erechim, o filho pródigo está pronto.


RECADO ESPECIAL PARA A PROFESSORA

Apesar de estar há um bom tempo sem visitar Erechim (aproximadamente sete meses), Rafael Sobis guarda com carinho as pessoas de lá. Inclusive as professoras da Escola Érico Veríssimo, onde estudou da quarta à oitava série. Tanto que, assim que se tornou atleta profissional, enviou uma carta àquela que o alfabetizou, ainda na outra escola, a São Cristovão.

- Ele me mandou um bilhete agradecendo por tudo. Disse que eu era a "Melhor profe do mundo!". Guardo isso perto de mim lá em casa. O Sobis é um menino especial - disse a professora Maria Inês Vanz Marcolin.

Rafael era uma criança normal, mas muito ativa, que só pensava em futebol. Quando estudava à tarde, tinha o costume de, com uma bola debaixo do braço, pedir à diretora para abrir a quadra da escola. Só que ainda de manhã, ou seja, antes da aula. Deu no que deu.

MOMENTOS DECISIVOS NA VIDA DE SOBIS

Adeus, Erechim!
Com apenas 13 anos, Rafael Sobis teve de deixar os estudos e sua cidade natal para tentar a vida no futebol. E sozinho em Porto Alegre, 375km distante dos pais e irmãos.

Novas viagens
Apenas um ano depois, Sobis migrou para São Paulo, para jogar na equipe juvenil do Corinthians. Um desafio que não deu certo. Ele decidiu então voltar para a capital do Rio Grande do Sul, e entrar para as categorias de base do Internacional.

Do banco para a glória
Mesmo sendo convocado para a Seleção Brasileira sub-20, Sobis virou banco de Iarley em 2005. Escolheu continuar no Beira-Rio. Opção certa. Foi eleito a Revelação do Brasileirão daquele ano.

A conquista da América
Em sua primeira competição internacional, Sobis brilhou. A experiência de vida fez o garoto suportar o estresse de uma Libertadores. Que o diga o São Paulo, derrotado na grande decisão contra o Inter.

Mundial ou Europa?
Ao fim de 2006, Sobis teve dois caminhos: ir para um clube da Europa ou disputar o Mundial de Clubes pelo Internacional. Optou pela independência financeira e assinou com o Bétis (ESP). Ficou fora da maior conquista do clube gaúcho.

Rumo as Arábias
Alternando boas e más atuações, entre lesões na perna esquerda, Sobis decidiu sair da Espanha e foi para o Al-Jazira (EAU), em 2008. Mesmo ano da medalha de bronze em Pequim.

Retorno ao Beira-Rio
O atacante decidiu voltar ao Brasil, por questões pessoais e futebolísticas. Mesmo com poucas participações, foi decisivo na conquista da Libertadores de 2010, novamente pelo Inter (marcou na final contra o Chivas). Porém, aquela temporada ficou marcada pelo vexame no Mundial de Clube, diante do Mazembe.

Volta ou muda?
Sobis tinha duas opções: lutar para continuar no Brasil (tendo que mudar de clube), ou retornar ao Al-Jazira. De Porto Alegre desembarcou nas Laranjeiras, para a alegria da torcida tricolor.


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