Piquet: 'Quero ser, no mínimo, o estreante do ano'

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Nelsinho Piquet está prestes a começar sua trajetória na maior categoria do automobilismo dos Estados Unidos, a Nascar. O brasileiro inicia nesta sexta-feira sua jornada rumo à elite e para chegar lá não é preciso um enorme investimento de patrocinadores e sim de bom desempenho.
Confira a entrevista exclusiva com Nelsinho Piquet:
Como é finalmente disputar uma temporada inteira desde a F-1?
Nelsinho Piquet: Foi uma fase que durou muito tempo para mim, sem esse sentimento de início de temporada. Foi um no parado, não ficava parado desde que comecei a correr. Todo ano disputava uma temporada, menos em 2007, quando fui piloto de testes. Parece que passou três anos nesse meio tempo. Agora, a sensação é ótima. Vou entrar numa corrida pensando não apenas naquela corrida, mas também no campeonato inteiro. Vou desenvolver relacionamento com mecânico, com carro novo, pensar em acerto
E o que terá sido um bom ano na Nascar este ano?
NP: Quero, no mínimo, ser o estreante do ano e ganhar uma ou duas corridas, acho que isso tem de acontecer. Mas, obviamente, se conquistar o campeonato será maravilhoso. Mas, sendo realista, acho que é isso que eu disse, e ficar entre os cinco primeiros do campeonato. Já seria muito bom."
Qual a sua projeção para chegar à divisão principal?
NP: Vai depender da velocidade do meu aprendizado ao longo dos anos. Como eu me adaptar à categoria e ao carro."
Como será abrir portas para esses brasileiros?
NP: O Brasil tem talento suficiente para enviar pilotos para a Nascar. Se temos talento para a F-1, temos para a Nascar. Tudo bem que é outra cultura, mas se um piloto jovem vai para os EUA relativamente cedo, é uma categoria muito mais viável do que a F-1, que é muito restrita, que você não precisa apenas de dinheiro e contatos, como tem de estar envolvido com a pessoa certa e estar na hora certa e no lugar certo. Na Nascar, as pessoas têm mais chances. Os carros e as equipes são mais iguais, é mais fácil arrumar patrocínio, o retorno é maior. Desde a Truck, tem TV ao vivo no país inteiro. Há a possibilidade de o piloto conseguir algo com mais facilidade do que na F-1, não porque é mais fácil, mas pela maneira como a categoria é. Tem três categorias tops lá, muito boas. Claro que depende muito da disposição do piloto, de ir para lá, morar lá, aprender a língua, se envolver com os caras, não vai ser fácil. Meu objetivo é ser o primeiro brasileiro a ter sucesso na Nascar e ajudar os demais a entrarem lá. É um desafio para mim, algo novo, para provar para todo mundo que sou um piloto bom, capaz de vencer corrida em qualquer carro que eu sente. E também tentar ajudar o automobilismo brasileiro de outras maneiras. Vencendo na Nascar, com certeza vai criar muito interesse no mercado brasileiro. Patrocinadores e pilotos vão aparecer, daqui um ano ou dois vai para a TV aberta, quem sabe. Vai surgir mais patrocínio para os brasileiros irem para lá. É bem mais viável do que a F-1, na qual o cara compra uma vaga por sei lá quantos milhões. Os brasileiros têm gastado muito para andar lá. E com pouco retorno. A Nascar faz mais sentido para os pilotos que não têm a chance de chegar à F-1."
Os pilotos das outras séries podem correr etapas da Truck, mas não podem mais pontuar. Essa mudança no regulamento agrada?
NP: É bom para o campeonato, mas também é bom ter eles com a gente. Ganhar corrida em cima deles é bom. As equipes da principal veem, dizem: 'Aquele cara é bom!'. Na Europa não tem isso, o cara da F-1 não anda de GP2, de F-3, e se tivesse seria bom para os pilotos novos, que seriam com os da F-1. Na Nascar tem muito disso, é bom, você aprende. Muitas vezes o cara senta lá e dá um couro na gente, fica feio, mas é bom para mostrar que tem muitos meninos ali, ainda. Os caras da principal são bons de verdade. A coisa boa da Nascar é estar sempre correndo contra caras muito bons, não só da sua categoria.
O povo brasileiro vai gostar da Nascar, um dia?
NP: O Brasil teve muita sorte de ter três pilotos vitoriosos na F-1, que ganharam oito campeonatos. O Brasil foi mimado com isso, sempre pensando na F-1 na frente. Mas pode-se procurar outros meios. A Nascar só não é grande aqui porque não teve nenhum brasileiro vitorioso, com história. Se eu começar a vencer, se daqui a 10 anos aparecer alguém, daqui a 20 anos a Nascar poderá ter uma visibilidade parecida no brasil. Meu objetivo é ser o primeiro brasileiro a ter sucesso na categoria e ajudar os demais a entrarem lá.
A Nascar é um meio menos arrogante do que a Fórmula 1?
NP: A Nascar é mais um esporte do que a F-1. A F-1 é uma categoria de elite, em que só as pessoas ricas podem aparecer, entrar nos boxes, e a Nascar é um esporte, o fã tem contato com o piloto. Quando um piloto fica bravo, pode demonstrar sua fúria, e resolve ali na pista, mesmo, o público vê tudo, sabe de tudo na TV, ouve no rádio. Se o piloto está xingando a equipe porque fez um pit stop ruim, vai ouvir isso. Se a equipe está xingando o piloto e dizendo que ele está muito mal, vai ouvir. É um negócio mais transparente e mais interessante. A F-1 podia aprender muito nesse sentido, ia atrair muito mais, se liberar um pouco, sair desse mundo fechado de hoje em dia e ficar mais como era antigamente, por exemplo. Até ajudaria na economia atual da F-1, que está ruim.
Faz falta o glamour da Fórmula 1?
NP: O importante, para mim, é vencer corrida e estar melhor do que os outros. Isso que é legal. Na Nascar vai ter um algo a mais por eu ser o primeiro brasileiro a vencer. É legal ser o primeiro a fazer alguma coisa. Não é que eu cansei do glamour... É legal ter fã, responder uma carta, receber um agradecimento no Twitter."
E essa temporada de 25 etapas? Vai ser cansativo demais?
NP: Vai ter muita viagem, vou conhecer lugares novos, será corrida atrás de corrida, vou aprender bastante, aumentar meu aprendizado, isso vai subir muito. É isso que eu preciso no momento. Além disso, qualquer piloto quer correr todo fim de semana.
Correndo de turismo, deu adeus para os fórmulas?
NP: Ainda quero testar em fórmula. Para manter reflexo, continuar andando. Mas tive a minha chance na F-1, não deu certo, e bola para a frente. Mas quero continuar sabendo andar num fórmula. A A1GP pode voltar a funcionar, vai saber... Quero estar preparado para poder correr num carro desses.
O episódio do Cingapuragate está completamente superado e esquecido?
NP: Eu não estava maduro suficiente para encarar aquilo na F-1, naquele momento. Não que eu tenha sido menos maduro do que outros pilotos, mas, pelo o que aconteceu, para aquele cenário, não estava maduro o suficiente para me posicionar, colocar a cabeça no lugar e falar: "Peraí, o que está acontecendo?" Esse é o problema básico. A F-1 pode ser traiçoeira, principalmente numa posição daquelas. Mas é tudo caso de segundo piloto. Eu era novato e o Alonso, mais rápido do que eu. Acontece. Com o Felipe, o Rubinho, comigo... Pode acontecer com qualquer um. Você fica vulnerável para uma coisa dessa, para ter de ajudar seu companheiro de equipe. Mas passou... Não quero ficar dando desculpa, fui imaturo e errei. Existe jogo de equipe, e eles preferem prejudicar um, para que o outro vença, do que ter os dois mais ou menos. Lógico que quando é com você, você não gosta. Mas se estivesse do outro lado, vai entender.
Como você se imagina daqui dez anos?
NP: Dez anos? Um vitorioso da Nascar e, quem sabe?, morando no Brasil. Tenho saudade dos amigos e da família, mas a vida nos EUA também não é nada mal. Tem uma qualidade excelente. Lógico que não tem a mesma comida, o mesmo clima, mas é gostoso, também.
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