icons.title signature.placeholder Bruno Andrade
21/01/2015
07:10

Os gastos do São Paulo com abastecimento de combustível entre 2007 e 2014 têm sido alvo de discussões dentro dos bastidores do clube nas últimas semanas. A principal polêmica envolve o contrato verbal com o Auto Posto 2000 Ltda, que pertence ao ex-vice-presidente são-paulino Roberto Natel. A reportagem do LANCE!Net teve acesso com exclusividade aos documentos do imbróglio.

O vínculo com o Auto Posto 2000 Ltda começou em 2007, quando o Tricolor consumiu R$ 14 mil. Em 2014, data do último ano do acordo, os gastos subiram para aproximadamente R$ 140 mil – 10 vezes vezes mais. Toda a frota de carros (do estádio do Morumbi, do CFA de Cotia e do CT da Barra Funda) abasteceu nos últimos oito anos no local, que também oferecia troca de óleo e lavagem dos automóveis. Ao todo, o clube gastou pouco mais de R$ 700 mil.

O acordo do clube com o posto foi encerrado em outubro do ano passado, após ordem do presidente Carlos Miguel Aidar, que havia prometido o rompimento logo em abril, quando assumiu o cargo.

Em entrevista ao LANCE!Net, Roberto Natel, que deixou a diretoria em setembro, negou os altos valores gastos pelo São Paulo no Auto Posto 2000 Ltda.

– Os números foram manipulados. O clube gastava R$ 70 mil por ano com combustível. Já com o meu posto, o valor caiu para R$ 40 mil em 2007 – declarou Natel, que, minutos depois, revelou aumento significativo no período final.

– Em 2014, o gasto do São Paulo foi de R$ 132 mil (diferença de apenas R$ 8 mil para o valor obtido pela reportagem) – complementou.

De acordo com o Estatuto do clube, nenhum conselheiro ou dirigente pode ter ligação financeira com a instituição. Entre 2007 e 2014, Natel, além de conselheiro vitalício, era vice-presidente.

BATE-BOLA - Roberto Natel

‘Admito que nunca me senti confortável com essa situação’

LANCE!Net: Por que o seu posto de combustível era usado pelo São Paulo?
Roberto Natel: Porque o São Paulo me pediu. Em 2003, o meu posto foi usado por dois meses pelos automóveis do clube. Mas achei melhor romper o vínculo. Eu não queria mais. Depois, em 2007, o meu posto voltou a ser usado, após mais um pedido da diretoria.

Mas o Estatuto do São Paulo não permite que conselheiros ou dirigentes tenham qualquer ligação financeira com o clube...
Roberto Natel:  Não acho correto um acordo para quem está abrindo um estabelecimento hoje. Agora, se você já tem o estabelecimento aberto há tempos... Não vejo problema. Tenho o meu posto desde 1982. Eu sempre relutei sobre isso, admito que nunca me senti confortável com a situação. Mas foi o São Paulo que me procurou. Mas vale dizer que o clube ganhou muito com o acordo, porque eu vendia o combustível mais barato na região.

LANCE!Net: Você afirmou que os números obtidos pela reportagem do LANCE! foram manipulados. Por quê?
Roberto Natel:  Manipularam mesmo. Estão fazendo isso porque eu ajudei a denunciar a relação da Cinira (Maturana, namorada do presidente Carlos Miguel Aidar) com o clube. O que eu tenho de mais valioso é o meu nome, o sobrenome Natel é respeitado (Roberto Natel é sobrinho-neto de Laudo Natel, presidente eleito do São Paulo em 1958 e principal responsável pela construção do Morumbi). Mas estou muito tranquilo, não tenho rabo preso e nem sequer medo. A minha tranquilidade nesse caso é absurda. Digo mais: o Conselho é lugar certo para isso ser discutido. E deveriam me expulsar se tudo isso fosse errado.