Movimento na internet surge como alternativa para a Fifa

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Enquanto figurões do futebol mundial se esquivam dos escândalos envolvendo a Fifa, um grupo, anônimo até pouco tempo, ganha cada vez mais força na luta por mudanças no futebol utilizando apenas a internet. O movimento ChangeFIFA começou apenas como um espaço para debate, mas, um ano depois, sonha alto: em 2015, espera até eleger seu próprio candidato à presidência da entidade.
Oliver Fowler, jornalista inglês que divide seu tempo entre Londres e Barcelona, foi o idealizador do projeto. Em junho passado, criou um perfil no Twitter para debater mudanças na entidade.
Fowler acredita que dois pontos são fundamentais para a Fifa recuperar sua credibilidade: transparência e democracia. Rapidamente, o jornalista fez contatos, ganhou adeptos e passou a sonhar alto. Hoje, o grupo possui uma rede de relacionamento que inclui jornalistas, dirigentes e personalidades do esporte.
O desejo por mudanças práticas na Fifa cresceu no fim do ano, quando Fowler ganhou um braço-direito. Apaixonado por futebol, o advogado americano David Larkin conheceu o inglês quando trabalhou como consultor da emissora inglesa BBC. Decidiram, então, comprar de vez a briga por uma "nova Fifa".
Juntos, os dois decidiram que tentariam indicar alguém à presidência da Fifa e, literalmente, abandonaram tudo pela ideia. Fowler, que no início tirava uma hora por dia para o ChangeFIFA, decidiu se dedicar exclusivamente ao movimento. Larkin, que acabara de escrever um livro, pensava em voltar a atuar no meio jurídico, mas seguiu o colega.
– Falta transparência à Fifa. Aquele dinheiro todo é fruto dos fãs do futebol. Não tenho problema em dar dinheiro a uma federação, mas os fãs têm de saber para onde ele vai. O esporte é dos fãs, pertence a todo mundo. Falta também um mediador imparcial para disputas e discussões, seja sobre problemas éticos ou o uso de tecnologia. Não faz sentido a Fifa resolver isso tudo internamente – criticou Larkin.
A dupla procurou o ex-zagueiro chileno Figueroa mas o sonho da candidatura não foi adiante. O insucesso, porém, não abalou os planos do grupo. Pelo contrário: adiaram em quatro anos o plano de eleger o presidente da Fifa e traçaram novos planos para divulgarem suas ideias.
Desde então, as ações na internet – possuem perfis no Twitter e no Facebook, além de um site – foram intensificadas para atrair mais seguidores. Entidades, dirigentes e até patrocinadores da Fifa passaram a ser mais cobrados pelo grupo.
O auge ocorreu na última segunda-feira, quando o presidente da entidade, Joseph Blatter, minimizou as denúncias envolvendo a Fifa. O ChangeFIFA conseguiu colocar o termo #blatterout (#forablatter) como o mais citado no Twitter. O perfil ganhou mais de 4 mil seguidores e viu sua repercussão na internet disparar.
Na véspera, outro avanço: o deputado inglês Damian Collins, do Partido Conservador, anunciou parceria com o movimento na busca por uma coalizão internacional. O caminho, no entanto, ainda é longo.
Revoltas árabes dão esperança
O ChangeFIFA se espelha nas revoltas árabes do início do ano para acreditar que é possível, sim, mudar a Fifa. Redes sociais, como Twitter e Facebook, foram fundamentais para a organização e disseminação dos movimentos que derrubaram governos ditatoriais em países como Tunísia e Egito.
– Acreditamos que o mesmo pode acontecer no futebol. Vimos notícias incríveis de como ideias saíram de um pequeno país e foram em direção a outros ao mesmo tempo. Se em um dá certo, há mais confiança no outro para seguir o mesmo caminho. A internet é o caminho – disse Fowler.
Confira bate-bola exclusivo com Oliver Fowler:
LANCENET!: Por que você decidiu iniciar esse movimento na internet?
OLIVER FOWLER: Senti que mudanças eram necessárias. As pessoas falam nas redes sociais sobre o que pode ser mudado. O sistema está parado. Falta debate e discussão entre fãs, jogadores e todo mundo ligado à Fifa. Deveríamos ter um debate global sobre como a Fifa pode mudar para melhor.
LNET!: E por que fazê-lo na internet?
A internet é a melhor ferramenta para isso, especialmente para pessoas que normalmente não possuem qualquer influência no futebol. Agora, há um grupo que cresce a cada dia pedindo por mudanças. Não se pode ignorar isso. As pessoas querem mudanças, novas ideias.
LNET!: Que mudanças você considera mais urgentes na Fifa?
Há muitas coisas. Mas acho que a primeira coisa a fazer é convidar as pessoas do jogo – fãs, jogadores, patrocinadores, clubes – para sentarem em uma grande mesa e buscarem boas ideias para melhorar o esporte. Não seria apenas uma pessoa decidindo, mas várias juntas pensando. Todos deveriam ter a chance de sugerir melhorias, ao invés de haver apenas pessoas entre quatro paredes tomando decisões.
LNET!: Vocês pensam em adotar estratégias mais agressivas, como incentivar boicotes a eventos da Fifa?
Não queremos necessariamente ferir a Fifa. Queremos uma maneira mais positiva para atrair atenção. Pedir para jogadores, em um fim de semana, protestarem. Pedir aos fãs para fazerem algo que deixe uma grande impressão. Não comprar ingressos é uma ideia. Não diria não a isso. Mas podemos colocar sorrisos nos rostos das pessoas e, assim, atrair mais gente.
LNET!: Já recebeu contatos de grandes entidades ou nomes do futebol?
No começo, troquei e-mails com Blatter. Sugeri que fizéssemos um debate público em que fãs pudessem fazer perguntas sobre como podemos melhorar a Fifa. Ele acenou positivamente. Disse que pensaria a respeito. Pareceu aberto a isso. Só resta saber quando.
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