Mauro Beting analisa posicionamento de Ronaldinho desde 2002

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Seleção Brasileira 2002: Ronaldinho estreara muito bem no PSG, no 2º semestre de 2001, e chegou em excelente forma na Copa. Pelo potencial, idade e fase, esperava-se um pouco mais dele no Mundial. Não comprometeu. Mas não foi o muito que seria a partir de então. Felipão fez de tudo para que ele se sentisse à vontade. Até mesmo apostando nele um pouco mais à esquerda do que à direita no 3-4-2-1 usado pelo Brasil. Não foi ponta. Foi meia-atacante. Ronaldo ficará à frente, com Rivaldo e Ronaldinho como meias atacantes. Troca de lado era contante, mas, preferencialmente, Rivaldo partia da direita, e Ronaldinho, da esquerda. Ambos com liberdade para encostarem em Ronaldo, e sem tantas tarefas no cerco aos rivais. O trio foi fundamental na conquista do penta. E, Ronaldinho, na vitória sobre a Inglaterra (mesmo expulso de bobeira).

Barcelona 2005/2006: O auge do Gaúcho. Fixado definitivamente a partir da ponta esquerda no 4-3-3 de Rijkaard, ele tinha liberdade de movimentação. Gostava de trocar de posição com Eto'o, que abria pela esquerda e deixava a entrada da área para Ronaldinho. O Gaúcho recuava para armar pela esquerda e combinava com Deco, que dava espaço a ele. O lateral Van Bronckhorst também não o atropelava pela banda esquerda. Todo o jogo passava por ele. Esplendor técnico e físico e ótima qualidade do elenco garantiram o show que só seria superado nos últimos anos pelo Barça de Messi, Xavi, Iniesta e Guardiola, que aperfeiçoou aquela 4-3-3 e apresentiu alternativas como o 4-3-1-2. O time de Ronaldinho funcionarem até a conquista da Liga dos Campeões de 2006.

Milan 2009/2010: Os melhores momentos de Ronaldinho em Milão foram na virada de 2009 para 2010 (até marco). Em 23 jogos no período, deu 12 assistências e marcou 10 gols. Quando Leonardo apostou no Gaúcho livre pela ponta esquerda, num esquema próximo ao 4-3-3, quando não um 4-2-1-3, com Seedorf mais centralizado. Ronaldinho articulava pela esquerda e ajudava Pato (Pela direita) e Borriello (como centroavante) na conclusão dos lances. A recuperação coincidiu com o emagrecimento do atleta e uma boa sequência de jogos, também amparada pela boa forma de Seedorf. O pouco apoio do péssimo lateral-esquerdo Antonini também dava espaço para Ronaldinho trabalhar e eventualmente recuar para armar. Mais cada vez menos ele entrava por dentro. E menos ainda participava do jogo.

Flamengo 2011: Luxemburgo deu pista do aproveitamento de Ronaldinho na formação do Flamengo que venceu o Vasco: em vez do esperado 4-2-3-1, com Thiago Neves, Vander e Renato pela esquerda, recuou este um pouco mais, abriu Vander mais à esquerda, e armou a equipe num 4-3-3, por vezes um 4-3-2-1. Renato teve tarefas mais defensivas, quase na mesma linha de Willians, que saiu um pouco mais. Desse jeito, Vander, mais aberto, circulou mais, entrando também por dentro. Com Ronaldinho, é provável que o esquema se mantenha. Renato daria guarida pela esquerda, com Egídio apoiando menos. Do outro lado, Léo Moura (em grande fase) e Thiago Neves criaram, e Ronaldinho teria liberdade para roda na ponta e entrar na diagonal para escostar em Deivid. Um jeito mais próximo àquilo que Ronaldinho vem fazendo nos últimos sete anos na carreira. Jogando bem ou mal.
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