Massa: 'Meu filho me dá força para lutar na pista'

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Felipe Massa sabe que não teve um ano dos mais felizes. Sem vitórias na temporada e tendo de ajudar o companheiro Fernando Alonso na briga pelo título, o brasileiro da Ferrari pelo menos está sorrindo de orelha a orelha na vida pessoal, um ano após o nascimento do filho Felipinho.
Na tarde de quarta-feira, o vice-campeão de 2008 conversou por 12 minutos com o LANCENET!. Confira a íntegra da entrevista:
LANCENET!: Você teve um ano duro na pista, mas fora dela teve seu primeiro ano como pai. Como está o Felipinho?
Felipe Massa: Ah, ele está ótimo! É uma emoção fantástica ter o primeiro filho. Tudo muda quando a cada dia quando o ensino, o vejo aprendendo as coisas. É sensacional para mim, para a mãe, para os avós. É algo único e me dá mais vontade para trabalhar e lutar na pista ao saber que tem uma criança que depende de mim.
LNET!: Você vem tendo problemas para aquecer os pneus. Por que seu estilo não se adaptou aos pneus deste ano?
FM: Mudou para aquecer o pneu na direção certa, para ter o grip na primeira volta do pneu. Isso nunca tinha sido problema. Tenho um estilo mais limpo, principalmente com o pneu na frente. Mas esse ano o pneu é tão duro que é difícil ter essa temperatura ideal para a primeira volta de classificação e largar lá na frente. A classificação sempre foi um ponto forte para mim, e é um detalhe que me fez sofrer e me impediu de estar disputando o campeonato.
LNET!: E o que você fez para atacar esse problema?
FM: Não mudei apenas o estilo, mas o acerto do carro. Dei a volta ao mundo e não foi possível, até porque é o mesmo pneu que começou o ano. Esse ano não foi possível, mas tem ainda duas corridas e espero fazer um bom trabalho.
LNET!: A volta da Pirelli é uma esperança para que você resolva isso?
FM: É lógico, é tudo que eu espero. Será uma mudança grande. Quando tínhamos dois fabricantes, o estilo era bem diferente. Com uma nova fábrica, será diferente para todo mundo. Espero me adaptar o mais rapidamente possível e voltar a lutar por vitórias no ano que vem.
LNET!: A Ferrari fez dobradinha na estreia, depois caiu e reagiu. O que vocês conseguiram evoluir no carro?
FM: Foram algumas coisas que conseguimos melhorar durante o campeonato, uma delas na parte aerodinâmica, que estamos desenvolvendo a cada dia. A gente melhorou muito, muito o óleo, pressão de óleo, uma gasolina que dá mais potência, mas com consumo inferior. A gente larga com tanque cheio para fazer a corrida inteira, mas com menos consumo você faz a prova com o carro mais leve e rápido.
LNET!: Você ajudou o Kimi Raikkonen em 2007 e foi ajudado por ele em 2008 na reta final do campeonato, mas este ano você perdeu uma vitória no meio do ano. Você ficou surpreso com essa situação?
FM: Bem, é lógico que é uma experiência... (pausa) Não fiquei muito feliz, até porque não ter uma vitória é sempre uma parte infeliz. Mas isso fez parte de um ano difícil, em que a gente tem de se concentrar bastante para o fim do campeonato e também para o ano que vem.
LNET!: E como encarar o GP do Brasil sabendo que poderá ter de ajudar o Fernando Alonso?
FM: É pensar na pole position e na vitória. É com essa cabeça que vou para o fim de semana. Mas se é uma situação em que dependa 100% de mim para ajudar a Ferrari ou ao meu companheiro de equipe ser campeão, é lógico que sou um piloto profissional.
LNET!: Como foi o relacionamento com ele neste primeiro ano?
FM: A gente tem uma boa relação, um bom trabalho para desenvolver o carro e é isso que importa. É mais ou menos o que eu imaginava. Fora da pista, conseguimos trabalhar bem junto. Nunca tive nenhum problema com companheiro de equipe e não é agora que eu vou ter.
LNET!: E na parte técnica, o que ele contribuiu?
FM: Na parte técnica a gente desenvolveu junto o carro. Em várias áreas, a indicação do piloto é muito importante, mas a parte de desenvolver o carro é a que os engenheiros trabalham diariamente. Em relação a isso, nada mudou no desenvolvimento do carro.
LNET!: Você tem demonstrado desagrado com parte da imprensa...
FM: A gente vê que a maioria dos países dá uma força bem grande para ajudar os pilotos e o Brasil tem isso na parte do público, das pessoas que torcem, mas não das pessoas que escrevem, pois tem muita besteira. Do lado do público, depois que vim da corrida da Alemanha, tive um apoio muito grande e toda vez que saio na rua tem um apoio bem grande, mas aí você abre o jornal e tem muita coisa que não é aquilo que você enxerga. É a vida... A gente sabe que não é sempre fácil, mas a gente tem de estar de cabeça erguida para fazer o melhor possível para o público. Acredito 100% no público brasileiro, e público igual ao brasileiro não existe.
LNET!: Falando em torcida, em 2008 ela te incentivou muito mas o título escapou. Você ainda pensa naquilo?
FM: Bem, na verdade tudo aquilo que aconteceu a gente não teve nada a ver. A pole eu tive, a vitória eu tive, e não dependia só de mim. Não aconteceu na última corrida, foi durante o campeonato inteiro, foram os pontos que a gente perdeu ao longo do ano . E a primeira coisa que eu fiz foi agradecer à torcida, foi emocionante a força dela.
LNET!: Qual balanço você faz do primeiro ano do Racing Festival? Pretende atacar de dirigente quando parar de correr?
FM: Isso mostra o quanto gosto do automobilismo e sou preocupado para que a gente tenha um ótimo automobilismo como a gente sempre teve e tenhamos vários pilotos brasileiros na Fórmula 1. A ideia é ajudar o automobilismo brasileiro, mas estamos precisando. Não sei como será o nosso futuro na Fórmula 1, a gente tinha uma categoria de fórmula muito fraca de pilotos. Agora a gente tem uma categoria. Fizemos um excelente trabalho com um valor muito baixo, para ensinar os pilotos que saíam do kart e não tinham para onde ir. A gente tem ainda o Trofeo Linea, com pegas tremendos num carro muito legal, e ainda uma categoria. É difícil ter um evento com categoria de carro e moto. É sensacional o que fizemos com a Fiat. Já está sendo um sucesso e continuará sendo.
LNET!: O povo elegeu Dilma Rousseff a primeira presidenta do Brasil. O que diria para ela?
FM: Vi um crescimento muito grande do Brasil nos últimos anos. Com a crise, o Brasil foi o país que menos caiu e mais cresceu. O Brasil hoje está mais forte do que sempre foi em várias áreas. Há muitos problemas como violência, e temos de melhora. Espero que a nossa nova presidente faça o Brasil continuar a evoluir e seja um país de primeiro mundo. Tenho certeza de que a gente pode conseguir, mas precisamos de muito trabalho. É o que eu desejo para ela.
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