Filho de atleta olímpico, judoca paulista lutará em Londres pelo Canadá

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Na Olimpíada de Seul-1988, o judoca Sergio Pessoa foi um dos membros da delegação do Brasil e ficou em nono lugar. Depois de 24 anos, ele verá um de seus três filhos seguir sua trajetória, mas com uma diferença notável. Nos Jogos de Londres-2012, Serginho, como é chamado pela família, competirá sob a bandeira do Canadá.
Serginho nasceu em São Paulo e morou na cidade até os 15 anos. Na capital paulista, o início no judô foi aos quatro, por influência de seu pai e de sua tia Solange, também judoca (leia mais ao lado). O atleta foi membro da seleção paulista da modalidade e até tinha uma vida confortável no país, mas mudou-se para o Canadá com a família em busca de mais tranquilidade.
– Não fizemos isso por motivos financeiros. A gente vivia bem no Brasil, mas nos mudamos para ter uma melhor qualidade de vida – contou Serginho, que mora com os pais Sergio e Claudia e o irmão Danilo na cidade de Montreal.
A vida nova não atrapalhou a carreira de Serginho. No Canadá, ele teve o pai como um de seus treinadores (o que permanece até hoje), e repre-
sentava a bandeira branca e vermelha em competições internacionais mesmo não tendo nascido no país.
O Brasil ficou para trás de vez na vida de Serginho em 2009, quando ele conseguiu a cidadania canadense. A estreia oficial sob a bandeira do
país foi no Campeonato Mundial de Roterdã (HOL). Apesar de sair sem medalha, ele derrotou em sua campanha o holandês Ruben Houkes, campeão mundial na época.
O judoca de 23 anos ainda busca um resultado expressivo em nível mundial, mas mostrou seu valor ao se classificar para Londres-2012 mesmo sofrendo duas graves lesões no atual ciclo olímpico: uma luxação no fêmur e um rompimento de ligamento no joelho direito.
Na capital inglesa, o destino poderá aprontar uma surpresa para Serginho. Na Olimpíada, um de seus adversários poderá ser o brasileiro Felipe Kitadai, de quem o agora canadense é amigo de infância e era companheiro na seleção paulista.

Sergio Pessoa e Serginho hoje são da seleção canadense (Foto: arquivo pessoal)
Pai e tia foram medalhistas nos Jogos Pan-Americanos
O início da trajetória de Serginho Pessoa para chegar à Olimpíada de Londres começou em uma pequena academia no bairro do Jaçanã, Zona Norte de São Paulo. A Associação Pessoa, que hoje tem 150 judocas das mais variadas idades, é mantida pela tia
do judoca, Solange, desde 1983. Por fora, a escola de atletas não chama atenção. Mas, dentro dela, até um medalhista olímpico foi formado.
Passaram pelo tatame da Associação Pessoa os judocas Daniel Hernandes, que lutou nas Olimpíadas de Sydney-2000 e Atenas-2004, e Henrique Guimarães, bronze em Atlanta (EUA), em 1996. Na ocasião, Guimarães era treinado por Sergio Pessoa (o pai), que também disputou uma edição dos Jogos.
Sergio competiu em Seul-1988, e ficou em nono lugar. Uma curiosidade marcou esta época na vida dele. Seu filho Serginho nasceu um dia antes da viagem para a Ásia.
Atualmente, Sergio é auxiliar-técnico da seleção canadense. Antes de mudar de país, ele também exerceu cargo de treinador na Seleção Brasileira. Porém, em 2004 ele revelou em entrevista ao site Judô Brasil mágoa com a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) por não ter sido escolhido como técnico da equipe principal na gestão de Paulo Wanderley. Luís Shinohara foi o eleito.
– Quando mudamos para o Canadá eu tinha uma posição bem definida de virar canadense. Pensei "vamos fazer carreira no Canadá, vencer lá e esquecer o Brasil" – contou Sergio, ouro no Pan de Indianapolis-1987 e quinto no Mundial de Essen (ALE), no mesmo ano.
Toda esta trajetória do pai inspirou Serginho nos tatames. Para sorte dele, o judoca teve outra referência importante na família no esporte. Sua primeira técnica foi a tia Solange, também medalhista pela Seleção Brasileira. No Pan de Caracas (VEN), em 1983, ela subiu no pódio e conquistou o bronze.
Hoje, Solange tenta formar outros Serginhos e Henriques para a Seleção Brasileira em sua academia, e sonha em ver o sobrinho na Olimpíada do Rio-2016.
– Já pensou que fantástico que vai ser essa experiência? Isso não tem preço – falou Solange.

Solange Pessoa posa em sua academia de judô na Zona Norte de São Paulo, onde Serginho Pessoa começou a lutar (Foto: Miguel Schincariol)
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