Fabrício: 'Para ganhar o Brasileiro não pode haver vaidade'

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O inédito título brasileiro no currículo de Fabrício foi conquistado há cinco anos. Na época, com 23 anos, o volante figurou na lista dos coadjuvantes do Corinthians campeão comandado por Antônio Lopes.
O trio de argentinos, a experiência do grupo composto por alguns jogadores tarimbados, o poder de definição... Essas são algumas qualidades elencadas pelo jogador que se assemelham ao Cruzeiro de 2010 que pleitea o caneco da competição deste ano.
Um aspecto, porém, ganhou a ressalva de Fabrício: a vaidade. Enquanto o Timão encontrou certas dificuldades para lidar com o favoritismo e com os astros, o cruzeirense diz que na Raposa o trabalho direciona, em primeiro plano, o caminho do time na competição.
Em entrevista exclusiva ao LANCE!, Fabrício conta os bastidores do seu primeiro título brasileiro e diz o que o Cruzeiro precisa fazer para repetir o feito do Corinthians em 2005.
MATURIDADE
"Aquele ano foi muito difícil para mim porque tive uma lesão no joelho, operei e fiquei muito tempo parado. E depois de uma lesão no joelho é difícil ter uma sequência. Com o Tite, por exemplo, não tive chance. Depois, com o Daniel Passarella, joguei três jogos e me machuquei de novo. Chegou o Antônio Lopes e ele até falou que eu seria o titular dele, que marcava e ainda ia para o ataque... Mas não tinha condição ainda e não consegui me firmar.Mas acredito que ajudei muito o time naquela época em todos os jogos que joguei. Hoje procuro passar isso, como titular do Cruzeiro."
EXEMPLO
"Tiveram várias situações que aconteceram lá no Corinthians que hoje posso passar aqui no Cruzeiro. Até porque são poucos desse grupo que já tiveram a oportunidade de ser campeão brasileiro. E isso é no geral, você vê muitos jogadores que as vezes ganham grandes títulos até fora do país mas não tem o Campeonato Brasileiro. É o mais difícil do mundo. Eu ganhei e agora posso passar as experiências. O olhar dos adversários muda, da torcida também. Tem a mídia em cima e, de repente, algum jogador já começa a ficar mais vaidoso e querer aparecer um pouco mais. Pode achar que precisa fazer algo diferente. Então procuro passar para não mudar nada e ter humildade. Chegamos até o o topo assim e devemos seguir dessa maneira."
VAIDADE
"Acabou que tínhamos uma gordura legal para queimar e até teve aquele problema no jogo com o Internacional. Então tinham esses problemas de querer ser protagonista... Tinha o Tevez, que era o maior lá, e ele era até o mais tranquilo em relação a isso. Mas tinham outros com vaidade. Conseguimos contornar, apesar de ter atrapalhado.Tanto é que poderíamos até ser campeões com antecedência. Mas aconteceram algumas coisas, como afobação. Contra o São Caetano eu lembro do pessoal falando: "Se ganhar esse jogo nós vamos ser campeões. Ninguém pega mais a gente". E não funciona dessa maneira. Para ganhar o campeonato tem de ter calma. Tudo isso vai acrescentando na experiência e posso chegar hoje e avisar que não precisa ter vaidade."
NO CRUZEIRO
"Teve um jogo que o professor levou 25 jogadores e cortou, ficaram 18. Não ficou ninguém bicudo. Lógico que alguns ficam tristes, mas vão dar a força para o companheiro, desejam sorte. E isso é importante. É lógico que muita coisa ainda pode acontecer, como lesões, cartão. Então tem de estar todo mundo legal para se manter motivado no dia a dia. Trabalhar só antes do jogo não adianta."
MUDANÇA
"Tem treinador que chega e quer mudar tudo que o anterior fez. Nós ficávamos com um pouco de medo disso. Mas chegou a comissão técnica nova e perdemos o medo. O treinador vai montar o time com a cara dele, mas ele não tem essa vaidade. Tem treinador que faz de sacanagem. Sabe que a primeira cabeça da degola é ele, mas sabe que um jogador é bom, mas porque foi outro que trouxe, ele quer tirar. Mas o Cuca não. Ele manteve a base. E isso é difícil, mas aos poucos eles conseguiu mudar o esquema de jogo, dando tempo ao tempo e parece que já estamos com ele há três anos."
CUCA X ADILSON BATISTA
"Hoje Cuca mantém a espinha com o meio de campo: eu, Paraná e Henrique. São quatro no meio e o estilo não mudou tanto. De repente, pela própria maturidade do time, hoje nos posicionamos melhor e não nos atiramos tanto ao ataque como fazíamos antes. Corríamos e sempre queríamos jogar bonito. Hoje o time está mais tranquilo. Tem a maturidade que pegamos e a exigência do Cuca. Temos um jogo mais equilibrado, sem correr riscos. Com vitórias magras, estamos conseguindo os pontinhos."
LIDERANÇA
"É difícil falar da gente mesmo. Hoje tenho uma participação maior na parte de orientação, falar alguma coisa no vestiário, tirar dúvidas com o treinador em prol do grupo, procurar saber mais sobre o adversário. Acho que nessa parte eu estou tendo uma participação bem maior do que tive 2005. É sempre bom ter alguém que fala e aqui tem Fábio e Caçapa também. Até porque o pessoal não tem restrição nenhuma. Todo mundo que quer falar, nós escutamos e respeitamos. Não precisa nem estar de acordo, mas é bom ouvir e falar todo mundo."
ARGENTINOS
"Montillo é parecido com o Tevez. Dentro de campo, tem essa coisa do Tevez, de pegar a bola e querer resolver, partir para cima. Eu que estou ali vejo ele pedindo a bola toda hora. Essa semelhança dentro de campo é muito grande. Tévez bem isolado, mas era um cara que conquistou todo mundo com trabalho dentro de campo."
CASOS
"Naquele ano eu tive dificuldades. Estava em uma fase de três pênaltis seguidos, inclusive contra o Cruzeiro. Então, acho que depois de um jogo contra o São Paulo, esperando para treinar, avisei o Lopes que não ia mais não. Que não estava legal e não estava conseguindo jogar bem. Pedi para ele para treinar separado que não estava bem. Com o time na liderança, ninguém ia fazer isso. Mas sou um cara muito honesto com todos os treinadores."
"O Corinthians fretou um avião para as famílias e fomos todos jantar em Goiânia mesmo. A comemoração continuou. Chegando no aeroporto, com o sentimento de missão cumprida. Queria até pegar o microfone de uma emissora lá. Eu já tinha também essa brincadeira. Sempre imitava o Lopes. Ele tem essa voz grossa, não é? E usa alguns termos policiais. É engraçado. Como o avião era só nosso, peguei o microfone e fingi que era o Lopes. Teve até quem acreditou que era o Lopes."
"Acho que o treinador tem muita importância. Tem de tirar o chapéu para esses caras. É uma carga de pressão muito grande e, às vezes, injusta. Com os treinadores que tive mais intimidade, como no caso do Adilson e agora com o Cuca, vejo eles pensando só em trabalho. Olho de manhã e vejo que eles dormiram só umas três horas pensando em futebol, em jogo, no próximo adversário. No dia de folga nosso, eles vão ver jogo do adversário. Cuca é muito coração e está passando isso para os jogadores. Na própria palestra ele mostra que é um cara sério e transparente. Todo jogador quer ajudar ele, um cara que é família, trabalhar."
NÚMEROS
Fabrício em 2005
Jogos: 16
Gols: -
Assistências: -
Fabrício em 2010
Jogos: 23
Gols: -
Assistências: 4
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