Ézio: 'Estou encarando a minha doença de frente'

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A voz do ex-atacante Ézio ao telefone, pausada, às vezes ofegante, é de quem está, acima de tudo, lutando pela própria vida. Aos 45 anos, o nono maior artilheiro do Fluminense, com 119 gols, sofre com tumores no fígado e no pâncreas. A batalha do ex-jogador é diária, à base de "comprimidos muito fortes" que é obrigado a tomar.
– É como se eu fizesse quimioterapia em casa – contou.
Sob o mesmo teto, tenta manter a rotina de trabalho como agente de jogadores e sonha em voltar à rotina no escritório daqui a três meses. Enquanto isso, ele fica mais perto de sua família. O efeito disso é revigorante.
– Eu encontro na minha esposa e nos meus dois filhos a força para continuar nessa luta – afirmou.
Os gêmeos Ézio e Mabel, de cinco anos, ficam muitas vezes sob os cuidados da mãe do jogador, dona Hélia Morais, que veio do Espírito Santo para ajudar o filho no momento difícil. A esposa do jogador, Isabela Nogueira, completa o time que não deixa Ézio desistir.
– Deus está sendo muito importante para mim neste momento difícil. Eu não conseguiria sem ele. Se eu tivesse um tipo de tumor mais agressivo, certamente não estaria falando com você – confessou com surpreendente tranquilidade.
Admitir a doença nem sempre foi fácil. Ézio confessa que passou por um período de revolta ao receber a notícia, no qual tentou esconder o que acontecia o máximo possível. Depois de um tempo, veio a aceitação. Uma coisa o ex-jogador, conhecido carrasco do Flamengo, no qual marcou 13 gols em 20 partidas, ainda lamenta: não teve a chance de falar com ninguém da diretoria tricolor:
– De certa forma, fico magoado. Tudo bem que a notícia vazou agora, mas é algo que eles já sabiam. Eu mesmo tentei falar com o presidente Peter duas vezes, mas não consegui.
Enquanto aguarda um telefonema do presidente do clube que defendeu entre 1991 e 1995, Ézio acompanha pela televisão exemplos inspiradores, que o ajudam a não desistir e a conceber melhor o momento que atravessa. O ator Reynaldo Gianecchini, que luta contra um câncer nos linfócitos, o ajudou neste sentido.
- Agora, estou encarando minha doença de frente. Vi a postura do Gianecchini, ele encarou o problema muito melhor do que eu, com mais força. Isso me motivou a tornar público o meu momento. Até então, poucos sabiam, a torcida tricolor não sabia.
Ex-companheiros dos gramados também servem de espelho para Ézio, que atuou também passou pela Portuguesa e pelo Atlético-MG, entre outros clubes menores, até se aposentar precocemente, aos 32 anos, depois de vários problemas de lesão.
- Tem alguns jogadores que passaram por momentos difíceis. O Ricardo Gomes, sofreu o problema no São Paulo, voltou e se Deus quiser vai se recuperar novamente. O Geovani, que atuou pelo Vasco, também esteve muito mal e conseguiu dar a volta por cima. Se Deus quiser eu também vou vencer a minha batalha - concluiu Ézio Leal Moraes Filho ou, para os tricolores, simplesmente Super Ézio.
DIRETORIA ENTROU EM CONTATO COM A FAMÍLIA
Alexey Dantas, vice-presidente de Relações Institucionais do Fluminense, afirmou que a diretoria do clube já entrou em contato com a família do ex-jogador.
– Assim que tomou conhecimento do problema do ex-atleta Ézio, há cerca de duas semanas, o Fluminense fez contato com a família e se colocou à disposição para ajudar no que for preciso. Valorizar sua história e seus ídolos é uma marca do clube, que dará o apoio necessário, respeitando sempre o desejo da família e do ex-jogador – disse.
Isabela Nogueira, esposa de Ézio, confirmou que já esteve em contato com a diretoria. Atualmente, o clube lida com problemas médicos de outro ídolo, o ex-zagueiro e hoje técnico Ricardo Gomes, que teve um AVC duas semanas atrás.
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