Evento que matou piloto de Motocross era 'pirata'
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Em um evento não homologado pela Confederação Brasileira de Motociclismo (CBM) em Orizânia, Zona da Mata Mineira, o Brasil perdeu uma de suas maiores revelações no motocross: Swian Zanoni, um jovem de apenas 23 anos morreu quando fazia uma apresentação na cidade.
O evento foi em uma festa comemorativa da cidade, que, além de outras coisas, contou com uma prova de motocross. Chamado para participar do evento, Zanoni não competiu na corrida, apenas foi treinar e dar alguns saltos, pois sua família tem estreita relação com a cidade, além de ter nascido a poucos quilômetros dali.
O LANCE! ouviu o organizador do evento e ele confirmou que a prova e o show de Zanoni não tinham homologação da CBM.
– Não teve nada. Nós não precisamos disso não. Já faz dez anos que fazemos corridas por lá, e o pessoal sabe andar direitinho. Não precisa nada não. O pessoal daqui faz tudo muito bem – disse Wanderson Vitor, organizador da Festa da Primavera.
Procurada pelo L!, a CBM se mostrou muito triste e consternada com o caso e afirmou que o evento era desconhecido para a entidade.
– Estamos tentando colher informações. Elas estão chegando pela metade. Ainda não sabemos detalhes sobre o evento, se a Honda liberou ele para correr... Tudo isso é muito triste pra gente. Não tem nem explicação. Ele era muito humilde e sua família muito íntegra. Foi uma fatalidade – disse o vice-presidente da CBM, Roberto Boettcher.
O piloto estava fazendo uma exibição de saltos quando, em uma aterrissagem mal sucedida, perdeu o controle de sua moto, foi jogado para frente e bateu de cabeça no chão. Sua moto ricocheteou e bateu em palmeiras que estavam ao lado da pista. Zanoni morreu na hora por uma hemorragia na cabeça. Ele não tinha sequer um osso quebrado no restante do corpo.
O enterro de Swian Zanoni aconteceu na tarde desta segunda-feira às 17h em Divino (MG), sua terra natal.
Com a palavra,
Fred Sabino, editor de motor do LANCE!
Queda 'boba' pode ser fatal
No motocross, quase sempre um acidente é mais uma fatalidade do que de falta de segurança. Os pilotos brasileiros são muito profissionais - como era Swian Zanoni - e utilizam os equipamentos de segurança com correção. As pistas do país, independentemente da localização, têm um padrão. O problema é que o motocross é uma modalidade de risco. Uma queda num ângulo impróprio pode ser fatal, mesmo numa velocidade moderada.
O problema é que essa fatalidade de Swian aconteceu em um evento sem a homologação da CBM, o que é um absurdo. E, infelizmente, Swian participou de uma exibição que poderia ser evitada, pois ele não estava no seu melhor.
Bate- Bola
Reinaldo Selhorst,
PRESIDENTE DA ABPMX - ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DOS PILOTOS DE MOTOCROSS
1- Como era a segurança do evento que vitimou Swian Zanoni?
Não sabemos nada. Só sei que era um evento pirata e que não tinha supervisão da CBM.
2- Você considera este acidente como uma fatalidade?
Tenho que fazer uma investigação bem detalhada, mas mesmo sem fazer isso, digo: não foi uma fatalidade. Não é possível! Iremos ver se o evento tinha ambulância, se tinha médicos preparados, se algo poderia ser feito para salvar a vida deste grande piloto.
3- E como era Swian Zanoni?
Era um exemplo a ser seguido, um cara fantástico, uma pessoa extraordinária, amiga... Foi uma perda irreparável. Uma tristeza.
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