icons.title signature.placeholder Daniel Leal e Leo Burlá
20/12/2010
07:10

Conforme o LANCENET! informou com exclusividade, o dossiê que pede a unificação dos títulos de 59 até 70 também abre uma brecha para o reconhecimento dos títulos de Paulistano (20) e Atlético Mineiro (37), campeões do Torneio dos Campeões, disputado entre vencedores dos estaduais. A conquiste conferia ao vencedor a alcunha de 'Campeão dos Campeões'.

Com o precedente instaurado, outros clubes podem vir a pleitear a ratificação de outros campeonatos. O LANCENET! mostra quais outras reivindicações podem surgir a partir da avalanche criada com o dossiê da unificação.

TORNEIO DO POVO: um presente para as grandes torcidas

A competição foi disputada nos anos de 1971, 1972 e 1973. Com o nome oficial deTorneio General Emílio Garrastazu Médici, o campeonato reuniu os clubes de maior apelo popular do Brasil.

Em 1971, Flamengo, Corinthians, Internacional e Atlético Mineiro lutaram pelo troféu, que também foi disputado pelo Bahia na edição seguinte. Em 1973, o Torneio do Povo ganhou a presença de Coritiba. Naquele ano, a competição ganhou caráter nacional.

Após os rumores de pedido de unificação de antigos campeonatos, o Coritiba, vencedor do Torneio do Povo de 1973, esboçou uma reação no sentido de exigir o reconhecimento da
importante conquista.

– Temos o título do Torneio do Povo, que também deveria ser considerado, e eu li que a CBF não homologou esta decisão – indicou Vilson Ribeiro de Andrade, vice do Coxa.

O desejo pode esbarrar no fato de que o torneio não foi criado com a finalidade de apontar um campeão do Brasil, argumento que deverá dificultar um eventual pleito. Corinthians e Flamengo, campeões em 71 e 72, respectivamente, não sinalizaram que tentarão ter as conquistas ratificadas pela entidade.

A favor
Contra
Era, de fato, um torneio de
caráter nacional, já que tinha
representantes de vários estados.
Também se tratava de uma
competição oficial, já que era
organizada pela CBD (atual CBF).

Não tinha como objetivo apontar
o campeão nacional – na época
já havia o Brasileirão. O critério
de classificação (clubes de maior
torcida em seus estados) excluía
grandes equipes do país.


COPA UNIÃO: Taça de Bolinhas vira pesadelo para o Fla

Talvez a mais controversa competição da História do Futebol brasileiro, a Copa União de 1987, Campeonato Brasileiro organizado pelo Clube dos 13, que assumiu a competição após a CBF declarar-se incapaz de organizar o torneio, teve o Flamengo como o grande campeão.

Com o campeonato em andamento e o regulamento anteriormente acordado pelos participantes, a CBF decretou que o campeão brasileiro daquele ano sairia de um confronto entre o campeão
do Módulo Verde e do Módulo Amarelo, Flamengo e Sport Recife, respectivamente.

Com a recusa de todos os integrantes do Clube dos 13 em acatar a medida da CBF, não houve o confronto entre os rubro-negros carioca e pernambucano. A CBF oficializou o Sport como o campeão brasileiro daquele ano, decisão que ainda rende pendengas.

Caso fosse reconhecido como campeão, o Flamengo seria o detentor da Taça de Bolinhas, troféu entregue ao pentacampeão brasileiro. Atualmente, o São Paulo, que foi signatário de documento do C13 que reconhece o Fla como campeão, está na briga para receber o troféu como primeiro penta do Brasil.

A favor
Contra
O Flamengo é reconhecido por
clubes, entidades e imprensa
como campeão brasileiro de 1987.
Na época, foi acordado que quem
ganhasse o módulo verde
não disputaria a final.
A CBF insiste em manter o Sport
como único campeão. Este
ano, inclusive, a entidade decidiu
dar a Taça de Bolinhas ao São
Paulo – indício de que não
pretende mudar de ideia.


TORNEIO RIO-SÃO PAULO: A pedra fundamental para o Robertão

O Torneio Rio-São Paulo também poderá virar alvo da cobiça dos clubes que desejam ver a unificação completa dos títulos nacionais. Sua primeira edição ocorreu em 1933, no entanto, passou a ser jogado regularmente a partir da temporada de 1950, ano no qual o Rio-São Paulo foi batizado oficialmente como Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

O Torneio Rio-São Paulo pode ser considerado o embrião do Robertão, competição cujos clubes
interessados na unificação denominam como sendo equivalente ao Campeonato Brasileiro (disputado desde 1971).

A possível ratificação de títulos antigos movimenta os bastidores e aumenta a fila de interessados em ter outras conquistas homologadas.

A Portuguesa, por exemplo, já prepara ofício pedindo o reconhecimento dos títulos do Torneio Rio- São Paulo de 1952 e 1955.

– Naquela época, o Torneio Rio- São Paulo era considerado o Campeonato Brasileiro. Logo, a Portuguesa é bicampeã nacional – afirmou Manuel da Lupa, presidente da Portuguesa de Desportos.

A favor
Contra

Apesar de ter clubes de apenas
dois estados, o torneio reunia as
equipes então consideradas as
principais do país. Além disso, foi a
competição que originou o Robertão.

Clubes de outros estados – e até
já tradicionais na época, como
Atlético-MG, Cruzeiro,Grêmio e
Internacional – não participavam
do torneio, o que tira
seu caráter nacional.


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