Consórcio vence licitação para Parque Olímpico da Rio-2016

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O consórcio formado por Odebrecht Infraestrutura e as construtoras Carvalho Hosken e Andrade Gutierrez foi o vencedor da licitação para a construção da principal obra dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016: o Parque Olímpico, na área hoje pertencente ao Autódromo Nelson Piquet. Previsto inicialmente para ser um projeto de R$ 1,4 bilhão, o valor acabou em R$ 1,375 bilhão: R$ 850 milhões do terreno, mais R$ 525 milhões a serem pagos pela prefeitura do Rio de Janeiro. O grupo foi o único a apresentar proposta.
Pelo acordo, o consórcio terá de construir e manter todos os equipamentos permanentes do Parque Olímpico; disponibilizar a infraestrutura da futura Vila Autódromo (mais detalhes abaixo) e da Vila Olímpica e Paralímpica; prestação dos serviços de manutenção e operação do Parque e a remoção do Centro Esportivo de Ultraleve.
Em troca, o consórcio terá o direito de explorar comercialmente as áreas que não forem utilizadas no Parque Olímpico. Isso somente acontecerá em 2017, após a retiradas das instalações temporárias.
Presidente da Carvalho Hosken, Carlos Carvalho acredita que as obras possam começar em 60 dias. Mas, para tanto, não poderão inviabilizar as provas no local por causa de acordo celebrado na Justiça.
Antes do início da análise dos documentos, nesta segunda-feira, o diretor jurídico da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Felippe Zeraik, entregou decisão da Justiça para que os licitantes tomassem conhecimento do acordo judicial em que o Autódromo Nelson Piquet somente pode ser desativado após o novo, em Deodoro, ser entregue. Em janeiro, a CBA havia obtido liminar na Justiça suspendendo o processo licitatório.
- Não somos contra a demolição. Só queremos a garantia do cumprimento do acordo. O calendário não pode ser interrompido porque há pessoas que lá trabalham e seriam prejudicadas - disse Zeraik.
O secretário da Casa Civil da prefeitura, Pedro Paulo Carvalho, disse que o prefeito Eduardo Paes irá conversar com a CBA nos próximos dias.
Moradores protestam
Durante a abertura dos envelopes, moradores da Vila Autódromo protestaram contra o empreendimento. Eles levaram uma faixa com os dizeres "Contra a injustiça em favor da Vila Autódromo".
Pelo projeto, o consórcio terá de reassentar os moradores num terreno que será comprado pela prefeitura. Pedro Paulo declarou que essa decisão era para ser comemorada pelas pessoas da Vila:
- Eles vão para uma área muito melhor, próxima da Barra da Tijuca. Com tudo incluído no projeto "Minha Casa, Minha Vida".
Por diversas vezes, o projeto do Parque sofreu mudanças por causa da Vila Autódromo, que hora seria removida por completo, hora parcialmente. Há 40 anos no local, os moradores resistem à mudança.
Nesta segunda-feira, a remoção da Vila virou notícia no "The New York Times". O jornal cita que a favela é uma das que serão removidas até 2016.
BATE-BOLA: Pedro Paulo Carvalho - Secretário da Casa Civil da prefeitura, em entrevista coletiva
Há preocupação da prefeitura por conta da reclamação da CBA?
A vocação automobilística da cidade será respeitada. Não queremos que o Rio fique sem autódromo. Há um cronograma de obras do Parque Olímpico que não prejudicará eventos no local. E vamos chamar a CBA para conversar.
Há receio da prefeitura quanto a paralisações pela Justiça?
Não podemos trabalhar imaginando o temor que a Justiça vai decidir. Decisões são para serem acatadas e respeitadas.
Existe a possibilidade de o governo federal ajudar com recursos?
Estamos em discussão. Conseguimos uma economia de R$ 25 milhões nessa licitação. O importante agora é que iniciamos o trabalho no coração da Olimpíada.
O Parque Olímpico:
Instalações permantentes: O Centro Olímpico de Treinamento (COT) terá quatro halls: um para o basquete, outro para judô e taekwondo, o terceiro para luta olímpica e o quarto para handebol. Além disso, o Parque terá o Centro Olímpico de Hoquéi. O consórcio construirá todas.
Instalações temporárias: São duas: o Centro Olímpico de Tênis e o Estádio Olímpico de Desportos Aquáticos para natação e nado sincronizado. A construção é de responsabilidade do governo federal, mas será repassada para a prefeitura.
Instalações existentes: A Arena Olímpica receberá a ginástica, o Parque Aquático Maria Lenk os saltos ornamentais e o velódromo o ciclismo. As reformas dessas instalações são de responsabilidade do governo federal, mas também serão repassadas para o governo municipal.
Plano geral urbanístico: No dia 19 de agosto do ano passado, a prefeitura divulgou a empresa vencedora do Plano Geral Urbanístico do Parque Olímpico. A consultoria internacional AECOM foi a vencedora. O projeto em questão define como será ocupada a área do Parque, os espaços públicos, praças e parques, além da disposição das instalações permanentes e temporárias e dos futuros empreendimentos imobiliários.
Design das instalações: Segundo Pedro Paulo, ainda não está definido se haverá nova licitação para os designs as instalações esportivas do Parque Olímpico. De acordo com o secretário da Casa Civil, no edital vencido pelo consórcio ontem, está prevista a contratação de escritórios para o detalhamento dos projetos.
Tamanho e localização: O Parque será o coração dos Jogos. Com área de 1.180.000 metros quadrados, vai abrigar 10 esportes olímpicos e 11 paralímpicos. No local, também será construído o Centro Principal de Imprensa e o Centro Internacional de Transmissões. O consórcio também é responsável por esta obra.
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