Bruno: à sombra de Ronaldo, à espera de um Fenômeno

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Bruno virou Ronaldinho aos nove anos. Contagiado pela Copa do Mundo de 1998, o garoto de Pariqueira-Açu, a 220km da capital, imitou o visual do craque da Inter de Milão (ITA) e raspou o cabelo. Dos colegas, ganhou o apelido. Do pai, a ida para São Paulo com o objetivo de ser o sósia-mirim do jogador em comercial da Parmalat.
Entre 150 garotos, foi escolhido para gravar propaganda de lançamento de um isotônico da marca.
Relembre as propagandas protagonizadas pelo sósia de Ronaldo
O sucesso resultou em um novo comercial, transmitido em toda a Europa e premiado em Milão. Na cerimônia, aconteceu o primeiro encontro com o seu maior ídolo.
– Fiquei sabendo que você está batendo um bolão, garoto! – disse Ronaldo ao menino.
Um único encontro. À sombra de Ronaldo, tentou ser jogador de futebol. Mesmo agenciado por alguns empresários, o aprendiz de Fenômeno não decolou. Com o passar dos anos, rodou por alguns clubes pequenos, sem emplacar.
Aos fazer 18 anos, deu um tempo nas tentativas. Atrás do amadurecimento, mudou-se para Blumenau (SC), onde teve de se virar. O sonho de ser um craque milionário deu lugar à realidade. Foi caixa de supermercado, vendedor de celulares e atendente de uma financeira. Hoje, está desempregado.
Em 2010, tentou um último suspiro. De favor por um mês em São Paulo, encontrou-se com Ronaldo no Pacaembu e recebeu a promessa de que seria indicado para o Nacional, do então técnico Vampeta. De volta ao Sul do país, aguardou o telefonema que nunca veio.
– Farei 23 anos em abril e já é tarde, mas ainda acredito. Liedson tinha 22 quando começou. Desistir 100%, ainda não. Mas sei que está cada vez mais difícil conseguir sem um padrinho como Ronaldo – disse, ao LANCENET!.
Há 13 anos ele quer ser como Ronaldo. Hoje, mais velho e menos parecido fisicamente, sabe que dificilmente terá a profissão do ídolo recém-aposentado. De São Paulo, nenhuma ligação. No Nacional, ninguém nunca ouviu falar dele. Mas, à espera de um fenômeno, Bruno mantém o sonho de uma vida.
Bate-bola com Bruno "Ronaldinho"
LANCENET!: Como tudo começou?
BRUNO: Um amigo do meu pai lhe mostrou um anúncio de jornal que procurava alguém parecido com Ronaldinho, que jogasse bola. Fui para São Paulo, fiz um teste de câmera e passei. Foram várias propagandas, aparições em programas e reportagens.
LANCENET!: E como foi o encontro com ele, em 2010?
BRUNO: Foi no Pacaembu, após o jogo contra o Independiente Medellín (PAR), pela Libertadores. Bati foto e falei com ele. O clima estava tenso pela Libertadores. Na frente dele, não saíam as palavras. Disse só que tinha vindo de Blumenau, que fazia dez anos que não o via. Ele se lembrou de mim e disse: "Vou te colocar no Nacional, passe no clube antes do jogo contra o Flamengo." Fui, mas a confusão era grande. Como não dava para eu manter em São Paulo, voltei.
LANCENET!: Você enviou uma carta através de uma funcionária do Corinthians, que te garantiu que foi entregue. O que escreveu nela?
BRUNO: Escrevi contando da minha vida, onde moro, o que fazia e pedi: "Se tiver como me dar força...Não quero dinheiro, só um clube para ter condições de voltar a jogar."
LANCENET!: E o que achou da aposentadoria do craque?
BRUNO: Achei precoce, já que o Rivaldo e Roberto Carlos ainda estão jogando. Mas pelos problemas de saúde que ele tem, era complicado. Gostaria que tivesse continuado.
Com a palavra: Wagner Ribeiro
Empresário de Lucas e Neymar (entre outros), ao LANCENET!
"Não é querendo menosprezá-lo ou acabar com a esperança, afinal nem o conheço, mas acho que não tem mais chance de jogar num clube grande. Ninguém faz avaliação em atleta de 23 anos. Ele conseguirá jogar na terceira divisão se tiver mesmo qualidade. O timing já passou. A estatística diz isso, ele tem 90% de chance de não jogar em clube grande. O único caso no mundo de alguém que começou tarde e deu certo foi o lateral-direito Zé Carlos (aos 29 anos), que foi para o São Paulo e disputou até a Copa do Mundo de 1998."
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