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O autopatrocínio do lutador de taekwondo Paulo Coelho

Marcos e José Serra (Foto: Cesar Greco/Fotoarena)
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Dia 28/10/2015
05:40

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O lutador Paulo Coelho, de 25 anos, é xará de um famoso escritor de ficção. No entanto, a história vivida por este atleta é bem real e assombra diversos esportistas do Brasil. Paulo foi campeão brasileiro de Tawkendo em 2011, (na categoria até 75 kg, a não Olímpica). Com o título nacional, ele se classificou automaticamente para o Pan-Americano de Guadalajara, que foi realizado no mesmo ano, mas não pode ir por falta de patrocínio.

Todas as despesas que Paulo tem com o esporte (passagens, inscrições em campeonatos, hospedagem, exames etc) são bancadas por ele mesmo, através de seu trabalho como vendedor em uma loja de roupas.

- Um ano atrás, mais ou menos, fiquei desempregado e não tinha como ir treinar, pois não tinha como gastar dinheiro de passagem para treinar tendo uma filha que depende de mim. Cheguei a ficar um mês sem treinar por vergonha de falar para o meu mestre o que estava acontecendo de verdade, até que um dia ele me chamou e perguntou qual era a minha dificuldade, aí ele me disse que sempre que precisasse era só pedir a ele que ele me ajudaria - disse o lutador.

O atleta, que treina em uma academia no Anil, Zona Oeste do Rio de Janeiro, classifica com uma "vergonha" a falta de investimento financeiro nos esportes aqui no Brasil.

- Não fui ao Pan por não ter condições financeiras. Posso pagar para competir em alguns eventos, mas não tinha dinheiro para ir pro México. Acho uma vergonha um país como o nosso com tantas empresas grandes e com tantos atletas tops, não ter ajuda para o esporte - contou. 

Paulo, se queixou do fato de só o futebol ser notado pelos patrocinadores e ainda falou que deseja realizar um trabalho social ligado ao esporte que pratica.

- Só patrocinam futebol, e agora o UFC. A estrutura para o outros esportes no Brasil ainda é muito ruim. Na academia que treino, temos equipamentos colados com fita, por não termos condições de comprar outros. Tenho um sonho de montar um projeto social e dar aula para crianças carentes. Mas como vou fazer sem apoio? - lamentou.

BATE BOLA

LANCENET: Considerando as dificuldades financeiras que você e muitos outros atletas passam por falta de patrocínio, você acha que vale a pena ser um profissional do esporte no Brasil?

Paulo: Eu acho que vale a pena seguir pelo fato de você fazer uma coisa que ama de verdade, e isso é valido na vida toda e para tudo que você realmente ama. Mesmo que eu não consiga patrocínios, mesmo que eu não tenha grana eu vou treinar e tentar lutar. Assim como será feito no próximo brasileiro que será realizado em Santos e eu não tenho quem possa me ajudar, mas estamos correndo atrás e Deus vai nos ajudar.

LANCENET: Qual a sua opinião sobre o MMA?

Paulo: Eu acho que é um esporte muito legal, acabou virando uma paixão nacional assim como o futebol. Eu não perco um evento. Gosto de ver alguns lutadores que vieram do taekwondo, como Edson Barboza, Bem Henderson e, é claro, o Anderson Silva.

LANCENET: Você lutaria em algum UFC?

Paulo: Acho que se tivesse uma oportunidade, uma preparação adequada, eu lutaria sim.

LANCENET: Qual é sua maior inspiração?

Paulo: Minha maior inspiração é minha filha. Na final do brasileiro ela falou assim para mim: "pai vai lá e ganha o cordão de ouro para mim".

LANCENET: Se você fosse ao Pan, sem patrocínio, ou bancado por uma empresa internacional, você representaria o Brasil com orgulho?

Paulo: Representaria sim. Apesar destes problemas, seria um orgulho lutar pelo nosso país.

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