Após susto de tubarão, liga oferece psicólogos para acalmar surfistas
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Enquanto ainda discute a adoção de mecanismos para garantir a segurança dos surfistas durante as etapas do Circuito Mundial (WCT), a Liga Mundial de Surfe (WSL) tenta tranquilizar os competidores. A organização vem oferecendo o serviço de psicólogos com o objetivo de apagar o trauma causado pela presença de um tubarão em Jeffreys Bay, na África do Sul, no último fim de semana.
Até o momento, a entidade que administra o campeonato não anunciou o que fará para evitar situações como a vivida pelo australiano Mick Fanning, que teve a final contra o compatriota Julian Wilson cancelada após ter sido surpreendido por um tubarão. Mas contatos por e-mail já aconteceram.
– Alguns surfistas que estavam por lá, em Jeffreys Bay, foram ouvidos. Nós recebemos e-mails da WSL disponibilizando psicólogos para nos ouvir e tranquilizar. Eles disseram que vão tomar medidas e que nos avisarão o quanto antes – contou a brasileira Silvana Lima, em entrevista ao LANCE!.
A atleta, que não estava no local – a etapa sul-africana não faz parte do calendário da competição feminina – revelou que recebeu a notícia sobre o possível ataque aos prantos, mas sem tanta surpresa. Melhor surfista do circuito feminino na atualidade, ela convive com o medo de se deparar com tubarões.
– Não me sinto bem na etapa de Margaret River (AUS). Todos os anos sempre alguém fala de ter visto os tubarões. Eu lembro que este ano lá eu cheguei muito cedo e fiquei dentro do carro esperando mais algum surfista. Vi o Mineirinho chegar e também ficar dentro do carro. Em seguida, chegaram Filipinho (Toledo), Alejo (Muniz) e Miguel (Pupo), e corri para a água. Entramos todos juntos. Ninguém fala nada, mas todos têm medo de ser os primeiros a entrar – afirmou a cearense.
Os surfistas divergem sobre a solução ideal para o problema. Enquanto alguns demonstram confiança em tecnologias que podem repelir tubarões, como as que o L! noticiou na última segunda-feira, outros acreditam que o melhor é rever os locais das provas.
– Eu adoro surfar em J-Bay e acredito que, primeiramente, a WSL tem de ver quais medidas poderiam ser tomadas. Acho que conseguirão melhorar de alguma maneira. Imagina ano que vem o campeonato lá? Se terminou com essa mídia toda, no ano que vem o mundo vai parar para assistir (risos) – brincou o líder do ranking Adriano de Souza, o Mineirinho, que tem opinião diferente da compatriota:
– Acho que não vão tirar essa etapa. Vão tomar medidas de segurança mais eficazes. Porém, acredito que seria melhor não haver competição lá. Acho muito tenso e perigoso – falou Silvana, 12ª colocada no ranking mundial.
A próxima etapa do Circuito Mundial para os homens acontecerá em Teahupo'o, no Taiti, entre os dias 14 a 25 de agosto. Para as mulheres, o próximo compromisso será entre 27 de julho e 2 de agosto, em Huntington Beach (EUA).
Bate-bola
Silvana Lima, surfista, em entrevista ao LANCE!
LANCE!: Como foi o momento do ataque do tubarão ao Fanning para você? Onde estava, como soube e como reagiu?
Silvana Lima: Eu estava surfando com amigos. Quando saí, havia 12 chamadas em meu telefone, muitas mensagens. Quando retornei para uma amiga, ela me disse o acontecido. Eu me senti muito estranha. Uma sensação de desespero... corri para casa para poder entender o que houve. Assim que eu assisti (repeti por umas 10 vezes). Comecei a chorar imaginando que poderia ter terminado na morte do Mick. Muito emocionada, eu respirei fundo, me acalmei e agradeci muito a Deus por ele ter salvo o Mick. Para mim, ele é o maior sobrevivente de ataque de tubarões. Um cara de sorte.
L!: Já imaginou que uma situação dessa pudesse acontecer em uma etapa?
S.L: Imaginei sim. Tenho um amigo que mora em Margaret River (Jano Belo) que sempre diz que vê tubarões lá. É uma situção estranha saber que eles estão por ali. Acordo cedo, ainda no escuro, e quando chego na praia não há ninguém. Você fica com medo de entrar.
L!: Já enfrentou algum caso de perigo desse tipo?
S.L: Eu me lembro de um ano em Sunset Beach, no Hawaí, em que havia altas ondas. Corri para o mar e, assim que cheguei no outside, um cara gritou "tubarão". Remei tão forte sem nem olhar para trás. Em questão de segundos, eu já estava na areia e, ainda assim, alguns havaianos nem saíram do mar.
L!: O que acha do uso de tecnologias 'anti-tubarão' em boias, pranchas ou tornozeleiras, que a organização cogita utilizar? Pode ser uma medida eficaz?
S.L: Eu realmente acredito que a melhor forma seria não ter as etapas onde há muitos tubarões por perto. Não irei me sentir bem, mas não posso falar por todos, então não sei o que irá acontecer.
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