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Após operação, Polícia garante: 'Mais torcedores serão presos'

Apoel x Real Madrid - Benzema (Foto: Yorgos Karahalis/Reuters)
imagem cameraApoel x Real Madrid - Benzema (Foto: Yorgos Karahalis/Reuters)
Dia 28/10/2015
05:57

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Depois de fazer uma operação que prendeu cinco palmeirenses da Mancha Alviverde e computadores da sede da Gaviões da Fiel, os delegados responsáveis pelo Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) e DHPP (Delegacia de Homicídio) concederam entrevista coletiva na tarde desta terça-feira.

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A delegada Margareth Barreto e o diretor Jorge Carlos Carrasco responderam as perguntas sobre o confronto entre as duas facções rivais, que aconteceu no último domingo, na avenida Inajar de Souza, Zona Norte de São Paulo.

Ao contrário da nota oficial divulgada pela Mancha Alviverde na noite da última segunda-feira, a delegada afirmou que a facção do Verdão não é "vítima" no caso.

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- Não há chapeuzinho vermelho na floresta. Eles não solicitaram escolta (da polícia) mesmo sabendo que haveria confusão. Mais de um deles estava portando arma de fogo. Eles não são vítima - explicou Margareth.

Os responsáveis pelo caso explicaram que cinco detidos da facção palmeirense foram presos durante a manhã desta terça-feira. Todos com mandado de prisão. Outro, que é corintiano, acabou sendo detido por portar maconha em frente a sede da Gaviões. Além de computadores, a Polícia levou cerca de R$ 150 mil que estava na quadra dos corintianos. Os integrantes dizem que a quantia é referente à venda de ingressos para as partidas que acontece no local.

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Confira na íntegra toda a entrevista coletiva no Dhpp:

Dra. Margareth Barreto, delegada, e Jorge Carlos Carrasco, diretor do Dhpp

Quem são os cinco detidos?

Jorge: São torcedores, todos da Mancha Alviverde que estão envolvidos no confronto. Outras prisões ainda estão se encaminhando.

Algum deles é suspeito de ter afetuado o disparo?

Jorge: Tem um deles que estava portando arma de fogo. Há testemunhas. Também foi preso. As investigações prosseguem. São vários crimes.

Margareth: A informação é de que tem alguém armado, não sabemos quem desferiu o tiro. Na hora do confronto pode ser. A gente prossegue. Arma de fogo, não tinha o calibre pois não foram apreendias armas.

Como punir? Adianta tirar a camisa das torcidas no estádio?

Jorge: Estamos preparando um trabalho nesse sentido para identificação de todas as torcidas. Temos que catalogar esse pessoal que frequenta estádios. Vamos coibir. Estamos conversando junto à Federação Paulista de Futebol, Polícia Militar e o Ministério Público. Com certeza traremos algo novo que mantenha o controle. Algumas investigações estão em curso.

Há um corintiano também?

Jorge: Foi preso, mas não é de mandado. Ele estava lá na Gaviões. São cinco presos com mandado e mais esse portando maconha.

Margareth: Alguns indivíduos fugiram do estado de SP, mas já sabemos quem são. O pessoal da Mancha também assumiu o risco da emboscada acontecer. Memso assim, com a indicação de saírem a pé, não pediram escolta. Se arriscaram. Por isso ressalto que não há mocinhos. Geralmente tem gente que faz escolta da torcida. Temos a informação de que não havia uma arma só. Não era só um integrante da torcida armado da Mancha.

O que será feito com os computadores?

Jorge: Os computadores estão sendo analisados agora na delegacia.

E as armas?

Margareth: As investigações prosseguem. Vamos tentar apreender.

Qual a maior dificuldade na operação?

Margareth: Existe um pacto de silêncio entre as torcidas. Não falam com a Polícia. Por isso precisamos trabalhar imagens. Eles geralmente cobram as broncas na rua. Não tem nenhum compromisso com o poder estabelecido. Eles sabem quem matou, mas muita gente não quer colaborar.
Não digo que todos os organizados são pessoas que cometem crimes. Existe uma cúpula que se reúne para brigar e cometer crimes.

São sempre os mesmos envolvidos?

Jorge: Quem dirige uma torcida sabe o que ocorre dentro do seu âmbito. Nem o confronto eles desconheciam. Eles sabem sim, serão responsabilizados. Ainda não foram ouvidos.

Alguma resolução do crime de 2011, quando um corintiano foi achado no Rio Tiête?

Jorge: Pelo pacto do silêncio, estabelecemos a autoria. A motivação do confronto foi uma retaliação por aquela morte. A morte de 2011 ainda não tem autoria.

Por onde investigam? Tem testemunhas?

Jorge: Uma análise de algumas imagens.

Utilizaram rojões, ferros e paus. Dá para controlar isso?

Jorge: Na sexta-feira foram comprados uma quantidade excessiva de rojões. Me permito não dizer quem foram, mas já identificamos.

Outras torcidas serão envolvidas na investigação?

Jorge: Todas serão investigadas. Não é só Corinthians e Palmeiras, tem outras torcidas e já tivemos outros confrontos.

Existe algum galpão da Gaviões na avenida Inajar de Souza?

Jorge: Estamos investigando.

Estes foragidos estavam na briga?

Jorge: Não digo foragidos, alguns que participaram do confronto que nós já temos a identifacação já sairam de SP. Não estavam entre os proibidos de entrar nos estádios.

Ficarão pressos até quando?

Jorge: Eles estão em prisão temporária. Ainda estão aqui no DHPP. Vão aonde o Distrito de prisão temporal nos permite mandar.

Gaviões é vítima, já que só foram presos torcedores da Mancha?

Margareth: Foi a Gaviões quem fez emboscada na Mancha, não há vítima nessa história.

E porque prenderam só da Mancha?

Margareth: Já sabiam que deveriam sair sem escolta, não pediram escolta. Havia a própria escolta da torcida. Eles também são vingadores. Não estamos falando de vítimas, de nenhum Chapeuzinho Vermelho. Se precisar dão tiro, batem na Polícia. Houve um acompanhamento da Polícia Militar devido à multidão na Inajar. Eles mesmos fazem a escolta deles.

Como explicar lugares isolados e horários longe da hora do jogo?

Margareth: Estas brigas tem acontecido. Os crimes tem acontecido em outros lugares da cidade. Eles marcam brigas longe. Vão a um churrasco, bebem, ingerem drogas e depois vão para o jogo. Vão para brigar pouco antes do jogo.

A Mancha é da Barra Funda, o que eles faziam na Inajar?

Margareth: Tem gente que é da Mancha e que mora na Zona Norte.

Clubes tem algum papel na investigação?

Jorge: Se necessitarmos depoimentos de dirigentes, com certeza serão chamados. Nós, junto com o departamento de Inteligência estamos criando mecanismos para mapear de perto essas torcidas. Poderemos monitorar em tempo real as torcidas.

Sabe quem foi o autor dos disparos?

Jorge: A Polícia não caminha com esse objetivo. Isso é uma questão de opinião pública. Toda a população de São paulo está preocupada. Isso acontece nas portas de residências, comércios. Acredito que a população vai nos ajudar para solucionar esse horrendo crime. Se reúnem não para diversão, mas para se matar.

Isso faz com que o cidadão comum não vá nestes jogos?

Jorge: Não posso conclamar torcedores a não torcer para o seu time de coração. Têm bandidos infiltrados nessas torcidas, posso afirmar isso. São bandidos que se infiltram em organizadas.

Quais medidas serão tomadas?

Jorge: Chegou num ponto de intolerância de nós aceitarmos essa conduta. Estamos conversando com a polícia militar, ministério público. Vamos alicerçar o caminho para que isso não aconteça mais.

Afeta na preparação para a Copa do Mundo?

Jorge: Mais uma razão. Se seremos palco de uma Copa do Mundo, nada mais juto que, agora, com esse episódio nós possamos somar esforços para que isso não ocorra mais.

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