Após drama com o pai, Juninho é a sensação dos tios fanáticos e da mãe

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Não é só a torcida do Palmeiras que está satisfeita com as atuações de Juninho, lateral de 22 anos contratado para esta temporada que se tornou titular de Felipão logo de cara. Mãe e um "time de tios" o abraçaram após um drama, na adolescência, e acompanham o maior número de jogos possíveis.
O baiano de Feira de Santana conta com o apoio dos parentes desde os 10 anos, idade em que começou a se arriscar no futebol. No entanto, em 2004, quando morava em São Paulo em busca do sonho de ser atleta profissional, ele perdeu o principal incentivador: o pai Evandro morreu após um acidente de moto na Radial Leste, via bastante movimentada da capital.
– O sonho dele era me ver jogando pela televisão. Depois que ele faleceu, até quis parar de jogar, mas minha mãe (Suzana) foi uma das pessoas que não me deixou desanimar. Acreditou em mim e hoje devo muito a ela por estar aqui – contou em entrevista ao LANCENET!.
Os tios paternos assumiram o posto deixado por Evandro. César e Jerry se destacam entre os mais de dez irmãos do pai – "minha avó caprichou", brinca o camisa 6.
Residentes da Zona Leste da cidade, costumam reunir a família em casa e vibram a cada lance.
– O pessoal trabalha muito, é difícil eles irem aos jogos, principalmente aos domingos, porque meus tios costumam trabalhar aos finais de semana também. Sempre quando encaixa uma folguinha e tem jogo, eles se encontram e comemoram bastante na frente da TV.
Motorista de ônibus, Jerry abre até uma brecha no expediente para ouvir pelo rádio as partidas do sobrinho pelo Alviverde (leia um depoimento ao lado). Empresário, César tem um pouco mais de dificuldade de driblar os afazeres.
– Sempre quando acaba o jogo, recebo mensagens e ligações, até mesmo quando o resultado não acontece como queríamos. Essa contribuição da família é muito importante na minha carreira.
Das 12 rodadas que já passaram do Paulistão, Juninho foi titular em 11 e só ficou fora na vitória contra o XV de Piracicaba porque Luiz Felipe Scolari poupou alguns atletas. Nos outros jogos, só foi substituído contra o Guará.
Domingo, o Verdão encara o Botafogo-SP, em Ribeirão. Carregue o celular, Juninho!
Você falou em muito incentivo por parte da sua família. Desde que saiu do Figueirense, todo mundo virou palmeirense, então?
Tem palmeirense brotando do chão na minha família (risos).
Confira um bate-bola com o camisa 6
Aos 22 anos, qual é o seu grande sonho profissional?
Eu tenho muitos sonhos. Sonho em ser campeão, ainda não fui. Não consegui ser campeão estadual com o Figueirense, embora a gente tivesse um bom time. Sonho em ser campeão paulista, brasileiro, da Libertadores, chegar à Seleção. Tenho muitos para realizar ainda.
O estereótipo do baiano é aquela pessoa bem extrovertida, mas você parece ser muito discreto...
Quando eu saí da Bahia era muito pequeno, tinha 10 anos. Então cresci aqui em São Paulo e acabei pegando um pouquinho do jeito paulista. Fica difícil, até o sotaque eu já perdi, além de outros costumes. Posso dizer que perdi esse jeito brincalhão que o baiano tem, apesar de eu ser alegre. Prefiro mostrar meu trabalho dentro de campo. Sou jogador de grupo, sempre estou conversando com quem está desanimado, dou força.
Você é a solução para lateral esquerda, problemática há anos?
Fiquei sabendo que a lateral com dificuldade de encaixar alguém. Não é à toa que o Palmeiras teve o interesse em me procurar, também foi atrás de outros jogadores. Fico feliz por estar no clube e quero marcar meu nome na lateral.
A lateral direita também está bem, com Cicinho e Artur...
Não só nas laterais, mas em todas as posições temos jogadores que dão conta do recado, tanto os que estão jogando quanto aqueles que entram. Podemos dizer que todos são titulares. O Felipão procura ter todos como titulares.
Com a palavra de Jerry, tio e incentivador do lateral
"or ser tio do Juninho, sou suspeito para falar, mas ele está jogando muito bem, com bons passes e agora está arriscando mais chutes a gol.
Eu não perco um jogo do Palmeiras. Gosto de reunir o pessoal na minha casa, na Zona Leste. Faço churrasco, mas como a minha casa é pequena, só cabem cerca de 15 pessoas por jogo lá comigo.Quando estou trabalhando (numa empresa de ônibus fretados), ligo o rádio e, quando dá, reúno o pessoal na garagem dos veículos. Sempre é uma emoção muito grande, meu irmão e minha cunhada lutaram muito. Imagino meu irmão (falecido) assistindo comigo".
Últimos laterais: ninguém se firmou
Armero
Contratado no início de 2009, foi titular até o meio de 2010, quando foi negociado com a Udinese (ITA). O colombiano disputou 80 partidas pelo Verdão e marcou um gol. Não foi brilhante, mas não comprometeu. Deixou o clube sem conseguir um título.
Rivaldo
Chegou ao Alviverde durante o Brasileirão de 2010 após boas partidas pelo Avaí. Volante, foi usado por Felipão diversas vezes na lateral esquerda por falta de opções. Em 53 jogos, não deslanchou e foi questionado pela torcida. Foi para o Sport em dezembro.
Gabriel Silva
Formado nas categorias de base, foi lançado por Muricy Ramalho no início de 2010. Virou titular com a saída de Armero. Teve passagens pelas seleções de base. Foram 56 jogos antes ir para a Udinese (ITA) no fim do ano passado.
Gerley
Contratado do Caxias (RS) no meio do ano passado após ser considerado o melhor da posição durante o Campeonato Gaúcho. São 16 partidas pelo Verdão (duas em 2012). Ainda precisa ganhar mais experiência.
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