Cuca

Cuca foi apresentado nessa segunda e falou em falta de confiança do grupo - FOTO: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Fellipe Lucena e Yago Rudá
19/02/2019
08:53
São Paulo (SP)

Cuca ainda vai demorar um pouco para iniciar seu trabalho de campo no São Paulo - a previsão é de dois meses, embora ele tenha falado durante sua apresentação em dar uma "antecipadinha" no prazo -, mas já tem alguns desafios pela frente.

Três desses desafios são urgentes e também serão enfrentados por Vagner Mancini, que dirigirá a equipe interinamente até que Cuca esteja pronto: resgatar a auto-estima dos jogadores, dar um padrão de jogo ao time e fazer alguns ajustes no elenco, com chegadas e saídas.

Cuca vai finalizar o tratamento que o impede de trabalhar imediatamente em Curitiba, onde mora com a família, mas manterá contato frequente com Mancini e terá aparições esporádicas no CT da Barra Funda. Seu irmão e auxiliar, Cuquinha, só deve chegar quando ele puder trabalhar no campo.

O RESGATE DA CONFIANÇA

Cuca ainda não teve contato com os jogadores, mas ficou claro durante sua coletiva de apresentação o esforço para encher a bola do elenco e salientar que o São Paulo pode, sim, sonhar com títulos ainda neste ano. É consenso no clube que os jogadores estão sentindo o peso não só da má fase atual, mas também de todos os anos sem conquistas.

- É difícil falar de técnica quando há desequilíbrio mental. O atleta não rende o máximo se tiver problemas mentais e o São Paulo está com a auto-estima baixa em campo. Enxergo o São Paulo muito abaixo do que pode render, muito abaixo. Esse sentimento nos deixa chateados, mas temos que reagir - avaliou Vagner Mancini, após estrear como interino na derrota por 2 a 1 para o Corinthians, em Itaquera.

- Eu acho que vai demorar mais um pouco (para retomar a confiança). A gente conversou hoje (segunda) sobre isso. No clássico, ela começou a ser recuperada quando o São Paulo empatou e teve o domínio. Se você vira para 2 a 1, as coisas vêm para o seu lado, você passa a ter o direito de errar, as coisas já não são tão difíceis... Quem jogou sabe que funciona assim. Acabou tomando 2 a 1, aí pesa tudo de novo. É um processo natural. Você não tem como chegar no jogador e pôr a auto-estima nele. Ela vem com os resultados - emendou Cuca.

O São Paulo tem uma psicóloga em sua comissão técnica: Anahy Couto, que acompanha o dia a dia dos atletas, inclusive em algumas viagens.

O PADRÃO DE JOGO

Ao anunciar a contratação de Cuca, na sexta-feira passada, Raí falou em manter a busca pelo modelo de jogo que o São Paulo considera ideal. A ideia é ter uma equipe agressiva, que goste da bola, algo que André Jardine também dizia procurar. A avaliação interna, porém, é de que ele se deixou levar pela enorme pressão e abandonou algumas de suas convicções na hora de escalar a equipe.

- Eu gosto de ter uma marcação pressionando o adversário para ter a roubada de bola. Eu não consigo fazer o time ir lá atrás jogar. Não é meu estilo de jogo e nem do São Paulo. Agora temos quatro semanas cheias para trabalhar, ótimo para a gente dar um up geral em todo o grupo - explicou Cuca.

Hoje essa missão está com Vagner Mancini. Ele terá toda a semana para preparar a equipe que enfrenta o Red Bull, domingo, no Morumbi, e deve fazer alterações: Antony é o candidato mais forte a substituir o lesionado Everton, enquanto Luan pode entrar no meio de campo, o setor mais crítico do time.

- Também acho que no setor de meio de campo temos que ter jogadores mais leves. Infelizmente não tenho ainda o Liziero (machucado) e o Luan está voltando da Seleção (sub-20), ainda um pouco afastado das coisas que estão acontecendo no São Paulo. No clássico a bola não saía limpa de trás e isso dificultava a chegada dela ao ataque - avaliou Mancini.

REMONTAGEM DO ELENCO

Cuca foi cauteloso todas as vezes que questionado sobre esse assunto durante sua apresentação, mas o São Paulo sabe que ele vai solicitar alguns ajustes no elenco, com chegadas e saídas de jogadores. Os últimos dois trabalhos do treinador que resultaram em títulos tiveram momentos de reformulação: no Galo, campeão da Libertadores em 2013, e no Palmeiras, campeão brasileiro em 2016.

- Acontece gradativamente. Você não chega no clube e fala: "ah, quero tirar esse". A gente tem que sentir o jogador. Às vezes o jogador sente que o espaço dele não está tão grande, que pode ser mais útil em outro time. O que posso prometer para você é ser honesto com todos eles, falar para eles o que a gente pensa. Ninguém vai prejudicar nenhum jogador, pelo contrário.