Cuca

Cuca deu entrevista coletiva nesta terça-feira (Foto: Antônio Cícero/Photo Press/Lancepress!)

Fellipe Lucena
23/04/2019
12:39
São Paulo (SP)

O técnico Cuca revelou nesta terça-feira que chamou Gonzalo Carneiro para uma conversa após saber, antes mesmo do jogador, que ele havia sido pego em um exame antidoping durante a primeira fase do Paulistão. A suspeita é de que o uruguaio tenha feito uso de cocaína e ele está suspenso preventivamente, tendo até esta quarta-feira para decidir se pede a contraprova ou se aceita o resultado inicial e vai a julgamento.

- É um tema muito delicado. A gente não pode fazer qualquer julgamento sem saber de fato o que ocorreu. Eu estava sabendo na semana passada, antes até do próprio jogador. Teve um dia da semana, não me lembro se foi quarta ou quinta, em que estava dando o treino, vi ele passando e disse que queria falar com ele. Fiquei conversando com ele, falamos sobre muitas coisas. Tenho filhas com quase 30 anos, ele tem 23. É um jovem que está em outro país, no primeiro grande clube da vida. Temos que pensar primeiro no ser humano - disse Cuca, que aproveitou para fazer um alerta a outros jogadores:

- Tivemos outros casos, aqui no São Paulo teve um há pouco tempo (Régis teve o contrato rescindido). A vida é propensa a isso para todos os jovens, não só para o Gonzalo ou só para o Régis. Todos, não só do São Paulo Futebol Clube. O jogador tem que tomar cuidado com isso. Podem acontecer mil e uma ofertas à noite, em uma saidinha que dá. Você é um atleta profissional e está propenso a cair em um exame. Não sei o que aconteceu com ele, não entrei nesse mérito com ele. Agora, a gente tem que acolher, ver o que aconteceu e ajudar o jogador nesse momento.


Pablo Bentacur, agente de Gonzalo Carneiro, disse em entrevista a uma rádio uruguaia que o jogador está em "profunda depressão" devido ao longo período que passou sem jogar - ele chegou ao São Paulo com uma pubalgia que já o atrapalhava no Defensor (URU). Cuca diz que Carneiro não tocou nesse assunto na conversa da semana passada, mas contou que sentiu que o jovem está tendo dificuldades de adaptação.

- Eu senti muita insegurança nele em termos de estar em um grande clube e não estar se sentindo totalmente à vontade. São coisas que, às vezes, o jogador não te passa. Ele me falou isso, que poderia estar mais à vontade. Uma coisa puxa a outra. Ele viveu aquele grande momento dele no pênalti que bateu, recuperou a auto-estima, a confiança do torcedor. No outro jogo ele já não foi tão bem, já caiu. Essa insegurança ele passou para mim, uma pena ter falado com ele tão tarde.

- É muito pouco tempo (de trabalho), a gente não tem conhecimento profundo do grupo. Às vezes, mesmo tendo, o jogador se fecha. Eu não sabia disso (depressão). O jogador que vem de fora tem uma dificuldade para se adaptar. Eu joguei na Espanha, treinei na China, é uma dificuldade que se tem. Pode ter ocorrido com ele também.