Ginastas superam barreiras para garantirem vaga na Olimpíada do Rio
Enquanto Diego Hypolito deixou o estigma de 'atleta reserva' na Seleção Brasileira, Sérgio Sasaki superou um ano sem competir para voltar à equipe que disputará os Jogos Rio-2016

Obstáculos estão presentes na carreira de todos os atletas. Porém, para dois da Seleção Brasileira masculina de ginástica artística, eles foram mais do que simples empecilhos na busca pela melhor performance. Diego Hypolito e Sérgio Sasaki, dois dos principais atletas do país, precisaram superar diversos problemas até, enfim, conquistarem uma vaga na Olimpíada do Rio de Janeiro.
O mais experiente dos dois (e da Seleção), Hypolito, de 30 anos, viveu um ciclo olímpico livre de lesões. O problema estava na formatação da equipe. Em busca de uma vaga entre os melhores times na Olimpíada, os coordenadores preferiram deixar o atleta na reserva em algumas das principais competições do calendário, como o Mundial de 2014, em Nanning, na China.
Nessa competição, Diego "aproveitou-se" das lesões do titular (Caio Souza) e do primeiro reserva (Pétrix Barbosa) para atingir sua primeira superação, ao se tornar titular e garantir o bronze no solo. O ginasta, inclusive, acreditou que o mesmo pudesse acontecer na Olimpíada, e duvidou que seu nome seria chamado na convocação.
- Eu, de verdade, achei que não fosse para a Olimpíada dessa vez, porque achei que fosse valer o critério de equipe, e tenho consciência de que não contribuo tanto em todos os aparelhos. Na hora que os treinadores foram convocar a Seleção, estava com a cabeça baixa e ficava pensando: "Fala logo, sei que não estou na lista". E, quando falaram meu nome, tive vontade de gritar e sair correndo - comentou Hypolito, durante um treino em São Bernardo do Campo (SP), nesta quarta-feira.

Já Sasaki, um dos mais completos ginastas da Seleção, teve de conviver com o pior inimigo de qualquer atleta de alto nível: as lesões. Em 2015, passou por uma cirurgia no joelho e, logo na sequência, foi submetido a uma intervenção no ombro. Dessa forma, passou o ano inteiro sem competir.
- Me perguntava todos os dias: "Poxa, será possível? Na minha melhor fase, entre os cinco melhores do mundo...". Hoje, sou um atleta mais forte, não de corpo, mas sei até que ponto minha cabeça pode chegar. Não foi fácil ver os atletas melhorando, me passando, e eu ficar olhando eles treinando, de mãos atadas - disse o jovem de 24 anos, antes de completar:
- Não tinha um pensamento 100% de que estaria na Olimpíada, mas sabia que, se trabalhasse duro e passasse por aquela fase, com meu talento, estaria nos Jogos. Com certeza foi (o ano mais duro da carreira). Mas não vejo isso como algo ruim, tento tirar o máximo de coisas boas. Se eu não tivesse passado por tantas lesões, talvez eu estivesse um pouco acomodado agora. Tudo aconteceu como deveria acontecer.
No Rio de Janeiro, em agosto, Diego Hypolito e Sérgio Sasaki terão mais uma barreira a superar e, talvez, a maior de suas carreiras: subir ao pódio olímpico.

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