Palmeiras COVID-19 coronavírus

Palmeiras teve cinco casos de COVID-19 entre 30 atletas, um após retorno dos treinos presenciais (Agência Palmeiras)

William Correia
04/07/2020
08:00
São Paulo (SP)

A bateria de exames de segunda-feira detectou o primeiro caso de coronavírus no elenco do Palmeiras desde a volta dos treinos presenciais, no último dia 23 - outros dois profissionais que trabalham no centro de treinamento também foram contaminados. Nada, porém, que surpreende. Ao LANCE!, o coordenador científico Daniel Gonçalves explicou que o protocolo tem como objetivo exatamente essa identificação, com programação já pronta para infectados.

- O protocolo do Palmeiras é que o atleta assintomático fica em isolamento, fazendo um treinamento físico monitorado, parecido com o que foi feito até o mês passado, de forma virtual, recebendo um programa de treinamento e até se apresentando em tempo real para um treino remoto. Se apresentar sintomas, reduz ou cessa a carga de trabalho e fica em repouso - contou Daniel Gonçalves, que investiga até possíveis sequelas da COVID-19.

Antes da volta dos trabalhos na Academia de Futebol, ocorreram os primeiros exames para detectar coronavírus no elenco, no Hospital Sírio-Libanês, no último dia 18 - a primeira de seis baterias desde então. Nesses testes iniciais, apareceu um jogador contaminado e afastado dos treinos - voltou na última segunda-feira - e outros três que tiveram a doença, mas já estavam curados e, por isso, liberados. Todos eles, como tem sido comum em atletas no mundo inteiro, sem sintomas. E todos passaram por análise para se ver deficiências.

- Percebemos perda de condicionamento cardiorrespiratório, que pode ter sido proporcionada pela pouca atividade. Mas, dos três, um não teve perda nenhuma, outro teve perda bem pequena e outro, maior. Fizemos uma pesquisa minuciosa, vendo a questão cardiorrespiratória, com exames de sangue, avaliando as funções fisiológica, e não verificamos nenhuma alteração clínica causada pelo vírus - apontou, já vendo evolução em todos os casos.

- Estamos em processo de condicionamento e treinamento, então vamos avaliando treino a treino. Temos percebido progresso, mas é cedo para refazer os testes porque eles são muito sensíveis e, em curto espaço de tempo, não apresentaria modificações significativas - explicou o coordenador científico.

Daniel Gonçalves coordenador científico Palmeiras
Daniel Gonçalves explica o que se adota no clube (Agência Palmeiras)

O clube trabalha sabendo que novos casos podem aparecer, mas o cuidado é para tornar quase nula a chance de a contaminação ocorrer no centro de treinamento. Há um cuidado a ponto de os preparadores de goleiros jogarem álcool em gel nas bolas antes de as chutarem para defesas. Além disso, o elenco vem sendo dividido em grupos, inclusive com horário definido para cada um almoçar, mantendo distância entre si. Fora ações mais comuns em ambientes de trabalho de diversas áreas, como o uso obrigatório da máscara.

- Inevitavelmente, ocorrerão novos casos de infecção, mas vindos de fora. Se o atleta se apresentar infectado, será identificado. Se não for identificado em um primeiro momento, está no início, com a carga viral ainda baixa e, como o contato próximo com outros é só no ambiente externo, o vento faz a gotícula de saliva cair. Por isso, a atividade física ao ar livre tem menos riscos - explicou Daniel Gonçalves.

- Nenhum ramo econômico tem mais segurança sanitária do que clubes de futebol atualmente, porque testamos todos os envolvidos, 100% da população, com uma periodicidade de cerca de 48 horas e com testes de alta confiabilidade, junto com outras medidas, como questionário de sintomas e medição de temperatura corporal. Assim, identificamos o assintomático e reduzimos drasticamente a possibilidade de transmissão - reforçou.

O rígido protocolo de segurança tem, entre outras orientações, a instrução de fazer o trajeto para o treino e de volta para casa sem paradas, questionário sobre sintomas, medição de temperatura corporal e estações individuais de descanso, além de material de higiene e nutrição individualizados e a obrigação do uso de máscara quando não estiverem em atividade.

O clube mantém a estratégia de não revelar os contaminados. Como já faz desde a semana passada, não divulga imagens de todos os jogadores presentes nas atividades na Academia de Futebol, para que não se desconfie de quem está ausente. Os primeiros testes também indicaram que um funcionário do clube, que não faz parte do elenco, teve a COVID-19 antes da reapresentação, mas se recuperou. Agora, outros dois estão afastados.