Coluna Helio Castroneves

Castroneves em ação (Foto: LAT/IMSA)

LANCE!
08/07/2020
08:05
Rio de Janeiro (RJ)

Oi pessoal, tudo bem?

Vou falar uma coisa para vocês.

Sabem quando a gente fica muito tempo sem comer uma coisa, seja uma fruta que só tem na terra da gente ou a comidinha que só a mãe sabe fazer, e quando come parece que nunca saboreou algo tão gostoso na vida?

Pois foi o que aconteceu comigo na sexta-feira e sábado passados, na retomada do IMSA WeatherTech SportsCar Championship. Eu sabia que estava com saudade do meu Acura ARX-05 #7 do Team Penske, mas não imaginava que estava sentindo tanta falta. Deu até emoção ao acelerar novamente aquela maravilha.

E olhem que faltou pouquinho para ser um reencontro completamente vitorioso, pois fiz a pole position, mantive a dianteira na largada e só saí da liderança quando fui aos pits trocar pneus de chuva pelos slicks. É que choveu bastante na manhã da corrida (4 de julho) e a pista estava bem molhada antes da largada. Para não arriscar, largamos com os pneus para pista molhada e voltei em 4º, depois da parada na volta 7.

Com o desenrolar desse meu segundo stint, uma vibração que eu já tinha notado no início começou a ficar mais forte. Deu a impressão de que era alguma coisa na roda ou mesmo de suspensão, mas quando o Ricky Taylor já estava no carro e parou porque não dava mais para guiar, os mecânicos viram que era um problema na transmissão. Infelizmente, não haveria tempo para fazer a troca em tão pouco tempo, já que foi uma prova curta, de 2h40 min.

Os mecânicos da Penske são mágicos. Eles trocam qualquer coisa, em qualquer lugar e sob qualquer condição adversa. Se fosse uma prova de 24 horas, capaz de os caras conseguirem, mas com uma hora e pouquinho para terminar a corrida, não teve como. Então, nossa corrida acabou na volta 43, das 95 da prova.

Foi uma pena o que aconteceu, sem dúvida, mas o importante é que nosso carro estava muito bom e acho que nunca estivemos tão familiarizados com o equipamento como agora. Isso não quer dizer que venceríamos com facilidade, não fosse o problema que tivemos.

Obviamente, além do Juan Pablo Montoya e o Dane Cameron com o outro protótipo Acura, os carros da Mazda voaram na pista de Daytona., Na classificação já foi um sufoco. Para vocês terem uma ideia, minha pole teve apenas 0s032 de diferença para o Mazda #77 e 0s064 para o #55, respectivamente, 2º e 3º no grid. Na corrida houve uma inversão entre eles, com vitória de #55.

Então, essa disputa Acura e Mazda pelo título vai pegar fogo ao longo do campeonato, isso sem falar dos Cadillac, que também são muito competitivos. E por falar nisso, quero enviar um grande abraço e desejo de pronta recuperação para o Felipe Nasr, que já estava em Daytona para pilotar o seu Cadillac #31, mas foi diagnosticado com coronavírus. Ele está bem, mas tem de se manter em quarentena.

Quero deixar aqui meus parabéns para a IMSA, que criou todas as condições para que a prova pudesse acontecer. Desde a entrada no autódromo até a nova disposição do pódio, passando pelos rigorosos controles em todas as demais instalações, foi ótimo poder voltar à pista num ambiente tão seguro como o que tivemos em Daytona.

Não nesse final de semana, mas no outro, vamos correr novamente. Dessa vez será em Sebring, também numa versão curta, pois a prova de 12 horas será mais para o término da temporada. Mas tudo isso contarei com detalhes na semana que vem.

Forte abraço a todos e cuidem-se!

* Helio Castroneves é piloto do Acura Team Penske no IMSA WeatherTech SportsCar Championship e do Chevrolet Team Penske na Indy 500.