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Dez anos após ouro no Pan, Diogo Silva brilha como rapper em SP e critica: 'O Brasil não apoia o esporte'

Medalha de ouro no taekwondo nos Jogos de 2007, ex-atleta apresenta-se no palco SKOL Beats Tower, evento em São Paulo que reúne quatro festas e celebra diferentes estilos

Diogo Silva ao lado de MC Sombra no rap
imagem cameraFOTO: Felipe Panfili/Divulgação
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Lance!
São Paulo (SP) 
Dia 25/08/2017
19:54

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Dez anos se passaram da conquista que mudou a vida de Diogo Silva. O lutador brasileiro medalhista de ouro do Taekwondo nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro (2007) entra no local e logo se acomoda em um canto, concentrado, esperando a sua vez de subir no palco. Desta vez, o quimono dá lugar a um visual mais despojado e a tensão pré-combate já não existe. Nessa exibição não existe adversário, apenas um parceiro. Diogo então pega o microfone e, ao lado do MC Sombra, faz a galera vibrar com as rimas do rap.

A cena aconteceu no SKOL Beats Tower, um evento em São Paulo que reúne no mesmo prédio quatro festas e celebra diferentes estilos musicais. O público dança no ritmo do rapper, mas não reconhece o ex-atleta e seu passado glorioso de conquistas, que elevaram o nome do taekwondo no Brasil em 2007.

- Eu só tinha 25 anos na época e a medalha me deu uma vitrine extremamente importante, as portas se abriram e passei a ter acesso a pessoas e a lugares que contribuíram para a minha formação - lembra Diogo.

Diogo Silva diz que iniciou no esporte incentivado pela mãe, com a esperança de que, assim, o filho pararia de brigar nas ruas. Ele escolheu o taekwondo por causa dos filmes de artes marciais, e o hobby virou profissão.

O lutador foi medalhista de bronze no Mundial Júnior em 1998, na categoria até 68 kg. Em 2003, repetiu a medalha nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, na República Dominicana. Participou da Olimpíada de Atenas, na Grécia, em 2004, antes da sua maior conquista com o ouro no Pan do Rio de Janeiro. Foi classificado para os Jogos de Londres, em 2012, após ser bronze no pré-olímpico e na Terra da Rainha fez boas exibições, mas acabou repetindo o quarto lugar de 2004.

- O Brasil não apoia o esporte. Desde o início, o país escolheu o futebol como entretenimento para as pessoas e as outras modalidades vivem apenas de momentos. Muito se falou sobre fomentar a cultura esportiva com a Olimpíada realizada aqui no ano passado, mas ainda não existe uma política para isso. Enquanto o Ministério do esporte for apenas um cargo para trocas de favores políticos, não conseguiremos nos estruturar. Assim, sempre vamos escutar a história do atleta individual e o seu sofrimento para tentar chegar a algum lugar sem nenhum apoio - dispara.

Entre alegrias e decepções, o esporte também trouxe outra coisa para a vida do ex-atleta. A música entrou na sua vida em meio às concentrações e viagens para competições.

- A música e o esporte não se descolam. Já faz parte da minha vida desde garoto, o atleta treina com muita música. Sempre fui apaixonado pelo rap e passei a ter uma proximidade maior com os ícones do rap nacional e passei a absorver tudo - explica.

Em parceria com MC Sombra, Diogo Silva passou, então, a pensar em compor trilhas de rap para lutadores entrarem para o combate. A ideia se desenvolveu até surgir o coletivo Senzala Hi-Tech, grupo musical formado pelo taekwondista, pelo rapper Sombra, o produtor e músico Minari Groove Box e pelo cartunista e percussionista Junião Lavoura. Fortemente influenciado pela música e pelas artes visuais da África às Américas, o coletivo traz misturas de hip-hop com sonoridades brasileiras.

- Hoje o patamar do rap é outro, temos alguns artistas mainstream e a cena saiu do underground. É muito legal poder se apresentar em um evento desses, com públicos completamente diferentes e dispostos a sair do mesmo beat. Quanto mais os cenários musicais interagirem, mais a cultura enriquece - finaliza Diogo, minutos antes de subir ao palco e realizar uma das exibições mais esperadas da noite.

O dia 24 de agosto de 2017 não reservou medalha para Diogo, mas os aplausos da galera afagam as angústias de quem sofreu tanto para elevar o nome do Brasil no esporte mesmo com a falta de apoio. Resta saber se no novo caminho ele terá o incentivo que faltou quando atleta. 

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