Com recorde de atletas beneficiárias do Bolsa Atleta, Seleção feminina vai em busca de ouro inédito nos jogos de Paris
Elenco brasileiro possui um total de 14 atletas contempladas pelo programa, incluindo a rainha Marta; equipe embarca nesta quarta rumo à França

Concentrada na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), desde o início do mês, a Seleção Brasileira Feminina embarcou para Bordeaux nesta quarta-feira (17). A cidade ao sudoeste da França será a base da equipe durante a disputa dos Jogos Olímpicos de Paris. Para a atual edição dos jogos, o país atingiu uma marca curiosa: o elenco feminino apresentou número recorde de jogadoras que fazem parte do Bolsa Atleta, com 14 das 22 convocadas por Arthur Elias contempladas pelo programa do Ministério do Esporte.
Considerado o maior programa do mundo em patrocínio esportivo individual, o Bolsa Atleta teve investimento recorde previsto para 2024: cerca de R$ 162 milhões. Por meio da iniciativa, o Ministério do Esporte busca garantir que representantes olímpicos e paralímpicos se dediquem exclusivamente aos treinamentos. Criado em 2005, o programa já contemplou mais de 34 mil atletas. Entre os beneficiados está Marta, camisa 10 e principal esperança da seleção na busca pelo ouro inédito.
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— O Bolsa Atleta pode ser um grande aliado para o desenvolvimento do futebol feminino. A modalidade, infelizmente, ainda carece de recursos e investimentos necessários no país. Com o programa, aumenta-se as possibilidades dessas jogadoras darem continuidade aos seus sonhos, fazendo com que mais talentos possam ser descobertos e formados. A longo prazo, isso tende a contribuir para a evolução do esporte no país — afirma Vanessa Pires, CEO e fundadora da Brada, startup que conecta empresas e investidores a projetos de impacto positivo.
Antes de se reunir no Rio de Janeiro, a equipe comandada por Arthur Elias realizou dois amistosos preparatórios contra a Jamaica, e venceu ambos por 4 a 0. Neste ano, o Brasil ainda foi o vice-campeão da Copa Ouro e ficou em terceiro lugar na SheBelievies Cup. Em Paris, o Brasil vai em busca do tão sonhado ouro olímpico. Os melhores resultados da seleção feminina até hoje foram dois vice-campeonatos, conquistados em 2004 e 2008.
— Pouco a pouco, o Brasil tem visto uma evolução no futebol feminino, com maiores investimentos, audiência, consumo e interesse dos torcedores, uma mudança cultural concreta. Os Jogos Olímpicos são mais uma grande chance de fortalecer o progresso da modalidade, que apresenta um enorme potencial de transformação para jovens atletas — comenta Camila Estefano, gerente geral do Em Busca de Uma Estrela, projeto social que oferece a oportunidade para meninas que sonham em atuar profissionalmente.
A Seleção Brasileira estreia nos Jogos Olímpicos no dia 25 de julho, contra a Nigéria, na cidade de Bordeaux. Já no dia 28, as brasileiras enfrentam o Japão, em Paris. Por último, a equipe finaliza a fase de grupos diante da Espanha, no dia 31, também em Bordeaux.

Paris 2024 terá maior participação feminina da história.
Os Jogos Olímpicos de Paris 2024 prometem ficar marcados na história. Isto porque a atual edição tem buscado promover a igualdade inédita no número de esportistas homens e mulheres participantes. A delegação brasileira, por sua vez, também será responsável por quebrar paradigmas: em 2024 o Time Brasil contará com mais atletas mulheres do que homens. Dos 277 atletas classificados, 153 são mulheres e 124 são homens. A presença feminina corresponde a cerca de 55% do total de atletas do país.
— A cada ano, as mulheres têm conquistado mais espaço dentro dos esportes. E é extremamente significativo observar a igualdade de gênero pela primeira vez nos Jogos Olímpicos, um dos eventos esportivos mais relevantes do mundo. Essa conquista representa um grande passo para as esportistas. Com isso, é importante que se forneça condições cada vez melhores, para que essas atletas se desenvolvam e evoluam na busca por medalhas — analisa a Dra Flávia Magalhães, médica e nutricionista, especialista em performance de atletas, e que acumula convocações para a Seleção Brasileira Feminina desde 2015.
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