Pai, descobridor e mestre: Marcão detalha trajetória de Gerson ao L!
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Marcos Antônio da Silva, o Marcão, é um típico sujeito boa praça. Com um vocabulário que inclui expressões próprias e cheias de efeito, como "respira que é de graça" e "no azeite", o sorriso no rosto dele é largo. Porém, acompanhando de um brilho nos olhos, fica ainda maior quando o assunto é o filho Gerson. Ao receber a reportagem do LANCE! em uma casa confortável, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, Marcão abriu o coração e contou mais sobre a trajetória do filho. Ele foi o primeiro a enxergar talento do garoto e chegou a abrir mão até do próprio trabalho para ajudá-lo no sonho de virar jogador de futebol.
– Houve um momento em que ficou difícil para eu conciliar a minha rotina de vigilante e ter de levar o Gerson para treinar. Então, acabei deixando a Receita Federal e comecei a fazer biscate no Ceasa. Saía de casa 2h, trabalhava como carregador, largava 12h e ficava com a tarde livre para acompanhá-lo nos treinos – lembra.
Controlando a emoção, Marcão lembrou ainda as dificuldades financeiras da família e a forma que encontrou para ensinar fundamentos do futebol a Gerson com os recursos que tinha.
– Um dia, quando o Gerson ainda era bem pequeno, vi ele dando um chute em uma garrafa de plástico, com a perna esquerda, e disse para a mãe dele: ''esse menino vai dar caldo''. Mas foi aí que veio o problema. Eu levava ele em escolinhas, mas todas cobravam. E nós não tínhamos dinheiro para pagar. Peguei uma bicicleta velha que eu tinha, fui até uma escolinha e comecei a observar como o professor treinava os garotos. No dia seguinte, comecei a fazer na rua com ele – revela Marcão, que ainda conta que ficou famoso na rua e, posteriormente, acabou sendo convidado para trabalhar em uma escolinha:
– As crianças da rua chegaram, pediram para eu treiná-las também e fiquei com o maior ibope. Depois disso, acabei descobrindo um projeto chamado Futuro Suderj, ele foi para a minha rua, virei um dos instrutores e fui treiná-los no campo. Um tempo depois, fui chamado para trabalhar numa escolinha e foi assim que tudo começou.
Confira a entrevista na íntegra:
Dificuldades financeiras
Não tenho vergonha de falar. Deus me deu quatro filhos, casei cedo, sem ter uma casa, algo que não aconselho, e eu estudei pouco. As oportunidades ficam mais difíceis assim. Mas graças a Deus, hoje as coisas estão diferentes.
Relação com o Fluminense
O Fluminense é muito importante para nossa família. Quando chegamos no clube, morávamos numa casa que quando chovia, molhava tudo, eu não tinha um chinelo, um tênis... E hoje temos vários pares de tênis. Tudo isso graças a oportunidade que o Gerson teve de mostrar o trabalho dele no Fluminense. Primeiro, agradecemos a Deu. Depois, somos muito gratos ao Fluminense. Temos um carinho grande pelo clube e o que der para fazer de bom para eles, faremos com o maior empenho.
Acompanhamento do filho
Nunca larguei meu filho por nada. O Gerson nunca morou em Xerém, mesmo com todas as dificuldades financeiras, eu preferia meu filho ao meu lado. A gente preferia sair na chuva e no sol, dormir no chão, mas voltar para nossa casa.
Gerson no profissional
É uma grande realização. Agradeço muito a Deus. No meio de um milhão de jogadores, Gerson foi contemplado, pois as pessoas achavam que a gente não ia conseguir, porque faltava tudo, faltava dinheiro de passagem... As pessoas achavam que não chegaríamos nem ao Mirim. Não estamos no topo ainda, não podemos nunca ficar acomodados.
Críticas
Falavam que eu iria acabar com a carreira do Gerson, que eu sou dinheirista. Várias vezes me perguntaram quanto o Gerson queria ganhar, mas eu sempre busquei o que é melhor para o meu filho. Temos uma relação ótima e quero o melhor para ele em toda a vida.
Interesse de Barça e Juventus
Já passamos por vários desafios. Se tivermos de passar por outros mais ousados, passaremos. Pulamos muitas fogueiras e se vierem outras, estaremos preparados. Agora, finalizo com um recado para todos: respira que é de graça.
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