Montagem - Pedro, João Pedro, Marcos Paulo e Miguel Silveira

Base do Flu é celeiro de craques (Foto: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C.)

LANCE!
23/06/2019
07:00
Rio de Janeiro (RJ)

Pedro, João Pedro, Marcos Paulo, Miguel Silveira são só alguns dos nomes revelados pela base do Fluminense, nos últimos anos. A metodologia própria de formação de atletas do clube, elaborada por todos os profissionais e pela diretoria de Xerém, deu origem a um documento orientador chamado de "DNA Tricolor". O manual é distribuído aos funcionários do futsal até o Sub-20, passando também pelas escolinhas oficiais (Projeto Guerreirinhos) com o objetivo de que todos fiquem alinhados com a filosofia tricolor. 

Além da metodologia unificada, o Tricolor também conta na base com o CIAM (Centro de Informação e Apoio Metodológico), que reúne profissionais de análise de desempenho, estatísticas, performance de treino e jogos, metodologia, fisiologia e captação, todos integrados com as comissões técnicas.

Em entrevista exclusiva ao Lance!, o Coordenador Metodológico da base do Fluminense, Guilherme Torres explicou que o foco da formação de jovens atletas é o desenvolvimento com ser humano, que incluiu um olhar individualizado sobre cada jogador. Segundo ele, o documento "DNA Tricolor" tem como objetivo fomentar a autonomia e criatividade nos profissionais que trabalham com os atletas em formação. São essas mesmas características que o clube esperar ver dentro de campo, quando dos garotos de Xerém que cheguem ao profissional. 

Confira a entrevista na íntegra:

L!: O que é a metodologia de formação de Xerém? Em que ela é importante na formação dos jogadores?

Nossa metodologia de formação é fundamentada na interação entre nosso propósito, missão, visão e valores. Essa proposta metodológica tem como objetivo gerar uma reflexão sobre que tipo de formação pretendemos oferecer para o futuro do Fluminense, de modo a preservar e desenvolver suas raízes, além de considerar as principais tendências do futebol para o futuro. Acreditamos que desenvolvendo o ser humano em sua integralidade, teremos um melhor jogador de futebol no futuro. Por isso nosso olhar tem sido cada vez mais individualizado na formação dos jovens jogadores.

Como vocês chegaram neste modelo?

O Fluminense tinha uma filosofia própria na base, que já vinha sendo desenvolvida pelo nosso Coordenador Técnico, Marcelo Veiga. Com a criação da coordenação metodológica, em abril de 2017, iniciamos o Programa de Formação Continuada para todos os colaboradores de Xerém. Através de apresentações e debates sobre temas pertinentes à formação de jogadores, construímos nossa metodologia de maneira coletiva, onde todos os envolvidos sejam parte da proposta metodológica. Destas reuniões saiu o nosso Documento Orientador, o DNA Tricolor.

O que é o Documento Orientador DNA Tricolor?

É um livro que serve de referência para nossos colaboradores com as diretrizes do que, como, por que e quem estimular. Funciona como uma referência, já que, se desejamos desenvolver jogadores com autonomia e criatividade, devemos fomentar também essas qualidades em nossos profissionais, principais responsáveis por aplicar a metodologia no campo prático.

O que é o CIAM? E como ele ajuda na formação?

O CIAM é o Centro de Informação e Apoio Metodológico, com a principal função de gerar suporte às comissões técnicas para o planejamento, processo e Controle Metodológico. Atualmente estamos bastante focados na análise de desempenho individual dos jogadores, onde eles têm acesso às informações e ao plano de ação individual, possibilitando assim um maior autoconhecimento de suas virtudes e deficiências. Além disso, temos o controle dos conteúdos estimulados em cada jogador no decorrer do tempo. Todas essas informações possibilitam a interação entre a subjetividade e a objetividade nas avaliações e nas futuras tomadas de decisão sobre cada jogador presente em Xerém. No CIAM temos a integração entre analise de desempenho, comissões técnicas, fisiologia, preparação física, psicologia, etc.

A filosofia de jogo é igual a do Diniz?

Nossa ideia de jogo considera o DNA de jogo do Fluminense, em sua rica história de títulos e revelação de grandes jogadores de futebol, além das principais tendências para o futebol do futuro. Acreditamos que formando um jogador sabendo o que, como e quando realizar determinada ação, este estará mais apto a se adaptar a diferentes modelos ou sistemas de jogo. Atualmente compartilhamos de muitas ideias evidenciadas na nossa equipe principal, porém sempre contextualizando com as características dos nossos jogadores e os objetivos das diferentes fases do desenvolvimento. A base tem uma filosofia e metodologia focada em formação e desenvolvimento dos atletas.


O que Xerém pode ajudar a formação do futebol brasileiro?

O DNA Tricolor representa a maneira do brasileiro jogar na sua essência, com a busca constante pela posse de bola e em atacar o adversário com bastante criatividade, exercida a partir da inteligência para jogar e dos fundamentos de passe, drible e finalização. Com isso desejamos nos tornar uma grande referência na formação dos jogadores brasileiros e consequentemente contribuir efetivamente para o desenvolvimento do futebol no nosso país. Recentemente, a CBF tem reconhecido essa proposta metodológica, através do aumento do número de convocações dos nossos jogadores para as seleções de base e também dos nossos profissionais para suas comissões técnicas.