Jardim explica escalação de Andrew no lugar de Rossi no Flamengo: 'Decidido'
Rubro-Negro bate o Cusco por 3 a 0 no Maracanã, pela Libertadores

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Técnico do Flamengo, Leonardo Jardim analisou a vitória por 3 a 0 do Flamengo sobre o Cusco FC nesta terça-feira (26), no Maracanã, pela sexta rodada do Grupo A da Libertadores. O resultado encaminha ao Rubro-Negro a melhor campanha da fase de grupos. Em entrevista coletiva após a partida, o treinador explicou a decisão de escalar o goleiro Andrew em vez de Rossi.
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— Em relação à utilização do goleiro, já estava decidido antes dos últimos três jogos. Foi algo que decidimos após o jogo contra o Athletico-PR; já tínhamos decidido que quem ia jogar era o Andrew nesta partida. Em relação às mudanças, eu acabei por não fazer muitas mudanças. O seu colega perguntou-me isso no início do jogo: ""Existem muitas mudanças para este jogo?", e eu disse: '"Não, só o Saúl e o Andrew que não estão habituados a jogar esta competição, porque todos os outros jogadores já jogaram duas, três, quatro vezes". A base desta fase de grupos da Libertadores foi mais ou menos estes jogadores que iniciaram, e com certeza com mais dois ou três daqueles que estavam no banco.
Ao analisar a vitória do Flamengo sobre o Cusco, o técnico viu a equipe melhor no segundo tempo, com a entrada de titulares.
— Em primeiro lugar, o futebol é um jogo que a gente joga consoante o adversário. Nós criamos algumas situações na primeira parte, não fomos capazes de finalizar, e com certeza tínhamos alguns jogadores importantes no banco. Na segunda parte, com o adversário diminuindo o ritmo, com mais cansaço, e nós colocando alguns jogadores importantes, conseguimos ter outro impacto no jogo — iniciou o português, que seguiu:
— Numa primeira fase, até à pausa da água, numa estrutura de um avançado, depois da pausa da água, eu troquei para uma estrutura de dois avançados, e jogámos. E aí tivemos ainda mais entrelinhas, mais entre as zonas de finalização, e o adversário já não reagia, o adversário já não passava do meio-campo. Por isso acabamos por ter um domínio, como tivemos também na primeira parte. Tivemos um domínio, mas tivemos uma presença na área muito maior. Que aí tínhamos os laterais, não é, que estavam a subir, tínhamos os pontas, tínhamos a dupla de ataque, o Pedro e o BH, o Gerson a chegar… e aí foi, criámos, mas com mais impacto — continuou Jardim, que concluiu:
— Mas a primeira parte não foi má; na primeira parte nós tivemos o domínio do jogo, nós controlamos, criamos algumas situações em que podíamos ter marcado. Aproveitamos também para dar alguns minutos a alguns jogadores que têm jogado menos, porque vocês sabem o que vai acontecer no sábado, temos… e não queria que eles fossem para o jogo de sábado sem minutagem.
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Jardim celebrou a campanha na Libertadores, que provavelmente fará do Flamengo o primeiro colocado geral na fase de grupos. Somente os argentinos Independiente Rivadavia, no Grupo C, e Rosario Central, no Grupo H, podem igualar a pontuação do Flamengo, mas levam desvantagem no saldo de gols. Ambos entram em campo nesta quarta-feira (27).
— O que eu recebi foi que a melhor campanha foi em 84, porque ganhou o grupo e ficou como melhor em geral, ainda com dois pontos por jogo. A segunda melhor campanha foi em 2022, acabou por ganhar o grupo, mas não ficou em primeiro geral. E, se os adversários não ganharem por quatro ou cinco amanhã, vamos fazer a melhor campanha no grupo e a melhor campanha geral, talvez a melhor campanha da história do clube. Ainda não há a certeza, vamos esperar pelos resultados — disse Jardim.

Outras respostas de Jardim após Flamengo x Cusco
'Sombra' de Jorge Jesus
— Sinceramente, vou ser extremamente honesto… O Jorge é uma pessoa das minhas relações (de amizade). Eu sei que ele vem (ao Maracanã) porque ele me avisou. O convidei para almoçar no Ninho (do Urubu). Não vejo fantasmas no futebol, graças a Deus, porque sei o que acontece quando temos êxito. No Mônaco, o único campeão nos últimos 40 anos fui eu, e lá acontece a mesma situação. Sou uma pessoa muito desligada desse tipo de estresse. No futebol, temos um contrato. Quando a direção quiser mudar, muda. Não há estresse. O futebol é uma coisa tão simples que não vale criar fantasma. Vivo o dia a dia. Existem coisas que vão acontecer. Não é porque eu penso ou deixo de pensar que não vão deixar de acontecer. Não é o Jorge ou qualquer outro treinador do futuro. Com a mesma cara que eu entrei, eu vou sair. Me sinto muito bem, tranquilo. Essa pergunta tem que ser para quem dirige o clube. Dou meu melhor. Tento sempre procurar os melhores êxitos. Já saí de clube tendo bons resultados, já saí porque queria sair, já saí porque tive maus resultados… Foi no Monaco em 2018, e o presidente é um dos meus melhores amigos. Isso é mais da mídia. Pessoalmente, isso não me afeta. Teremos oportunidade de conversar um pouco (ele e Jorge).
Plata
— É um jogador que teve uma adaptação difícil. Depois ele se integrou bem sobre comportamento, atitude e capacidade. Infelizmente, ele teve um problema no joelho que o deixou fora de uma semana e meia. Ele treinou de forma condicionada para enfrentar o Palmeiras. Um jogador que vai para a seleção não quer jogar com dor. Passaram-se três dias e ele se recuperou, então ficou totalmente disponível. Além de ser intenso, tem ótimo espírito de equipe. Tentou ajudar, mesmo indo para a seleção. Não se preocupou em ajudar, mesmo correndo o risco de se lesionar. É uma mudança de atitude que eu admiro muito.
Erros técnicos da equipe
— A gente acabou criando algumas situações, acho que a definição não foi a melhor. Falhamos em alguns passes. Há alguns jogadores fora de ritmo, que vêm de lesões, que ainda têm algum sofrimento. Acredito que tentaram fazer o melhor, estão lá dentro. Não posso nunca dizer que essa equipe não trabalha. A gente pode falhar em termos técnicos, situação de gol, mas suar a camisa e dar o máximo em 90 minutos… Não posso dizer nada. Foi nesse, no anterior, no outro. Dão sempre o seu máximo em prol do clube. Com certeza, às vezes querem fazer, não acertam, esperam um pouco mais e perdem o timing do passe. Pormenores. Na segunda parte, fomos muito melhores.
Flamengo precisa de reforços?
— O Flamengo é uma equipe que, em todos os mercados, busca aumentar o leque dos seus jogadores para melhor. Características que são importantes para jogar no Flamengo: técnica, porque temos o controle do jogo; e saúde física. Sabemos o desgaste do campeonato, sabemos a importância de ter jogadores com intensidade. Sabemos a importância de ter jogadores técnicos, porque temos muito a bola e execuções rápidas, atletas com alguma velocidade. Isso é muito importante.
Jogo contra o Coritiba
— O Coritiba é uma equipe que tem performado bem neste início. Por isso está em cima da tabela. É uma equipe muito bem treinada. Em nossa casa, independentemente de quem jogue, temos que ser superiores. Vamos ver quais jogadores estão disponíveis, não só no papel, mas em termos físicos. De forma a iniciar com a melhor equipe e ter três opções no banco para entrar. Vamos aproveitar a base. Temos ainda seis jogadores do sub-20 que vão começar a treinar com a gente amanhã. De forma a trazê-los para o jogo, para nos dar algumas soluções que não temos devido às convocações e à lesão do Jorginho.
Importância de decidir jogos em casa na Libertadores
— No futebol, a gente olha muito para o resultado final quando interessa. Quando não interessa, não olham, como vocês não olharam agora. A melhor campanha foi em 2022, a outra em 1984. Não é um título, mas sempre que existir uma campanha de grupos (positiva), vai ser lembrada. "A melhor campanha talvez foi de 2026, com este grupo de jogadores". É só isso. Não é um resultado que nos dá um título ou um troféu, mas é sempre um marco de uma campanha estar, se não for a melhor, entre as melhores da história do clube.
Falta de um pivô em campo
— Foi uma correção que fiz na primeira parada técnica. Chamei Nico e Araújo e disse que estavam ocupando o mesmo espaço. Quero os dois entrelinhas, mas um mais no corredor apoiando o Royal e outro no interior apoiando o BH. Senão ficamos só com o BH entre os dois zagueiros. O Nico e o Araújo encostavam muito no Royal, fazíamos uma trinca, mas faltava gente na área. Fizemos essa correção na pausa. Claro que aproveitamos a situação do Pedro nesse trabalho de entrelinhas e aproveitamos depois na segunda pausa com o Pedro e o BH. Um puxando e o outro atacando o espaço. Com o cansaço do adversário, já não pressionava e andava para trás. A estratégia é importante, mas o cansaço de uma equipe em relação a outra é muito importante. Crescemos em termos estratégicos porque achava que o jogo merecia outros, e quando você tem opções no banco para fazer, tudo fica mais fácil. Brinquei com meus auxiliares depois do jogo, com um banco com Pedro, Paquetá e Erick, qualquer um faz substituições.
Repercussão de escolhas contra o Palmeiras
— Em primeiro lugar, com certeza as críticas devem acontecer, porque perder de 3 a 0 é um péssimo resultado. O treinador é totalmente responsável, como eu disse aqui na coletiva. Em segundo lugar, eu não tenho tempo para ver nem críticas, nem elogios. Não tenho tempo (risos). Acaba o jogo, vou para casa dormir, amanhã já tenho que estar na rua fazendo o planejamento, ver quem está disponível ou não, acompanhar o adversário. Não tenho tempo. Às vezes não tenho tempo para estar em casa, quanto mais para ver notícias nas redes sociais. Eu, sinceramente, não tenho tempo. Acho importantes as informações que eu tiro, e tento que o meu staff seja crítico em relação ao que a gente faz. Não acertamos em tudo, e temos que ser críticos mesmo no dia a dia, no que fazemos. Graças a Deus, não tenho esse hábito de deixar que a parte exterior entre na minha casa. Tenho um amigo que conta uma história parecida: não pode ser o meu vizinho a dizer como a minha mulher é. Se eu estou todos os dias com ela, não é o meu vizinho que vai dizer como a minha mulher é, ou como o meu filho é. Se eu estou em casa com eles, eu que tenho que ter o feedback do que é a minha família. No futebol, às vezes a gente dá importância ao que o vizinho fala, e ele não conhece o que acontece. Respeito muito, porque o futebol é uma das paixões que move montanhas. Sei que, quando ganharmos, vamos ser elogiados; quando perdermos, seremos criticados. Não vale a pena pensar de outra forma. Isso acontece no Brasil com uma força muito grande, como acontece na Ásia, na Europa, em Portugal. Em todo lugar é igual.
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