Apresentação Abel

Abel Braga foi apresentado como novo técnico do Flamengo nesta quarta-feira (Foto: Alexandre Vidal/Flamengo)

LANCE!
02/01/2019
16:28
Rio de Janeiro (RJ)

O técnico Abel Braga foi apresentado na tarde desta quarta-feira, no CT Ninho do Urubu, e foi enfático: chega com fome de títulos. Em uma longa entrevista coletiva, o novo treinador rubro-negro abordou diversos temas, como reforços, as situações de Diego e Diego Alves, a chegada de Rodrigo Caio e a passagem anterior pela Gávea, em 2004.

Para Abel, o elenco tem de entender o tamanho do Flamengo para corresponder às expectativas da torcida, que tem comparecido aos estádios para apoiar, algo que chamou a atenção do novo comandante,

- Algumas coisas bem relevantes. Uma está aqui. Você poderia estar pensando que é número de jogadores, plantel... O Flamengo tem maior média de público pagante dos últimos 30 anos. Isso diz muita coisa. Isso está mostrando bem o tamanho, o peso e a grandeza desse clube. E isso é desafio. Desafio, todo mundo gosta. Eu adoro!. Eu venho com fome! É extremamente importante poder dar algo mais ao Flamengo - disse.


O técnico evitou promessas, mas ressaltou que o grupo de jogadores tem de ter identidade com o Rubro-Negro e lembrou que, em 2004, o canto "poeira" tomou conta das arquibancadas e virou quase um grito de incentivo ao time.

Abel Braga
Abel concedeu coletiva no CT do Flamengo (Foto: Alexandre Araújo)

- Não gosto de promessa porque é muito usual. Agora, essa identidade eu conheço. Tem de haver uma identidade maior porque os caras estão indo. Os caras vão. Não é normal todo ano começar com favoritismo grande e depois falhar no momento que tem de dar o salto, tem de vencer. Isso aí que vamos ter de descobrir. Quero que o torcedor saiba que vou tentar identificar e criar algo semelhante do que se acontece na arquibancada e no campo. Em 2004, senti isso. Foi quando foi criada a música "poeira".


Sobre reforços, o treinador disse que o vice-presidente de futebol Marcos Braz não compareceu ao evento por estar em viagem em busca de novos nomes do elenco, sem revelar o local.

- Marcos Braz viajou, foi conversar com alguém. Não se parou de trabalhar nem dia 24, dia 25... Até dia 26 estive com todos eles. Eram seis, sete, oito vezes ao telefone. Queira ou não, tudo é muito difícil. Qualquer coisa, se triplica. Tem de ter um jogo de cintura muito grande, tem de ter inteligência de conjuntura de ver como o clube chegou nesse patamar. Torcedor pode ter certeza que virá jogador. Pode ser questão de dia, hora. Está se trabalhando muito. A gente crê que precisamos de ter um pouco mais de identidade com esse clube e essa camisa. Do lado de fora, o torcedor está tendo. Não é normal um clube que não ia para frente e nem para trás na última rodada do Brasileiro, colocar 60 mil no estádio. Torcida do Flamengo começa a ter mentalidade de clube europeu. Isso foi uma grande demonstração. Somos obrigados a ter uma identidade muito grande com isso. Temos de saber o peso que essa camisa representa - garantiu.

Abel fez ainda elogios à estrutura do Ninho do Urubu, apontando acreditar se melhor, inclusive, que a do Chelsea, da Inglaterra.

- Eu, particularmente, não tinha entrado aqui. Estou maravilhado. Naquela época, usávamos um CT emprestado pelo Zico. É o tal do negócio do clube diferente, do status que alcançou e onde chegou. Nada disso aqui caiu de para-quedas. Foram pessoas que pensaram da maneira correta e obstáculos foram superados. Ainda vou conhecer lá dentro, mas acho que ganha do Chelsea - avisou.

Veja outros tópicos da coletiva:

- Diferença de primeira e segunda passagem pelo Fla:
O Abel de 2004 tinha nove títulos. "Abel, fica tranquilo que a sua carreira deslancha". Ganhamos o Carioca, chegamos à final da Copa do Brasil. Tínhamos três jogadores de nível diferenciado: Felipe, Júlio César e Zinho. Ganhei o décimo título com o Flamengo. De lá, para cá, ganhei mais 14.

- Diego: 
Conversamos sobre muita coisa. Diego tem contrato até o meio do ano e depois fica livre. Já se conversou e estamos tentando chegar a um acordo para prorrogar, houve uma contraproposta. Aí, meu limite termina. Meu limite é dizer se quero ou não. Quanto vai ganhar ou não, estou alheio a isso. Jogador que se identificou com o clube, caráter ímpar, se cuida muito e um dos motivos, e soube através de colegar dele, de o Flamengo ter um bom ambiente, se deve a ele também.

- Dedé: 
Vocês não vão me pegar (risos). Está falando de um jogador... Dedé dispensa comentários. Qualquer treinador que perguntar, terá uma totalidade de "sim". É unanimidade nacional. É bom! A gente sabe que o Flamengo está tentando, está pensando grande.

- Laterais:
Já disse, vocês não vão me pegar (risos). Conversamos sobre tudo. Também houve interesse de outras equipes nos nossos laterias. Nós também pensamos e conversamos sobre isso. Estou feliz. Vou pegar a equipe praticamente montada. Começou lá atrás, passou pelo Barbieri, Dorival... Na minha maneira de ver futebol, talvez, uma coisa ou outra, mas é uma equipe montada. Não queremos pegar o igual. Estamos trabalhando. Acho que de hoje até sexta-feira, pode-se definir muita coisa. Mas também, não precisa muita coisa. Talvez, precise de algo invisível, que não se vê no campo.

- Categoria de base:
Vi os dois FlaxFlu's Sub-17, vi os jogos da Copa RS e Copa São Paulo. Alguns vão com a gente para os Estados Unidos. Lá, vamos montar uma estratégia para todo o ano. Vamos tentar fazer dos jogos uma continuidade de pré-temporada. É meio surreal se apresentar dia 3 e 17 dias depois já jogar. Não se prepara com 17 dias. Primeiro grande jogador que lancei aqui, foi o Ibson e o Henrique, zagueiro. Vieram treinar com o profissional e ficaram. É muito bom trabalhar com esses meninos. Eles têm um DNA diferente, um DNA do clube. Já sabe muito melhor qual o peso dessa camisa.

- Como foi período de 'férias'
Vendo muito jogo. Muito! Mas muito agradecido por ter ficado esse tempo vendo futebol e repousando, mas não sabia que viria para o Flamengo. Valeu a pena.

- Trauco:
Uma das conversas que tivemos, escutei coisas muito boas sobre o Trauco. Sobre capacidade individual, passe, finalização. Inclusive, mencionei, que é um jogador que possa ser usado no meio de campo. Mas se ele quer ia para o San Lorenzo, da minha parte está liberado.

- Priorizar competição?
Quero ganhar o máximo que puder, mas espero sempre priorizar o próximo jogo. Independentemente da equipe que estará em campo. Acho que, estrategicamente, houve um erro esse ano. Talvez, pelo número de jogadores. Não suporta. O termo é esse. Não suporta porque ninguém prepara equipe para 70 jogos em 17 dias. Neste primeiro mês, o torcedor vai ter de entender que, talvez, não vai ter equipe titular. vai ter de rodar.

- Henrique Dourado:
Dourado é um cara diferente, um profissional diferente. Um grande homem, um grande caráter. Meu deu provas, inúmeras vezes, dessas qualidades. E, com certeza, terá a chance de tentar reverter. Ele reverteu uma vez e dei sorte de ter sido comigo. Quando chegou, estava com a responsabilidade de substituir o Fred. O que eu disse é que ele teria cinco oportunidades de provar. No segundo ele foi bem e no terceiro começou a deslanchar. Acabou se tornando uma peça fundamental, tendo demonstrado uma grande liderança. Com atitudes, não com palavras. Ficarei imensamente feliz que ele possa voltar a fazer aquele ano que ele fez. Está no grupo e que possamos contar com aquele Dourado de 2017.

- Diego Alves:
Conversei com o Diego (Alves). não queria me meter, porque não foi algo comigo. Nunca tinha conversado com ele, só pelo telefone. Mas acho que isso foi resolvido, ficou para trás. A princípio, nós todos contamos com ele. Não me aprofundo porque não participei do problema. É um atleta como qualquer outro do Flamengo.

- Rodrigo Caio:
Jogador de Seleção. Não teve um ano bom. A gente precisa aprender um pouquinho. Se especula antes de saber os fatos. Não houve problema médico em relação aos exames com Barcelona. Vem de um clube pesado, também de camisa. Será de uma grande valia para nós. Se vai jogar ou não, outra história. Sei que está vindo muito motivado.

- Maneira de jogar:
Da minha maneira, é 4-3-3. Da maneira moderna, 4-1-4-1. A m..da dá igual (risos). São 10 jogadores de linha e um no gol. Assim que vou jogar aqui, com três atacantes. Em relação a um ou outro jogador, vou tentar fazer com que atuem de forma diferente, Mas não é assim "vou fazer". Vou ver se tenho as peças para fazer.