Vitor

O  caso está no Ministério Público Mineiro e gerou a exclusão da Raposa de um torneio internacional de base -Divulgação/América-MG

Valinor Conteúdo
17/04/2019
19:10
Belo Horizonte

A equipe sub-15 do Cruzeiro foi excluída da Nike Premier Cup, torneio de base patrocinado pela marca esportiva, por uma acusação de aliciamento de um jogador do América-MG. A informação, publicada pelo Uol e confirmada pelo L!.

O motivo da não participação celeste é o jovem atacante Vitor Roque, de 14 anos. O jogador era do Coelho, onde ficou dos 10 aos 13 anos. Ao completar 14 anos, a legislação brasileira permite que haja a assinatura de um contrato com uma entidade esportiva. O Cruzeiro fez uma proposta ao jogador que deixou o América-MG e acertou com a Raposa, no momento em que poderia se vincular como atleta do Coelho. A disputa pelo atleta deixou a esfera esportiva está em litígio judicial entre os rivais mineiros.

A exclusão do torneio aconteceu por uma pressão do Movimento dos Clubes Formadores do Futebol Brasileiro (MCFFB), que avisou à organização do torneio sobre o modo como o Cruzeiro inscreveu Vítor na competição e ao seu elenco de jogadores sub-15.

Se o Cruzeiro não fosse retirado, outros clubes sinalizaram que não participariam da competição. Em entrevista à Rádio 98, o Presidente do MCFFB, Eduardo Freeland, que já passou pela diretoria de base do próprio Cruzeiro e atualmente está no Flamengo, explicou o posicionamento do movimento.

-A gente tentou mediar para que houvesse um acordo e o Cruzeiro entendesse o contexto e fizesse com que o atleta se reapresentasse ao América. O Cruzeiro, enfaticamente, disse que não concordava. Primeiro, disseram que foi oferecido (ao Cruzeiro). Depois, disseram que ele foi lá fazer avaliação. A gente sabe que o nível do atleta, pelo potencial que ele tem, a gente sabe que não foi esse o contexto. Nosso viés não é prejudicar o Cruzeiro, mas a gente entende que essa prática não é adequada. A gente vai continuar sinalizando às competições particulares, como foi a Nike, como vamos ter a 2 de julho, em Salvador, a Salvador Cup, tem a própria Taça BH, que é uma situação um pouco mais delicada, pelo Cruzeiro fazer parte da Federação Mineira (FMF)-disse.

Entenda o caso

O jovem Vitor Hugo, jogou pelo América-MG dos 10 aos 13 anos e quando estava prestes a completar 14 anos, idade mínima permitida para assinar um contrato com entidade esportiva, não se reapresentou no Coelho no dia 4 de fevereiro e, poucos dias depois, no dia 28 do mesmo mês, já treinava no Cruzeiro. O América-MG ficou contrariado com a situação e resolveu denunciar o Cruzeiro por aliciamento de Vítor Hugo.

O atacante, tinha tratamento especial no Coelho e era tratado como uma das joias do clube, principalmente pelo seu desempenho em 2018, quando foi artilheiro do Campeonato Mineiro Sub-14, com oito gols, além da conquista da Cruzeiro Internacional Cup, na categoria sub-15.

O América -MG acionou o Cruzeiro no Ministério Público do Trabalho sobre o suposto assédio do time celeste sobre Vítor Roque, pai do menino. A intenção americana é que o MP possa avaliar o caso e verificar as irregularidades para defender os direitos do Coelho, que investiu na formação do jogador dos 10 aos 14 anos.

- O jogador estava sendo formado desde os 10 anos da idade no clube, fez uma ótima temporada em 2018 e acabou saindo pela porta dos fundos na véspera de completar 14 anos, recusando, sem qualquer justificativa, assinar o contrato com o América. O clube vai buscar a justiça e pedir uma reparação por essa conduta indevida, é o que estamos fazendo, até a última consequência, pois o futebol atual não aceita mais antiética e a imoralidade - disse Paulo Bracks , coordenador das categorias de base do América-MG, em entrevista à Rádio Itatiaia.

Pai do jogador alega pressão do América-MG

O pai do garoto Vítor Hugo, Juvenal Ferreira, diz estar sendo pressionado pelo América-MG e protocolou no Ministério Público da Infância e Juventude, de Belo Horizonte, um documento denunciando uma pressão que a família estaria sofrendo.

por parte do América-MG e também, pela Associação de Gestores de Categoria de Base, cujo presidente é Eduardo Freeland.

No documento, com data de de março, Juvenal cita a pressão do Coelho e de Freeland, que estariam interferindo no gerenciamento da carreira do jogador. O Cruzeiro nega o aliciamento e se posicionou à disposição para esclarecer a situação do caso.