Cruzeiro - Escanteio

Matheus Barbosa faz gol de cabeça contra o Guarani (Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

Sergio Santana
09/07/2021
20:27
Rio de Janeiro (RJ)

O décimo de 38 capítulos. Neste sábado, o Botafogo mede forças com o Cruzeiro pela 11ª rodada da Série B do Brasileirão às 16h30, no Estádio Nilton Santos. A equipe comandada por Marcelo Chamusca está a cinco pontos de distância do G4.

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Em campo, uma das principais qualidades de uma equipe vai bater de frente com uma crônica dificuldade de outra. A maior forma que o Cruzeiro marcou gols nesta Série B foi por meio de jogadas de escanteios, com uma bola aérea forte. O posicionamento defensivo do Alvinegro, contudo, é falho - o time foi vazado em várias maneiras desta forma.

O Cruzeiro tem 13 gols na Série B do Brasileirão. Oito destes nasceram de jogadas de escanteio. Isto significa que 61,5% das bolas na rede da Raposa na competição foram neste estilo. Léo Gomide, repórter das equipes mineiras na "TV Band Minas", explicou este contexto ao LANCE!.

- O escanteio é uma arma bem utilizada pelo Cruzeiro, mas não diria que o time é refém da bola parada. É uma alternativa que o time consegue se estruturar bem de acordo com a marcação do adversário para tirar proveito - analisou.

COMO JOGA
Apesar do expressivo número de gols em escanteios, o Cruzeiro apresenta, até aqui, mais irregularidades do que qualidades. O treinador Mozart, que assumiu a equipe no decorrer da Série B, após a saída de Felipe Conceição, parece ainda não ter encontrado uma escalação ideal.

– O Mozart tem variado muito o time. Tanto em termos de peças quanto na formação tática. Ele já jogou com três zagueiros, mas um deles sendo um volante, um desses zagueiros sendo um lateral... Já jogou no 4-2-3-1, 4-4-2, mas, independentemente da estrutura, o time não muda muito para atacar ou defender - admitiu o jornalista.

A ideia do Cruzeiro é iniciar a criação de jogadas por meio da bola no chão. O time, porém, ainda não conseguiu colocar a ideia em prática: a Raposa, por vezes, fica 'presa' na tentativa de saída curta por conta da falta de quebra de linhas e de jogadores saindo das posições originais. Léo Gomide explica.

- Mozart gosta de um jogo construído desde trás, mas vem tendo dificuldade. Nessa saída de construção curta, geralmente faz uma saída de três com dois zagueiros e o lateral-direito. Ele tem aberto nos lados o ponta-direita e o lateral-esquerdo, e dois meio-campistas por dentro. A maioria dos adversários marca no 4-2-3-1 ou 4-4-2, então ele sempre tem superioridade numérica nessa saída. Mas os zagueiros não conseguem avançar com a bola e então tocar no espaço livre. Então os três jogadores acabam tocando a bola de um lado para o outro. Ele ataca com praticamente sete jogadores contra dez do adversário. Há muita dificuldade na construção - analisou.

O Cruzeiro tem a pior defesa da Série B: são 16 gols sofridos em dez partidas disputadas - 1,6 gol levado por jogo. Muito disto se dá porque a equipe fica bagunçada com facilidade ao tentar roubar a bola do adversário e isto acaba gerando um efeito contrário.

– O time tem muita lateralidade. Ele gosta que o meia não fique presos aos lados, sempre balance para onde está a bola. A fragilidade são os encaixes, quando o time adversário troca passes curtos a marcação sempre fica desencaixada e acha um jogador livre. Isso acontece desde os zagueiros, quando um defensor arrasta a bola acaba gerando um espaço entrelinhas, com alguém no meio - completou.