Rodrigo Lasmar, médico da Seleção Brasileira

Rodrigo Lasmar  comentou sobre como o Galo irá lidar com a Covid-19 no clube-(Foto: Divulgação)

Valinor Conteúdo
27/11/2020
18:09
Belo Horizonte

O Atlético-MG tem novos procedimentos para lidar com a Covid-19 no clube, após um surto que afetou vários profissionais da equipe, incluindo jogadores e toda a comissão técnica atleticana. O diretor médico do Atlético, Rodrigo Lasmar, e o cardiologista e médico do esporte Haroldo Christo Aleixo participaram do comentaram o protocolo para a o retorno dos atletas e membros da comissão técnica que estavam em isolamento após testar positivo para o coronavírus.

- Tivemos o primeiro grupo retornando. O trabalho está sendo feito respeitando, claro, o tempo de inatividade de todos, vamos lembrar que ficaram dez dias em casa, isolados. Então, está sendo feita uma bateria de exames antes da liberação do atleta. Continuamos recomendando as medidas de uso de máscara e uso de álcool em gel porque muita coisa a gente ainda não sabe sobre essa doença. Então, existe aí dúvidas sobre a possibilidade de uma reinfecção, isso ainda é um pouco controverso, mas, de qualquer maneira, enfatizamos todas essas medidas protetivas, como máscaras, álcool gel e distanciamento, para evitar que tenhamos novos casos- comentou Rodrigo Lasmar, que falou sobre a mudança de protocolo em relação ao início da pandemia.

-No primeiro momento, quando tivemos o primeiro caso e único até então, que foi o Cazares, naquela ocasião, o protocolo orientava que, para o atleta poder voltar às suas atividades, ele precisava testar negativo. Então, ele repetia o teste, o PCR, testava negativo e, em muitos casos, a gente esperava até alguns dias para testar novamente e ter certeza que ele estava negativo e, só depois, o atleta era liberado. Isso mudou, essa determinação, que não é só da CBF, é do CDC, Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, e da própria Organização Mundial da Saúde, eles não recomendam mais que seja repetido o teste após esse prazo de dez dias. Isso porque esse teste pode continuar positivo por muito tempo, mas isso não significa que aquela pessoa continua transmitindo o vírus. Esse teste pode continuar positivo porque existem, às vezes, restos, fragmentos do vírus, que podem fazer com que aquele teste, que tem uma sensibilidade maior, mostre que ainda existe a positividade, mas, na verdade, aquele vírus não é mais ativo e aquela pessoa não está mais em uma fase de contágio, não está passando a doença. Então, hoje, a recomendação para retornar às atividades, seguindo o protocolo, é, para aqueles que não tiveram sintoma, são dez dias de isolamento, então, no 11ª dia, o indivíduo, no caso o nosso atleta, está liberado para voltar. Naqueles casos sintomáticos, eles precisam de no mínimo dez dias e um prazo depois, que estejam sem nenhum sintoma, de, pelo menos, 24 ou 48 horas, dependendo dos sintomas, para que só depois disso eles possam voltar às atividades- completou.

Os cuidados durante o período de isolamento e também nesse momento de volta às atividades foram detalhados pelo médico Haroldo Christo Aleixo.

-Acompanhamos os atletas e a comissão técnica à distância, obtendo informações deles e orientando quanto às medicações e cuidados com os familiares, exames com familiares também. Isso foi feito durante todo esse tempo. Agora, vencido esse prazo de dez dias e tendo observado que todos evoluíram bem, estamos retomando as atividades eles aqui. Chegando aqui, eles foram reavaliados e, após a avaliação, considerados aptos, e retornaram de fato ao trabalho. Isso tem sido feito com todos. Esse monitoramento de todos é feito diariamente, até mais de uma vez por dia. Paralelamente, a gente vem tomando os cuidados aqui dentro. No início, fizemos exames com mais frequência, chegamos a fazer retestagens com 24 horas de intervalo, até a gente observar uma melhora, uma normalização do número de casos. A partir daí, a gente está voltando à nossa normalidade, que é uma normalidade já muito exigente em relação aos cuidados de proteção, aos cuidados preventivos determinados pelos órgãos de saúde pública- disse.


-Primeiro, a gente tentou entender o contexto de cada um, com seus respectivos familiares, alguns com crianças novas ou pessoas mais velhas. Procuramos orientá-los e, em alguns casos, foi necessário testar os familiares, para que eles pudessem diagnosticar ou afastar esses casos, e seguimos com orientações em relação às medicações e isso era feito de forma individual, caso a caso. Não há uma determinação única que se use para todos os indivíduos que a gente possa seguir- acrescentou.

Haroldo Christo Aleixo concluiu ressaltando que o clube vem tomando todos os cuidados para que os atletas regressem ao trabalho com total segurança e da melhor maneira.

-Em relação aos testes de retorno dos atletas, a gente tem se preocupado que eles voltem com uma plena condição de saúde, que não estejam com nenhum sinal de doença em atividade, sinal inflamatório em atividade. Então, todos eles passam por avaliações com exame de sangue, para identificar marcadores inflamatórios, teste de esforço na esteira e, também, exame de imagem, que é o ecocardiograma. Exames adicionais podem ser solicitados caso a caso. A partir disso, estando tudo normal, ele é considerado apto a retornar.