icons.title signature.placeholder Carlos Alberto Vieira
06/12/2013
10:11

Na Copa de 2006, na Alemanha, Zidane foi um cara de pouco papo. Ou melhor, de nenhum papo. Passou a campanha inteira sem falar com a imprensa, ávida por algumas frases do maior jogador francês de todos os tempos justamente durante a competição na qual ele encerraria a carreira – por opção, pois ainda jogava muito.  Zizou chegou na final com o status de melhor jogador do torneio e  foi o protagonista tanto para o bem (um gol de pênalti, à Panenka) como para o mal  (expulso após revidar com uma cabeçada, uma provocação de Materazzi). No fim das contas,  amargou o vice-campeonato e viu a Itália ganhar o título, levantado pelo Cannavaro, que acabou sendo considerado o melhor jogador do mundo daquele ano.

Nesta quinta-feira, véspera do sorteio da Copa-2014, Zidane e Cannavaro voltaram a se encontrar. Participaram da entrevista coletiva dos jogadores de seleções campeãs do mundo que vão manejar as bolinhas.  Além deles estavam Ghiggia (Uruguai), Hurst (Inglaterra), Matthaus (Alemanha), Hierro (Espanha),  Kempes (Argentina) e Cafu.

Quando o sexteto foi entrando para tomar as suas posições, os convidados  da cerimônia anterior  ainda posavam para fotos: Zagallo, Ronaldo, Bebeto, Carlos Alberto Torres e Amarildo,  que representavam os cinco campeonatos mundiais do Brasil. Foi histórico ver naquela confusão de astros num palco, a reverência à Ghiggia,  que abraçou Zagallo. Cannavaro, vestido com a típica elegância italiana, corte de roupa perfeito, cabelo penteado milimetricamente, acenou para os jornalistas, apertou a mão de  todos, distribuiu sorrisos. Parecia um artista hollywoodiano. Lá trás, o último era Zidane. Todo deslocado, soltando um risinho de canto de boca, estava ali por obrigação. Bem à francesa ele se posicionou no cantinho, queria passar despercebido. Com a sua camisa preta de malha, careca reluzente e um físico de quem ainda é jogador profissional.

Só que Zidane é Zidane. A organização o colocou no meio da mesa (“logo aqui, logo eu”, deve ter pensado). E na hora das perguntas, entre uma e outra para os demais convidados,  todos queriam uma declaração do astro mais escorregadio do mundo da bola. “Torce para a França pegar um grupo forte ou fraco?”,  “Já ouviu falar do Bom Senso FC?” “Como se vê sendo o carrasco do Brasil?” “Qual a sua maior alegria na Copa?” “Você nasceu na Argélia, como vê a esta seleção?” “Como seu trabalho no staff do Real e com o Cristiano Ronaldo?” e várias outras. Cannavaro respondeu a  três perguntas e olhe lá.

Fim de entrevista e Zidane...sumiu! Bem ao seu estilo. Negou-se a dar qualquer declaração, exceto para  a TV Globoe só por causa de um contrato acordado com a Adidas, marca que até hoje o tem como garoto propaganda.  Já Cannavaro tratou de mostrar a sua velha estratégia de bom de marketing. Atendeu a imprensa na saída do palco. Depois voltou a ser entrevistado na sala na qual ficam os fotógrafos, para susto de alguns, e respondeu a tudo, soltando um risinho sobre uma possivel volta à Juventus para integrar o comando técnico.

- Quem sabe, após o encerramento do meu contrato com o  Al Ahly dos Emirados Árabes, disse

Cannavaro não perde o seu estilo de marqueteiro, de um cara que sabe explorar  muito bem a simpatia e ganhar um espaço que algumas vezes é deixado de mão beijada por Zidane, um ícone que parece não gostar nem um pouco da fama e dos holofotes.