icons.title signature.placeholder Caio Carrieri e Fellipe Lucena
08/03/2014
09:23

Se um grande time começa por um grande goleiro, o Palmeiras está no caminho certo. Os números apontam que o melhor jogador da posição no Campeonato Paulista é Fernando Prass, que tem feito dupla de sucesso com Fernando Miranda, "novo" encarregado de preparar os arqueiros do time.

O profissional é responsável indireto pelas 47 defesas do capitão em 12 partidas na competição estadual - muitas espetaculares, como na vitória por 1 a 0 sobre a Portuguesa. Cléber, do Rio Claro, fez uma intervenção a mais, mas buscou a bola nas redes mais vezes (18 a 8) - o Palmeiras tem a melhor defesa do torneio.

Miranda é dois anos mais jovem que Fernando Prass (33 a 35), mas não menos experiente: em exatas duas décadas de Palmeiras, já foi goleiro, auxiliar-técnico e observador, além da função atual, que ocupa pela terceira vez após a saída de Palha para trabalhar ao lado de Cuca no Shandong (CHN), na virada do ano.

- Talvez na Série B o Prass tenha sido um pouco menos exigido. Nesse ano, pela pequena pré-temporada dos grandes, os pequenos estão dando sufoco e ele trabalhou. Mas não foi surpresa. É um goleiro focado, tem qualidade, e isso é só o começo de uma boa temporada dele - disse Fernando Miranda, ao LANCE!Net.

A análise faz sentido: na Segundona, sob o comando de Palha, o goleiro do Palmeiras fez 88 defesas em 29 jogos. Média de três por partida, enquanto a de agora é de 3,9.

Depois de todos os jogos, os dois se reúnem com Bruno, Fábio e Vinícius, os demais goleiros do grupo, e discutem erros e acertos. A prática é a mesma que Fernando Miranda adotava com o ídolo Marcos, de quem foi reserva por vários anos antes de virar "superior" como preparador. Hoje, os dois são amigos e sócios em uma clínica de fisioterapia.

- Por ser formado em educação física, o Fernando tem o conhecimento. Antigamente o pessoal não tinha essa formação e fazia os trabalhos no achômetro - elogiou o camisa 25.

Fernando Miranda treina Prass até debaixo d'água: goleiro jogou todas do ano e está confirmado para domingo (Foto: Ari Ferreira)

Fernando & Marcos

Companheiros
Miranda tornou-se goleiro profissional do Verdão em 1997, com Felipão. Dois anos depois, integrou o grupo campeão da Libertadores. A carreira terminou em 2005, com só um jogo.

Preparador
Formado em educação física, Fernando foi preparador na base e esteve duas fases na função entre os profissionais. Virou “chefe” do Santo.

Sociedade
A dupla, que já dividiu apartamento, agora tem uma clínica de fisioterapia esportiva na capital paulista.


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Confira um bate-bola exclusivo com Fernando Miranda:

LANCE!Net: O que mudou na preparação de goleiros do clube com a saída do Palha e sua troca de função?
Fernando Miranda: Cada um tem sua particularidade, mas seguimos a mesma linha de conduta. Estamos mesclando os novos talentos com essa experiência do Fernando Prass, que tem sido muito importante para o grupo.

As únicas falhas do Prass no ano foram em lances de cruzamento. Há treinos específicos desta jogada?
Não foram lances parecidos. O goleiro fica muito em evidência, mas não foram erros tão grandes quanto as pessoas de fora imaginam. E todo lance a gente analisa após os jogos, não só aqueles possíveis erros, mas também os acertos. Porque o acerto teve um motivo.

O Prass tem o costume de apontar falhas que não foram notadas?
A maior virtude dele é ser muito centrado. Não adianta colocar nada para baixo do tapete. Às vezes tem erros que, para vocês, passam desapercebidos. Conversamos, ele é sempre o primeiro a tocar no assunto.

Antes do Prass, você trabalhou como preparador do Marcos após ser reserva dele. Como foi?
Não é simples. Mas o goleiro vencedor sabe diferenciar, sabe que qualquer brincadeirinha a mais vai influenciar no trabalho.

O que você vinha fazendo como observador técnico, sua função até o fim do ano passado?
O Palmeiras queria contratar algum jogador e eu ia ver a qualidade dele, analisava os adversários... Aprovei e vetei muitos atletas.


Confira um bate-bola com Fernando Prass:

LANCE!Net: O que está achando do trabalho do Fernando Miranda?
Fernando Prass: Em Portugal, um treinador falava: “por que vou dar o mesmo treino para os quatro goleiros, sendo que cada um tem uma característica?”. O treinador tem de ter essa percepção. O Fernando Miranda tem isso. Além de experiência de campo, tem formação acadêmica.

Ele tem participação na sua boa fase neste início de temporada?
Como ele jogou, entende o que nós passamos. Somos muito próximos na idade, acho que ele é até dois anos mais novo (risos). Ele não fala muito comigo em termos de posicionamento, mas observa demais e dá alguns toques. Dentro do campo você não tem muita noção. Quem está fora pode se atentar mais a esses detalhes. Ele é fundamental.

Como você está se sentindo fisicamente aos 35 anos de idade?
Quando cheguei, questionaram muito a diretoria anterior por ter contratado um goleiro com a minha idade por três anos. Mas as coisas estão mudando. Ninguém faz mais loucuras, o goleiro não fica todo detonado aos 30 e poucos anos, com problema no ombro, no joelho. Hoje em dia, é um treinamento muito mais estudado. É difícil ver um goleiro parar antes dos 40 anos.

Você teve bons momentos no Vasco. Essa é a melhor fase?
Fica difícil falar se é o melhor momento da carreira. Sempre fiquei marcado pela regularidade. No Palmeiras, estou junto com a equipe, que está em um momento bom.