icons.title signature.placeholder Raphael Martins
01/11/2013
08:20

O Barcelona faz nesta sexta-feira no Camp Nou, contra o Espanyol, o seu terceiro jogo em um espaço de três dias. Entre eles um descanso de apenas dois dias. Realidade idêntica para todos os clubes espanhóis que têm o seu calendário ocupado também por competições nacionais e continentais.

Como ocorre no Brasil, reflexos de um calendário estrangulado por conta da Copa das Confederações e a próxima Copa do Mundo. Desde o último dia 19 até o próximo dia 10 de novembro todas as datas estão ocupadas, contabilizando 23 dias consecutivos de futebol. Como amenizar os efeitos do desgaste físico?

O goleiro do Valencia, Diego Alves, contou que a solução encontrada pelos treinadores é fazer a rotação do elenco.

– Não há uma preparação física específica, o que há é o rodízio de jogadores. O próprio Barcelona, por exemplo, poupou o Neymar na quarta-feira. Isso é uma situação comum por aqui – explicou o jogador em entrevista ao LANCE!Net

Mesmo assim, há quem reclame do curto espaço de tempo entre uma partida e outra. Um deles é o treinador do Atlético de Madrid, o argentino Diego Simeone.

– Isso afeta o nosso trabalho. Não é uma desculpa, é uma realidade. Tivemos de jogar contra o Real Madrid em uma semana onde fizemos três jogos – havia se queixado o argentino no último mês.

Outra realidade inusitada na Espanha são os jogos ao meio-dia de domingo, e às 23h de sábado. Tudo para atender ao mercado asiático. Noentanto, esta política pode estar com os dias contados.

– Os jogos ao meio-dia, por exemplo, competem com esportes mais populares na Ásia, como badminton e tênis de mesa. O ideal é passá-los para 16h – explicou Javier Tebas, presidente da Liga Espanhola.

Clubes jogam mais no Brasil

O calendário espanhol consegue ser ainda menos exigente do que o brasileiro quanto ao número de partidas. Barcelona e Real Madrid podem fazer um máximo de 62 partidas durante uma temporada, isso se as equipes alcançarem a final da Liga dos Campeões e da Copa do Rei.

Este número é o mesmo que o Atlético-MG já fez até o momento. O Galo poderá chegar a 71 partidas, pois tem a fazer sete jogos pelo Campeonato Brasileiro, além de ir disputar o Mundial de Clubes no Marrocos, em dezembro. 

Diego Alves
Goleiro do Valencia (ESP), em entrevista ao LANCE!Net

Os treinadores não sentem problemas de falta de entrosamento com tantas mudanças?

Não, porque conseguimos fazer uma pré-temporada. Os jogadores assimilam facilmente a filosofia de trabalho de um técnico, então, quando sai um jogador, automaticamente o time não perde o seu rendimento.

Outro fato que chama a atenção são os jogos em horários como meio-dia, aos domingos, e 23h, aos sábados. É ruim jogar nesses horários?

Os jogos ao meio-dia só são disputados quando termina o verão. No inverno é até uma hora boa de se jogar. Já às 23h é bem complicado para o torcedor, principalmente aquele que quer levar os filhos pequenos ao estádio. Para o jogador não há diferença.

Muitas viagens atrapalham?

Quando se joga apenas dentro do país não, porque os traslados são curtos. Porém, há problemas quando saímos para jogar em lugares distantes, como a Rússia.