Bruno Grossi
27/08/2016
12:54
São Paulo (SP)

A manhã do São Paulo foi tensa neste sábado. Por volta das 10h, cerca de 500 torcedores, segundo números divulgados por um sargento da Polícia Militar, invadiram o CT da Barra Funda para protestar contra a diretoria e o time, que venceu dois dos últimos dez jogos no ano. A manifestação que começou pacífica, porém, registrou agressões a Michel Bastos, Wesley e Carlinhos. O Tricolor alega que contou com mais de mil participantes.

O protesto começou no portão principal do CT, apenas com cantos contra dirigentes e atletas. Até que, por volta das 11h, um grupo mais exaltado, formado basicamente por membros da Torcida Independente, conseguiu invadir o local, rompendo corrente feita por 30 seguranças particulares do clube e forçando o portão automático, que ficou danificado.

"Em razão de possíveis protestos marcados pela Torcida Organizada Independente e outros torcedores, vimos por meio desta solicitar o imprescindível apoio da Polícia Militar - Choque para evitar ocorrências de ordem pública" - trecho de e-mail enviado pelo São Paulo à Polícia Militar

O São Paulo já havia pedido, na noite desta sexta-feira, reforço policial para o protesto e teve a solicitação respondida e registrada pelo 2º Batalhão de Polícia de Choque. No momento da invasão, entretanto, apenas quatro viaturas estavam no CT. Depois, o número subiu para 12, sendo somente três do lado de dentro. O Tricolor afirma ainda que a torcida saiu por espontânea vontade, sem que os policiais tenham agido para removê-los.

Do lado de fora, a PM nega qualquer ocorrência, mas a equipe do canal ESPN por pouco não teve os equipamentos roubados. Torcedores organizados tinham ônibus à disposição para voltar a suas sedes e ainda utilizaram ônibus de linha, que continuavam circulando na Avenida Marquês de São Vicente mesmo com o bloqueio da CET. Os grupos entravam nos veículos dando socos na lataria e nas janelas e hostilizando os seguranças do vizinho Palmeiras.

Além da Independente, a organizada Dragões da Real e torcedores comuns também participaram da invasão. Alguns jogadores foram conversar com a torcida, que poupou e demonstrou apoio a eles e ao técnico Ricardo Gomes. O volante Hudson foi outro respeitado e que dialogou com os invasores, que agrediram Michel Bastos, Wesley e Carlinhos, que discutiu com a torcida na derrota para o Juventude, na última quarta, pela Copa do Brasil. 

O São Paulo ainda registrou o roubo de 14 bolas, dez camisas de treino, um galão de água e cinco garrafas, ambos da patrocinadora Gatorade. Só um torcedor foi preso em flagrante, justamente por furtar uma das bolas. O Tricolor promete ajudar nas investigações para punir os torcedores que cometeram as agressões e os roubos.

Confira nota oficial do São Paulo sobre a invasão:

"O São Paulo FC, clube aberto e democrático, que jamais repeliu manifestações espontâneas e autênticas, repudia veementemente a invasão ocorrida nesta manhã no CT da Barra Funda, por parte de uma minoria de integrantes de torcidas organizadas, usada como massa de manobra de pessoas interessadas em desestabilizar o Clube.

Tratou-se de ação premeditada, que incluiu, nos dias anteriores, uma série de ameaças anônimas e de incitação à violência.

O São Paulo FC não vai se intimidar e condena, com veemência, toda e qualquer ação violenta, que não representa e reflete o sentimento de milhões de nossos torcedores.

O São Paulo FC já fez todos os contatos e tomou as devidas providências com as autoridades competentes, visando ao pleno esclarecimento e reparação dos danos que a referida ação causou. Isso inclui a devida investigação contra os financiadores e apoiadores do ato, infelizmente fomentado por figuras que recentemente participaram de festejo com uma das torcidas presentes."