Estádio do Manchester United com a fachada "Frontline Heroes"

United agradeceu os médicos que estiveram na linha de frente contra Covid-19 (Divulgação / Manchester United)

Vinícius Faustini
18/12/2021
07:55
Rio de Janeiro (RJ)

O temor pela escalada da Covid-19 voltou a atormentar o esporte. O surgimento de variantes do vírus como a Ômicron já afetou a rotina de ligas de futebol na Europa e em competições esportivas nos Estados Unidos.

ESCALADA NA INGLATERRA CHEGA À PREMIER LEAGUE

Old Trafford - Manchester United
Manchester United foi um dos times que passaram por surto de Covid-19 (Foto: Lindsey Parnaby / AFP)

O Campeonato Inglês é que vem sofrendo as sequelas da Covid-19. Os elencos do Brentford, Watford, Norwich, Manchester United, Tottenham, Leicester e Liverpool registram surtos do novo coronavírus (veja aqui os detalhes sobre o que está ocorrendo na Premier League). Desde a semana passada, foram suspensas nove partidas (a maioria entre as rodadas 16 e 18), o que deixou um mistério sobre a competição.

>>>> Veja a tabela do Campeonato Inglês

Houve situações complicadas, como em torno da partida do Brentford com o United. Previsto para ocorrer na terça-feira passada, o duelo foi adiado porque os Diabos Vermelhos não teriam um número suficiente de jogadores para irem a campo

Jornalista com trabalhos em publicações como World Soccer e Kicker, Keir Radnedge destacou que não há uma decisão clara sobre o tema.

- Os clubes da Premier League se reunirão na segunda-feira (20). Alguns clubes querem uma breve paralisação para retomar a rodada no "Boxing Day" (26 de dezembro). Outros querem volta em janeiro. As opiniões são muito divididas ainda - disse ao LANCE!.

De acordo com o "The Guardian", 81% dos jogadores receberam ao menos uma dose da vacina contra Covid-19. Já entre atletas na terceira e na quarta divisão, 59% receberam as duas doses dos imunizantes, enquanto 25% não demonstram interesse em receber a vacina.

Nestas divisões, está prevista a abertura de protocolo vermelho para as equipes, com ampliação das medidas de prevenção em seus treinamentos e nas logísticas de partidas.

A Inglaterra teve seu terceiro dia consecutivo de recorde de escalada da Covid-19: foram 93.045 novos casos diagnosticados e houve 111 mortes nas últimas 24 horas. Líder da autoridade médica da Inglaterra, Chris Whitty, alerta para os dados elevados da emergência sanitária e pede restrição nas interações sociais.

PARTIDA SEM PÚBLICO NA ALEMANHA

Bayern de Munique X Barcelona
Bayern de Munique e Barcelona foi realizado sem presença de torcedores (Foto: Christof STACHE / AFP)

A rotina do futebol alemão também mudou devido ao surto da Covid-19. A Bundesliga limitou a venda de ingressos a 15 mil torcedores a cada partida.

Na Baviera (estado que tem entre seus municípios Munique e Augsburg), as medidas foi mais rigorosa e afetaram inclusive a rotina de alguns jogadores. Cinco atletas do Gigante da Baviera tinham se recusado a receber imunizantes e tiveram de permanecer em Munique. 

Um dos "resistentes", Kimmich contraiu o vírus. Depois de ter como consequência problemas pulmonares, aceitou receber a vacina.

Como a região lida com um aumento nos casos, o premiê Markus Söder definiu que o Bayern de Munique e o Augsburg jogarão sem público. 

O Bayern goleou o Barcelona por 3 a 0, pela Champions League, sem a presença de torcedores.

Segundo o Instituto Robert Koch (IRK), houve 50 mil novos casos nas últimas 24 horas. O ministro da Saúde, Karl Lauterbach, considera "inevitável" a chegada de um período difícil. O índice de pessoas vacinadas no país chegou a 70% da população.

CASO SURREAL EM PORTUGAL

Belenenses x Benfica
Belenenses, repleto de desfalques em partida que durou 48 minutos (PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP

A Covid-19 rendeu um episódio atípico no Campeonato Português. O Belenenses teve 13 infectados. Diante do surto, a equipe teve apenas nove jogadores à sua disposição para atuarem diante do Benfica.

Com dois goleiros (um deles improvisado na linha), o time foi atropelado por 7 a 0 para o Benfica, em partida que encerrou aos 48 minutos. Dois jogadores tinham saído no intervalo e um se queixou de lesão.

NBA E NFL TAMBÉM SÃO AFETADOS PELO VÍRUS

Chicago Bulls
Bulls não puderam jogar na NBA devido à série de baixas (Brian Babineau / AFP

Nos Estados Unidos, o temor também paira em outros esportes. A NBA já sofre com a elevação de casos de Covid-19. Após a descoberta de variantes como a Ômicron, os protocolos voltaram a ser mais minuciosos.

- A NBA tem feito ações. A liga, junto com os sindicatos de jogadores tomaram a decisão que voltarão a fazer testes regularmente nos atletas, na comissão técnica e em todos ligados aos times. Como as taxas estavam reduzidas, a testagem acontecia apenas em quem estava com sintomas de Covid-19 - detalhou Fábio Malavazzi, comentarista do NBA League Pass.

A competição teve seu primeiro caso registrado da variante Ômicron. Além disto, o Chicago Bulls teve dois jogos adiados devido a um surto do novo coronavírus. Há 37 atletas ausentes segundo o protocolo da competição. O caso mais simbólico é o do Chicago Bulls, que teve dez atletas de quarentena.

Já a NFL, de futebol americano, registrou na segunda-feira passada 37 infectados pela Covid-19. Um dos infectados tem o caso da nova cepa.

Já na NHL (competição de hóquei no gelo realizada com times dos Estados Unidos e do Canadá) passou por um novo baque: o Calgary Flames teve três jogos adiados pois 16 jogadores contraíram o vírus. O Boston Bruins, o New York Islanders, o Colorado Avalanche, o Carolina Hurricanes e o Florida Panthers também foram afetados pela Covid-19.

GRITO DE ALERTA DIANTE DOS RISCOS DA ÔMICRON

Vacinação nos Estados Unidos
Infectologista fala sobre necessidade de uma dose de reforço (AFP

A maneira como a cepa vem se alastrando é vista como um desafio no combate ao Covid-19. Infectologista do Instituto Emílio Ribas, Jamal Suleiman aponta um contraste na forma como os países têm feito as campanhas de vacinação.

- Quanto menos gente estiver vacinado, o risco de transmissão fica maior. Vemos até mesmo na Europa um desequilíbrio muito grande, principalmente no Leste Europeu - destacou.

Suleiman detalhou algumas características da cepa Ômicron.

- Trata-se de uma variante com alta transmissibilidade. Embora inicialmente não mostre uma gravidade no seu efeito, traz impactos negativos de serviços de saúde, pois aumenta a ocupação de leitos - disse.

O infectologista alertou em relação às campanhas de vacinação.

- Após no máximo seis meses da segunda dose da vacinação, a imunidade diante do vírus tende a reduzir. Por isto, recomendamos que cada pessoa receba uma dose de reforço - declarou.

Jamal Suleiman vê em jogos com público tanto em estádios quanto em ginásios um risco da Covid-19 se alastrar ainda mais, em especial devido às novas variantes.

- Trata-se de um vírus de fácil transmissibilidade, que adora aglomeração. Temos chamado bastante atenção para isto. As pessoas falam sobre ir ao local de máscara. Mas você já viu alguém gritar de máscara? Não dá para deixar estádios com 40 mil, 50 mil, 60 mil pessoas terem eventos. Por mais que a vacina diminua os riscos, são necessários cuidados e o impacto da Ômicron tem um perfil que traz muitas preocupações - finalizou.