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'Nenhum evento está em risco', diz diretor da Rio-2016 sobre testes olímpicos

Dia 01/03/2016
03:15

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A sintonia fina para a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, já começou. Os eventos-teste, utilizados para testar locais de competição, infraestrutura, desvios de trânsito, tecnologia, e outros itens, começaram de vez em julho desse ano, e irão até maio do próximo ano.

Em entrevista ao LANCE!, o Diretor de Esportes do Comitê Rio-2016, Rodrigo Garcia, comentou sobre sua preocupação com os atrasos nas obras, mas afirmou que nada coloca em risco a realização dos eventos.

- Hoje, nenhum evento-teste está em risco, porque todas as obras estão em um calendário que nos atende. Temos de tirar um pouco o mito de que nada funciona. Não estou dizendo que tudo está "ok", temos algo atrasado, mas nada que impacte nos testes - disse Garcia.

Confira abaixo a entrevista completa com o diretor da Rio-2016:

LANCE! - Como funcionam os eventos-teste?
Rodrigo Garcia - Nos eventos-teste montamos uma estratégia de teste na qual, para nós, seria extremamente difícil entregar eventos no mesmo nivel de um mundial ou uma olimpíada. O custo é alto. Uma vez que testei a operação de limpeza no evento do taekwondo, por exemplo, não preciso testar no judô. O Comitê fez uma matriz de testes e elencou o que queremos em cada evento. As principais áreas que testamos são: esporte e tecnologia. No esporte, preciso me certificar que todas as áreas de competição estão nos padrões. Na área de resultado (tecnologia) precisamos do funcionamento perfeito. Em alguns eventos não teremos espectadores porque em algumas situações não estaremos preparados para recebê-los, como no Parque Olímpico, por exemplo, onde a área comum provavelmente não estará 100% operacional.

L! - A falta de público atrapalha em algo?
RG - Vou dar um exemplo prático. Teremos o evento-teste do tiro com arco (no Sambódromo), onde teríamos capacidade para receber os espectadores. Mas o custo não é viável. Não é uma "Mini-Olimpíada", é um evento-teste. A gente consegue simular coisas sem o evento em si. Existe todo um ensaio da instalação. O evento serve porque nem tudo que eu coloco no papel opera daquele jeito. O espectador e a mídia são nossos clientes, eu não tenho como simular o peso deles em uma Olimpíada em um evento-teste.

L! - Qual a real importância de um evento-teste?
RG - Sem o evento-teste não conseguimos operar um evento dessa escala. Vou dar um exemplo do que aconteceu no evento do triatlo (no último fim de semana). Se não tivéssemos feito o evento, não poderíamos refinar nosso circuito. Reclamaram do asfalto na subida da Gastão Viana. Agora, vamos fazer essa análise. Se não tivésssemos feito o evento, entregaríamos assim. Sem o teste, não temos a dimensão de como a cidade e nós operamos um evento. Mas um teste não precisa ser um Mundial todas as vezes. Pode ser algo fechado, uma simulação menor.

L! - Os atrasos nas obras atrapalham os testes? E a poluição na Baía de Guanabara?
RG - A gente precisa de uma area de competição apta para os atletas. Na Baía de Guanabara, a poluição é um problema. Mas como você pode ver no ano passado, ela não impossibilita o evento. Eu, como brasileiro, fico feliz com isso? Não. Não fico feliz em ter a Baía assim. Mas existem metódos para gerenciarmos a competição. Se houver algum atraso (em outras obras), com certeza nos atrapalha. Hoje, nenhum evento-teste está em risco, porque todas as obras estão em um calendário que nos atende. As pessoas precisam ir para (o Complexo de) Deodoro e ver como está. Temos o Circuito de Mountain Bike, BMX, Canoagem Slalom, quase prontos, dentro do cronograma. Temos de tirar um pouco o mito de que nada funciona. Não estou dizendo que tudo está "ok", temos algumas coisas atrasadas, mas nada que impacte nos testes.

L! - Quais são os eventos mais críticos para testes?
RG - Todos ao ar livre possuem um grau de complicação maior. Não só pela questão meteorológica, mas também pela maior interação com os entes governamentais. Na semana passada, com o triatlo, tivemos uma mega operação. Fechar as ruas de copacabana causam um impacto grande. Fizemos vários estudos para tentar minimizar o impacto, mas houve, porque o trânsito foi grande. O que não quer dizer que os eventos indoor não tenham seu nível de complexidade. Cada um tem sua particularidade.

L! - Como vê o legado de construções da Rio-2016?
RG - Sem dúvidas o Parque Olímpico (Barra) e o Complexo de Deodoro são os dois grandes legados de infraestrutura. O plano incial desde a candidatura era que o Parque Olímpico fosse transformado em um Centro de Treinamento do Brasil e da América do Sul, e em Deodoro teremos novas instalações, com um perfil voltado ao público jovem, em uma região que possue uma defasagem de infraestrutura esportiva. Passamos a ter um novo desafio que é potencializar esse legado. Esses desafios já estão no radar e temos um planejamento para isso. outro legado importante, que é o maior, em minha opinião, é a quantidade de pessoas que estamos preparando para atuar na área de esportes e megaeventos, e que tirem uma maior especialização esportiva. O mais legal é inspirar pessoas em relação à pratica de esportes, criando um novo conceito de esportes de alto rendimento. Temos exemplos de programas como com o tiro com arco, badminton, judê. Mas será que outros projetos, com cunho mais social, não podem aparecer? Tento fugir um pouco do legado de construção e me preocupo mais com o esporte em si. Potencializar o dinheiro nessas áreas (esporte) é muito mais importante do que o gasto nas estruturas.

L! - Acha que o Rio de Janeiro e o Brasil aproveitaram e aproveitarão o legado olímpico?
RG - Acho que sim, se não eu não estaria aqui trabalhando. Vim do esporte, minha formação é essa, e acho que os Jogos podem inspirar muita gente e podem ser um cenário diferente para o futuro. Cabe a quem está inserido nele fazer algo para modificar, se acredita que há algo errado no sistema atual. Sempre pensamos no número de medalhas como avanço, mas é assim mesmo que medimos o esporte? Teremos mais equipamentos esportivos que permitem alta performance e iniciação esportiva, por exemplo. Espero que tenhamos admnistrações mais profissionais depois da Olimpíada, e estamos capacitando pessoas para isso. Teremos pessoas mais aptas a trabalhar em clubes, associações, federações, confederaçãoes, projetos sociais... A gente gostaria muito que os ídolos sejam conhecidos no Brasil como são fora. Teremos mitos participando de eventos no Rio. Podemos ter uma final de tênis com um Rafael Nadal, Roger Federer, Novak Djokovic aqui. Minha esperança é que, depois de ver uma final dessas, mais pessoas pensem em pegar uma raquete e bater uma bolinha. Esse dinheiro poderia ter sido investido em outras ações, mas não sei se teria o mesmo impacto.

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