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Dirigentes esportivos dividos entre o poder e verbas após aprovação de emenda

Dia 01/03/2016
03:15

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A iminente sanção da presidente Dilma Rousseff à emenda que disciplina a gestão das entidades esportivas deixou os cartolas numa sinuca de bico. Com seus orçamentos quase que totalmente dependentes de repasses da Lei Agnelo-Piva, patrocínios de empresas estatais e convênios com o Ministério do Esporte, eles podem perder os benefícios caso insistam em permanecer no cargo eternamente.

Não bastasse a emenda prever a possibilidade de apenas uma reeleição de um mandato de quatro anos de duração, o texto contido na Medida Provisória 620 também exigirá maior transparência no que diz respeito a documentos, contratos e dados financeiros. A partir do momento em que a presidente sancionar o texto, que será incluído na Lei Pelé, as novas normas terão de ser cumpridas, e os estatutos de confederações, federações, clubes e entidades terão de ser adequados em um prazo de até seis meses.

– Acho que caberia às entidades definirem o tempo de mandato. Mas se tiver que ser com só uma reeleição, mudaremos – disse Manoel Luiz Oliveira, presidente da Confederação Brasileira de Handebol há 24 anos.

Mandatário do tênis brasileiro, Jorge Lacerda elogiou a aprovação do texto costurado entre o deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS) e a ONG Atletas pela Cidadania:

– Quando fui eleito, mudei o estatuto para uma reeleição. Mas, por conta do Rio-2016, as federações pediram que eu ficasse por mais um mandato. A CBT seguirá com uma reeleição, e eu saio depois de 2016.

Antes de a emenda ganhar corpo, as federações de rúgbi, atletismo e basquete, por exemplo, já haviam limitado os mandatos de presidente a uma reeleição. Caberá aos outros cartolas decidir se valerá manter o poder às custas de cofres vazios.


Quando antiguidade é posto:

25 anos: tempo de Coaracy Nunes à frente do desporto aquático brasileiro (CBDA).

24 anos: Manoel Oliveira soma este tempo no comando do handebol.

24 anos: João Tomasini é absoluto na Confederação de Canoagem.

18 anos: Carlos Arthur Nuzman tem extenso mandato no COB.

17 anos: Alaor Azevedo é presidente da Confederação de Tênis de Mesa.

14 anos: Carlos Fróes é o homem forte do triatlo brasileiro por longo tempo.


O que pensam os dirigentes:

Qual é a sua opinião sobre a MP 620 e a limitação de mandato para uma reeleição?

"Acho que oito anos é pouco para se ter o trabalho reconhecido internacionalmente. Acho 12 anos o tempo ideal, e assim fizemos na CBHb. Vamos avaliar a MP, pois não temos como sobreviver sem a verba pública", disse Manoel Luiz Oliveira, presidente da CBHb.

"Não me inteirei muito sobre essa MP porque as mudanças propostas já foram adotadas na CBB quando eu assumi a presidência. Foi uma promessa de campanha ter uma reeleição e, na época, nem imaginava que fosse ter essa lei", disse Carlos Nunes, presidente da CBB.

"É uma medida importante. Temos uma reeleição na CBT, e o que aconteceu comigo foi específico por conta do Rio-2016. Quando eleito, não tínhamos a Olimpíada. As federações pediram para eu ficar até 2016", Jorge Lacerda da Rosa, presidente da CBT.

"É de estranhar que os atletas que tanto falam em democratizar as confederações usem uma carona (a MP) para regular isso. Não fomos chamados para opinar. O tempo ideal de mandato na entidade é de 12 a 16 anos", disse Alaor Azevedo, presidente da CBTM.

"Há 24 anos, eu me casei com a CBDA. Não poderia ter feito um bom trabalho se não tivesse ficado esse tempo. Se (o mandato) é longevo, não interessa. O que importa é a qualidade da gestão", disse Coaracy Nunes, presidente da CBDA, ao L! no ano passado.

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