Bárbara quer jogar de oposto. Mas, pela Seleção, se conforma com o meio
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Bárbara ouviu do técnico José Roberto Guimarães que entraria em quadra como central no amistoso vencido pelo Brasil sobre o Japão por 3 a 2, na última quinta-feira, no Maracanãzinho. Mas, pouco depois, o comandante mudou o discurso, para a felicidade da catarinense de Blumenal. Ela não escondeu a empolgação quando ficou sabendo que jogaria na função em que se sente mais motivada atualmente: a de oposto. A mesma que a fez chegar à Seleção Brasileira neste ano, após boas exibições pelo Sesi-SP na última Superliga.
A barreira de Bárbara é a preferência do comandante. Zé a quer como central. Foi nessa posição que a atleta de 1,90m construiu carreira em clubes como São Caetano, Minas, Pinheiros e Osasco. Ainda que tenha desempenhado o papel oposto nas categorias de base, a mudança recente se deu mais por um improviso no time de São Paulo, após uma distenção abdominal da companheira Monique, então titular, do que por uma aposta em seu potencial.
No último duelo contra as japonesas, a escolha de Zé também caiu como um improviso. A titular da partida, Joycinha, deixou a quadra no segundo set com uma contratura na panturrilha esquerda. Monique, que estava à disposição no banco, foi para o jogo, mas também é alvo de cuidados da comissão técnica, justamente por causa do problema recente, e acabou saindo para a entrada de Bárbara.
– Eu nem estava preparada para jogar de oposto aqui. Vinha treinando como central há um mês e meio, dois. Mas a Joycinha sentiu a panturrilha, e só tinha a Monique, então ele me colocou ali, sabendo que eu ia ficar feliz. Ele disse "eu sabia que você ia dar esse sorrizinho". Já estava me acostumando a ser oposto. Quando você é central, sai da quadra o tempo todo, não participa de defesa. Tenho minha preferência, mas na Seleção estamos aí para tudo – disse Bárbara.
Na próxima Superliga, ela defenderá o Brasília, como oposto. Pelo menos foi o que ficou acertado durante a negociação entre a jogadora e o novo time. A mudança na Seleção praticamente a obriga a demonstrar a virtude da versatilidade, tão elogiada por Zé Roberto. Graças a ela, o técnico diz que a atacante poderá ter outras chances de jogar do jeito que mais gosta. Mas não como primeira opção.
– Acho que ele gosta que eu seja central. Um dia conversou comigo e perguntou "por que você mudou de posição?". Eu falei que tinha chegado à Seleção pelo meu desempenho como oposto. Mas aí ele falou "você não sabe de nada" (risos). Eu operei um ombro há alguns anos, e minha recuperação foi bastante lenta. Ele deu a entender que já contava comigo antes como central – contou a atleta, de 28 anos.
Bárbara tem ao menos uma garantia do comandante. Durante o tempo em que estiver na equipe verde e amarela, vai treinar as bolas altas do fundo de quadra, típicas da posição de oposto. Tudo para não chegar fora de ritmo ao clube da capital federal no fim do ano.
A série de quatro amistosos foi uma boa oportunidade para muitas jogadoras da nova Seleção Brasileira conhecerem o estilo de jogo das japonesas na prática. Bárbara sabia que não teria vida fácil para derrubar as bolas na quadra adversária e, por isso, comemora a experiência.
– No nosso primeiro jogo, pensei "vou sambar mais que a Globeleza aqui". As japonesas jogam muito rápido, e o sistema de defesa delas dá muito rali. Você sofre para colocar uma bola no chão. Aos poucos, estudamos, assistimos a vídeos e tudo foi ficando mais fácil.
Assegurada no grupo que viajará para Bangcoc, na Tailândia, onde acontece a primeira etapa do Grand Prix, Bárbara ainda não sabe o que será dela quando o torneio na Ásia e o Pan de Toronto (CAN) começarem a coincidir no calendário. A estreia do Brasil no primeiro será contra o próprio Japão, no dia 3 de julho. Só após a segunda etapa, em São Paulo, Zé Roberto deverá anunciar os nomes para cada competição.
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