Alerta: futebol português sob risco
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A seleção de Portugal corre o sério risco de ser suspensa pela Fifa e Uefa, ficando assim impedida de disputar as Eliminatórias para a Eurocopa 2012. A mesma ameaça paira sobre as equipes portuguesas que estão disputando a Liga Europa: Porto, Benfica e Braga.
Isso ocorrerá caso a assembleia geral da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) não aprove hoje a proposta de revisão dos seus estatutos. A Fifa e a Uefa já anunciaram que aplicarão as sanções se a mudança não for aprovada.
– Os estatutos atuais da Federação Portuguesa de Futebol não atendem aos requisitos da Fifa e da Uefa, em particular no que diz respeito ao sistema eleitoral – informou a Fifa e a Uefa, em cartas assinadas pelos seus respectivos secretários gerais, Jerôme Valcke e Gianni Infantino.
Há a esperança que, desta vez, a assembleia aprove os novos estatutos, colocando a Federação Portuguesa dentro da lei. O regime jurídico considerado ideal pelas entidades internacionais, em vigor desde 2008, diminui o poder das associações amadoras.
No atual regulamento eleitoral da FPF, essas entidades são responsáveis por 50% dos votos para a eleição do presidente da federação.
A Uefa e a Fifa recomendam um percentual de 35%.
Segundo os regulamentos da assembleia geral, é necessário 75% dos votos no pleito de hoje para que haja uma mudança de estatuto. Na primeira vez em que houve uma tentativa de alteração do regulamento foi alcançado o percentual de 72% dos votos favoráveis.
Mesmo assim há incerteza em Portugal quanto à possibilidade de aprovação do estatuto considerado ideal por Fifa e Uefa.
Conselho de Justiça é contra a assembleia
O Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol emitiu ontem um parecer desfavorável à mudança nos estatutos da entidade. O Conselho questiona a inconstitucionalidade da medida.
Segundo o comunicado, há claramente uma interferência do Estado na forma de organizar a Federação, apesar de esta ser uma organização privada.
O órgão jurídico critica a forma como a Fifa e a Uefa querem formatar o colégio eleitoral e a organização da assembleia geral.
– Isto implica numa limitação da liberdade de organização das associações de direito privado, e não constam como disposições obrigatórias a serem seguidas pela FPF – informou a nota divulgada pelo Conselho de Justiça.
As leis portuguesas dão total liberdade para que as associações privadas, esportivas ou não, formulem seus processos representativos de forma independente.
Com a Palavra: Silvia Franches - Diário de Notícias (POR)
"A mudança estatutária vai acabar ocorrendo, até porque ela conta com o aval do presidente da Federação, Gilberto Madaíl. O problema maior a ser vencido é a resistência das associações amadoras.
Os dirigentes dessas pequenas ligas tinham como forma de manter o seu poder a capacidade de influenciar diretamente nos destinos da Federação Portuguesa.
Com isso, o futebol amador ganhou mais força política no país em comparação com o futebol profissional.
Essa é a maior luta a ser travada. O paradoxo é que o governo está impondo a mudança estatutária com apoio da Fifa e da Uefa, que sempre foram contra intervenções governamentais no futebol".
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