Cerimônias da Paralimpíada do Rio propõem novo olhar sobre deficiência
As cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Paralímpicos Rio-2016 prometem um olhar diferente sobre a questão da deficiência. No momento em que os astros do esporte brasileiro se apresentam mais do que nunca em evidência, especialmente após o primeiro lugar no Parapan de Toronto, no Canadá, em agosto, os responsáveis pelas festividades do ano que vem garantem que originalidade não vai faltar.
Como em qualquer edição do evento, os detalhes são mantidos em segredo. Mas o que os diretores envolvidos afirmam é que o público não vai ouvir nenhum discurso clichê sobre superação. A ideia é tratar os paratletas como esportistas de alto rendimento e, ao mesmo tempo, mostrar que todos os seres humanos têm algum tipo de "imperfeição".
– Não entendemos o pouco espaço dado pela imprensa ao Parapan, justamente num momento em que o Brasil precisava de uma motivação. Nossa ideia é questionar esse lugar da deficiência. Estamos falando de atletas de alto rendimento. Acho que ficará muito emocionante, leve e intensa ao mesmo tempo, com humor – afirmou o designer Fred Gelli, um dos responsáveis pela produção.
Além de Fred, a equipe é formada pelo roteirista Marcelo Rubens Paiva, deficiente físico há mais de 30 anos, e pelo artista plástico Vik Muniz. O grupo trabalha junto há um ano e já viajou para os Estados Unidos para fazer pesquisar e buscar altas tecnologias. Nenhum deles tinha experiência com eventos da dimensão de Jogos Paralímpicos antes.
– Essas pessoas (atletas) estão batendo recordes a vida inteira, não só naquela fração de segundos da competição. Pensamos em como elevar o nível de interesse das pessoas sobre o esporte paralímpico ao nível do olímpico. Estamos tentando passar um pouco disso – falou Muniz.
A abertura acontecerá no dia 7 de setembro de 2016, enquanto o encerramento está marcado para 18 do mesmo mês. O palco será o Estádio do Maracanã. De acordo com os organizadores, todas as ideias para as festividades são facilmente adaptáveis ao local.
– Fizemos visita técnica em cima das ideias criadas, e acho que tudo é viável no Maracanã. Por não ser estádio olímpico, ele tem uma área plana menor, o que talvez torne nosso espectáculo mais próximo e aconchegante ao público. Herdaremos a estrutura das cerimônicas olímpicas, que transformam o estádio em teatro. Será um espetáculo para entrar para a história – disse Flávio Machado, presidente da SRCOM, agência que produz as cerimônias.

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