TCU exige que Confederação de Tênis de Mesa e ex-presidente devolvam R$ 6 milhões

Tribunal identificou irregularidades em convênio para preparação olímpica de 2016

PorLance!Rio de Janeiro (RJ)
22/07/2025 16:51
Alaor Azevedo
Alaor Azevedo (Foto: Divulgação)

A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) e seu ex-presidente Alaor Azevedo devem devolver mais de R$ 6 milhões aos cofres públicos por irregularidades na gestão de recursos destinados à preparação da Seleção Brasileira para as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016. A determinação foi feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em junho de 2025, após análise das prestações de contas do convênio firmado com o Ministério do Esporte.

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O valor total do débito, segundo reportagem da "ESPN", é de R$ 6.210.466,50, atualizado até julho de 2023. O TCU autorizou apenas o abatimento de R$ 119.497,28, referentes à contratação de empresa de assessoria contábil, serviço considerado efetivamente prestado.

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A auditoria do TCU constatou que apenas 14,84% das metas previstas no Convênio nº 778138/2012 foram cumpridas. O acordo original totalizava R$ 4,8 milhões. Além da devolução dos recursos, o Tribunal aplicou multa individual de R$ 100 mil tanto para Alaor quanto para a CBTM.

Irregularidades identificadas

Entre as irregularidades identificadas estão despesas realizadas fora do escopo aprovado, como alimentação no Brasil, passagens e hospedagens de pessoas não listadas no plano original, prestação de contas incompleta e alterações não autorizadas no plano de trabalho.

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O pagamento da dívida deverá ser realizado em 36 parcelas mensais consecutivas, com incidência de atualização monetária e juros de mora. A condenação foi solidária, o que significa que ambos são igualmente responsáveis pela devolução total do montante.

A documentação referente à prestação de contas foi encaminhada em sua totalidade apenas em 10 de novembro de 2017, quando se iniciou a análise pelo Ministério do Esporte. A análise foi concluída em 2021, com os autos remetidos ao TCU em maio daquele ano.

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O que dizem as defesas

Em sua defesa, Alaor e a CBTM alegaram atraso no repasse das verbas, falhas técnicas no sistema SICONV e cumprimento parcial das metas, destacando conquistas no ciclo olímpico, como medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Toronto em 2015.

A CBTM informou que já recorreu da decisão. Em nota enviada à "ESPN", a entidade contestou: 

"Em atenção à divulgação de decisão proferida no processo administrativo nº 014.680/2021-1, em trâmite perante o Tribunal de Contas da União, a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) vem esclarecer que a referida decisão, que não transitou em julgado, omitiu-se em relação a diversos argumentos e provas documentais apresentadas pela CBTM no processo que comprovam o regular emprego dos recursos públicos nos projetos relacionados ao ciclo olímpico Rio 2016, cujas contas estão sendo analisadas, como determina a legislação. A CBTM recorreu da decisão e aguarda os desdobramentos pertinentes.

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Diversos projetos de natureza semelhante, com documentação de suporte equivalente, já foram analisados tanto pela área técnica do Ministério dos Esportes quanto pelo próprio Tribunal de Contas da União e tiveram suas contas regularmente aprovadas, como mais recente da TC 018.502/2024-5, cujo julgamento que decidiu pela aprovação das contas ocorreu na sessão de 25.05.2025 daquele Tribunal.

Diante do exposto, repudiamos veementemente quaisquer comentários oportunistas e desprovidos de fundamentação jurídica idônea, reiterando nosso compromisso com a transparência e a legalidade na utilização dos recursos públicos que sempre pautou a atuação da CBTM e de seus dirigentes."

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Brasileiros em ação no primeiro dia do evento-teste de tênis de mesa (Foto: Rio2016/Alex Ferro)
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