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Opinião: Discutir se foi ou não pênalti não vai resolver o problema do São Paulo

A polêmica da arbitragem mascarou uma atuação fraca na semifinal do Paulistão

PorTiago Herani
Cria Lab!
São Paulo (SP)
12/03/2025 22:24
Atualizado em 12/03/2025 22:37

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
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Jogadores do São Paulo reclamam com árbitro no jogo contra o Palmeiras (Foto: Marcello Zambrana / AGIF)

O juiz soprou o apito final, e as redes sociais, a rádio e a televisão automaticamente se tornaram um grande tribunal com júri e advogados defendendo ou acusando a marcação de pênalti em Vitor Roque, do Palmeiras, aos 45' do primeiro tempo. O placar magro na semifinal do Campeonato Paulista pode até sugerir que o jogo foi definido por esse lance, mas quem acompanhou os 90 minutos sabe que o São Paulo esteve muito mais longe da classificação.

A pressão na saída de bola que gerou o erro de passe do goleiro Rafael, inclusive, era uma estratégia clara executada pelo Palmeiras desde o primeiro tiro de meta dos visitantes, que não conseguiam encontrar alternativa para sair jogando. Mas isso, claro, vai passar batido nas análises pós-jogo.

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Estêvão encaixava marcação individual em Alan Franco, e Vitor Roque em Ferraresi, enquanto Veiga e Facundo subiam nos volantes Alisson e Oscar. Atrás, todos tinham marcação individual, com Calleri recebendo atenção dupla dos zagueiros. Arboleda, propositalmente, era deixado livre por não ser um grande passador e não encontrava opções de passe fáceis o suficiente para convencê-lo a não tentar um lançamento longo para o ataque, que perdeu quase todas pelo alto. 

O Palmeiras esperava a decisão do zagueiro e, se possível, ainda tentava acelerar até o gol, chegando a finalizar com perigo dessa forma. O respiro só existiu nas raras oportunidades que Calleri ou Luciano venceram os duelos individuais, ou quando a bola sobrava para Lucas, sempre em uma sintonia diferente dos demais, acelerar até próximo da área. 

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História do 1º tempo de Palmeiras x São Paulo não foi só sobre o pênalti

Depois de tantos lançamentos sem sucesso de Arboleda, Oscar começou a baixar para tentar ajudar na saída, trazendo consigo a marcação de Veiga. Em uma dessas ocasiões, o camisa 23 chamou uma subida de pressão dos companheiros e foi marcar diretamente o recuo de bola para o goleiro Rafael, pressionando-o a dar o passe rápido, para onde Vitor Roque já tinha antecipado. Sim, a história do primeiro tempo não foi só sobre o pênalti.

Talvez seja um desejo intrínseco do ser humano querer reduzir o jogo a um acontecimento. Talvez seja um comportamento influenciado pela maneira como a mídia tradicionalmente lida com o futebol. Por falta de conhecimento ou excesso de sensacionalismo, a tendência é o torcedor colocar a cabeça no travesseiro irritado, sem ter uma visão realista de onde estão os problemas do time.

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Zubeldía pode ter tentado algo diferente ao recuar Oscar para jogar ao lado de Alisson. Porém, a ideia de fazer a bola chegar com mais qualidade ao trio de ataque foi rapidamente suprimida pela marcação alviverde. Durante 45 minutos, a estratégia foi assistida, sem tentar uma resolução diferente que forçasse o adversário a se readequar. 

No segundo tempo, a alternativa também não veio. O Palmeiras baixou mais o bloco e deixou o São Paulo manter 67% de posse de bola sem criar uma grande chance de gol. Para não dizer que não levou nenhum perigo, houve uma boa cabeçada em jogada de bola parada. 

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Do banco, não vieram propostas diferentes. Ferreirinha primeiro como ala direito para, depois de 10 minutos, se tornar um ponta-direita ao ser desfeito o esquema com três zagueiros. André Silva por Luciano, Sabino por Alan Franco, Igor Vinicius para completar a lateral direita na saída do Ferraresi. A impressão é que a postura do time se manteve, com um futebol pouco criativo e envolvente. O Palmeiras continuou confortável e ainda finalizou mais a gol, mantendo a posse um terço do tempo. 

As decisões de arbitragem fazem parte de um jogo com diversos fatores. Apesar de serem uma boa válvula de escape para externar a decepção de torcedores, não são o bastante para explicar a derrota de um time e se tornam perigosas ao mascarar assuntos mais relevantes.

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Facundo Torres, do Palmeiras, disputa lance com Luciano, do São Paulo, na semifinal do Paulistão 2025
Facundo Torres, do Palmeiras, disputa lance com Luciano, do Sao Paulo (Foto: Ettore Chiereguini / AGIF)
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