Marcos Braz - Flamengo

Marcos Braz concedeu coletiva neste sábado, direto de Guayaquil, no Equador (Foto: Alexandre Vidal/Flamengo)

LANCE!
19/09/2020
14:31
Guayaquil (EQU)

A goleada sofrida na última quinta, em Quito, movimentou os bastidores do Flamengo e colocou o trabalho do Domènec Torrent sob os holofotes. Assim, coube ao vice-presidente de futebol Marcos Braz vir a público dar explicações em entrevista coletiva neste sábado, direto de Guayaquil onde o time enfrenta o Barcelona na terça-feira, pela quarta rodada do Grupo A da Libertadores.

Nome forte do futebol, o VP garantiu que a demissão do treinador após o 5 a 0 para o Independiente Del Valle não foi discutida em nenhum momento entre eles e os demais membros da diretoria presente no Equador. E mais, afirmou que há uma unidade de pensamento e planejamento entre a alta cúpula do Fla.

- O Dome está dentro de um planejamento nosso. Já temos o planejamento do jogo contra o Palmeiras. Em nenhum momento foi discutido a saída do Dome. Em nenhum momento. Existe uma unidade dentro da diretoria. Quem manda está aqui, pessoas importantes da diretoria, todos vieram trabalhar. Fizemos extensas reuniões para parte de premiação, outras partes consideradas importantes e internas do clube. Em nenhum momento foi pensado nessa hipótese. Eu sei onde quer se chegar nessa pergunta. O resultado do jogo foi impensável. O Flamengo não pode perder de 5 a 0 em um final de Mundial, no Estadual, no Brasileiro... Não só na Libertadores. Em nenhum lugar pode. Não faz parte da história vitoriosa do clube, dessa diretoria vitoriosa - afirmou Braz.

Confira outras declarações de Marcos Braz neste sábado, em Guayaquil:

Possibilidade da saída de Dome
Nunca foi pensado nisso aqui até hoje. Existe uma unidade e um planejamento. Não tem desconforto nenhum entre os membros da diretoria. Não tem muito o que falar desse assunto. Temos um jogo na terça, outro domingo. Isso não quer dizer que a diretoria, jogadores, todas pessoas se sentem e tem certeza da dimensão dessa derrota. Uma derrota que não poderia acontecer desse jeito. As derrotas acontecem, é do esporte. Mas há derrotas e derrotas. 5 a 0 é muito expressivo. Temos que pedir desculpas em função do resultado, mas só propriamente a isso. Os jogadores se empenharam, jogamos a 2.800, estou apenas lembrando disso. Existe uma unidade e nunca se atribuiu a saída do técnico nesta viagem.


Colocou o cargo à disposição se Dome fosse demitido?
Quero deixar claro minha relação com o presidente e todos companheiros VPs. Eu jamais faria uma colocação desta maneira. Se sair A ou B eu não fico. Minha posição sempre é passada discutida, como todos outros pontos no clube, como todos companheiros no clube fazem. Em nenhum momento eu externei isso para o presidente.

A permanência de Dome depende do resultado de terça?
Eu não vou fazer análise em cima de derrota. Fazemos planejamento. Desconfio que deu certo. Não vou falar em hipóteses. Não é o momento de discutir isso. O momento é de entender o que passa, se fizermos uma análise para trás, de outros nomes que estiveram com a gente, passamos por desconfortos, seguiu-se o trabalho e fomos campeões. Não fazemos análise em relação à derrota.

Você será candidato a algum cargo nas próximas eleições? É possível conciliar com o seu cargo no Flamengo?
Eu fui secretário de esportes do Rio, dentro de um ciclo olímpico, sempre tive passagens perto da política. Sempre sou convidado. Em nenhum momento afirmei que seria candidato a A, B ou C. Então não tenho que responder. Pode conciliar? Acho que pode, mas nada tem a ver com minha decisão.

Como é a relação de Dome com o elenco?
Acho que essa relação está sendo construída. Quando tivemos um fato semelhante quando veio outro treinador português com sua comissão técnica ele teve 20 dias, onde se construiu essa relação. Eu vejo que está dentro de um tempo normal. está sendo construído, pavimentado a relação, procuro ajudar muito assim como outras pessoas do clube. Scout, comunicação, sempre se colocando à disposição para que a integração seja a mais plena, rápida e certeira possível.

Como foi a reação de Dome após a goleada? Demonstrou descontentamento?
Ele demonstrou descontentamento. Estava louco dentro do vestiário dizendo que isso nunca havia acontecido com ele. Tranquilo nunca pode ser colocado depois de uma derrota por 5 a 0. No Flamengo é assim. Precisamos caminhar, entender que o quadro precisa ser revertido, que precisamos jogar melhor e vencer. Temos confiança nisso. Essa diretoria não tem compromisso nem vocação com a derrota.Vamos fazer coisas com planejamento, segurança, em função do momento turbulento, e unidos para termos resultados melhores. Temos que entender que essa temporada não vai até dezembro, vai até março. Não tem nada a ver com o 5 a 0. Não poderia ter acontecido, a pior resultado da Libertadores. Não pode em nenhum momento. Mas temos competições até março. Temos que ter um cuidado em apertar os treinamentos agora para não virar o fio.

Houve erro de avaliação da diretoria ou um descumprimento de promessa por parte do Dome por ter alterado tanto o estilo e forma de trabalho da equipe?
Não teve erro de avaliação nem promessa descumprida pelo Dome. Em função do calendário, da pandemia, pelos tempos de treinamento serem curtos, ele entende que tem que fazer uma troca um pouco maior para preservar os jogadores dentro de uma análise de minutagem para quando chegarmos à reta final da temporada tenhamos a excelência dos jogadores. Não vejo erro nem descumprimento. É lógico que queríamos resultados melhores. Vamos ajustando, andando e contribuindo para fazer a integração da melhor forma possível. É pouco tempo, mas está sendo feita.