Alexandre Guariglia
03/09/2020
08:00
São Paulo (SP)

Além da oscilação nos resultados e das críticas por conta do nível das atuações do Corinthians, Tiago Nunes precisa lidar com um elenco que está com três meses de salários atrasados. Isso, no entanto, não tem sido problema para ele trabalhar no dia a dia, já que diretoria e jogadores conversam frequentemente sobre o assunto. Na última quarta-feira, inclusive, o elenco se manifestou em conjunto para negar uma suposta greve por conta da falta de pagamentos.


Tudo começou com uma fala de Edilson Capetinha, no programa "Os Donos da Bola", da Band, que trouxe a informações sobre a possibilidade de o elenco corintiano paralisar as atividades caso chegasse ao quarto mês de salários atrasados. Diante da repercussão do assunto, os jogadores se reuniram na concentração do clube em Goiânia e negaram qualquer chance de parar.

Liderados por Cássio, os corintianos classificaram a informação como uma "grande mentira", mas o nome do autor do boato não foi citado no vídeo divulgado pelo goleiro. A iniciativa de se manifestar ainda na última quarta-feira foi tomada pelos próprios jogadores, que se sentiram desrespeitados por conta daquilo que, para eles, foi feito somente para tumultuar o ambiente.

​Segundo apurou o LANCE!, os três meses de salário podem se tornar quatro nos próximos dias, já que o dia do pagamento acontece no quinto dia útil de cada mês. O assunto, no entanto, diferentemente do que foi repercutido na última quarta, é tratado com tranquilidade entre elenco e diretoria, desde o início da paralisação por conta da pandemia de coronavírus. Há conversas frequentes entre as partes, com atualizações da situação financeira do clube.

A expectativa é de que pelo menos dois meses atrasados sejam quitados até o fim desta semana. A indicação de datas também é um fator de confiança conquistado pelo diretoria. Não é à toa que Tiago Nunes, em coletiva após a vitória por 2 a 1 sobre o Goiás, elogiou a postura dos dirigentes na condução do assunto, e rechaçou constrangimento em cobrar jogadores nesta situação.

- Não existe relação de constrangimento, até porque temos uma convivência muito tranquila, muito transparente com a direção, com os jogadores. Eles jogadores) já se manifestaram à tarde por livre e espontânea vontade e tudo o que acontece aqui internamente é muito tranquilo, muito direto, não tem mal entendido. Sabemos e confiamos muito no que a direção vem fazendo.

Dessa forma, com a transparência e lisura com que tem sido tratado o atraso salarial internamente, a comissão técnica e elenco tem mais tranquilidade para desenvolverem seus trabalhos e focarem no que realmente interessa, que é a disputa dos jogos e a busca por resultados dentro de campo, como aconteceu diante do time goiano, conquistando três pontos importantes no Brasileirão. 

- A partir de agora, como tem sido sempre, é focar exclusivamente nos jogos, nas coisas dentro de campo, sou treinador de futebol e meu papel é trabalhar com os jogadores para tentar melhorar a equipe - concluiu.

O Corinthians volta a campo no próximo sábado, às 19h, para enfrentar o Botafogo, na Neo Química Arena, pela oitava rodada do Brasileirão-2020. O time de Tiago Nunes agora soma oito pontos na tabela de classificação e se afastou da zona de rebaixamento, ganhando um alívio nos próximos dias.

Goiás x Corinthians
Grupo está unido no Corinthians (Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)