Marcio Porto
11/06/2018
06:20
São Paulo (SP)

A Seleção Brasileira chega nesta segunda-feira à cidade de Sochi, onde ficará concentrada na Rússia para a disputa da Copa do Mundo. Os comandados de Tite precisarão de muita força para trazerem o hexa, e uma grande inspiração encontra-se dentro do próprio grupo. Já foi, inclusive, parte importante de uma conquista mundial do Brasil. É a história do volante Fernandinho, um dos 23 "Homens de Gelo" da Seleção na Rússia e o novo personagem da série do LANCE! sobre o grupo comandado por Tite. 

UMA HISTÓRIA ALÉM DO GOL DO TÍTULO


Sempre que fala-se da trajetória de Fernandinho na Seleção Brasileira é inevitável lembrar de seu gol na final do Mundial Sub-20 de 2003 contra a Espanha - o Brasil venceu por 1 a 0. A partida caminhava para a prorrogação, quando o volante entrou no jogo e, aos 42 minutos do segundo tempo,  completou escanteio de Daniel Alves para fazer o gol do quarto título brasileiro na categoria. Logo depois, ele foi expulso na comemoração. Decisivo em minutos. No entanto, o que pouca gente sabe é que Fernandinho começou a ganhar aquele título muito antes. 

Foi pela voz de Ane Machado, mãe do jogador, que a história do filho mais velho daquela família de Londrina motivou os companheiros de Seleção para derrotar a poderosa Espanha de Andrés Iniesta, hoje uma lenda espanhol e presente também no Mundial da Rússia.

- A história da família dele é muito legal. Na época, a gente falava muito do aspecto emocional e na concentração escutamos um recado da mãe dele, que o Fernandinho sempre apoiou. O pai teve problemas particulares, e ele sempre firme na família. O Fernandinho se emocionou muito e aquela mensagem tocou bastante a todos. Muitas vezes, a gente está no grupo e não sabe o que acontece com cada um. Foi uma lição de vida - conta Marcos Paquetá, treinador de 59 anos que comandou a Seleção naquele Mundial Sub-20.


Os pais de Fernandinho se separaram quando ele tinha 15 anos e coube a ele cuidar das duas irmãs mais novas: Thais Fernandes, que atualmente joga vôlei, e Gabrielli Machado, atriz. A responsabilidade fortaleceu o jogador lançado pelo Atlético-PR e ajudou o Brasil a ganhar um título improvável na base.

- A gente recolheu mensagens em um CD, a nossa psicóloga Maria Helena fez entrevistas com os pais, familiares que ela conseguiu para enviar mensagens. Isso foi bem legal. Demorou a chegar porque o Mundial foi nos Emirados Árabes e lá é complicado. Usamos na semifinal, e na final, jogo contra a Argentina e depois Espanha repetimos - relembra Paquetá, que não hesita em dizer que foi um diferencial para a conquista.

- Mexeu bastante com todos, ele tinha problemas particulares, ninguém sabia. Acabou aflorando em todos, todo mundo percebeu que cada um tinha alguma coisa para fazer pela família. Era um pedido familiar, e marcou bastante. De vida. A mãe falando no início, da dificuldade que tiveram, o esforço da família para fazer com que chegassem onde estavam. Isso tudo tocou - completa.

O Brasil encarou muitas dificuldades antes e durante a competição. Na época, vários clubes se recusaram a liberar os principais jogadores, casos de Diego e Robinho do Santos. A preparação teve de ser às pressas e muito prejudicada,

- Lutamos em dez dias, fizemos uns três ou quatro treinos no Brasil, com 13 jogadores e depois viajamos. O restante no exterior, como o Daniel Alves, só foram depois. Foi bem complicado. E que bom que levamos o Fernandinho e ele conseguiu nos ajudar - comemora Paquetá.

Curiosamente, logo após marcar o gol do título, Fernandinho foi expulso pela comemoração. Mas, de que importa? A história dele já havia feito história. 


DE NOVO CONTRA A ESPANHA?

Um dos presentes na tragédia de 2014, Fernandinho vai para sua segunda Copa ainda com o sonho de repetir aquele gol do título de 2003. Mas terá um enorme desafio pela frente se quiser seguir à risca. Ele próprio apontou a Espanha do mesmo Iniesta como a principal favorita ao título. 

- Espanha (é a favorita). A gente conversa bastante. Eu assisti o jogo da Espanha contra Alemanha e me impressionou a qualidade, a velocidade, os jogadores que têm e conceito de jogo, muito legal e muito bonita de assistir - disse, durante a preparação da Seleção em Londres.

De fato, a Espanha está muito forte, como outras seleções. Mas qual barreira é intransponível para quem venceu as dificuldades e é capaz de inspirar seus companheiros para a glória?