Novak Djokovic

Djokovic é o atual líder do ranking da ATP (Foto: FFT)

LANCE!
23/05/2022
21:56
Por Fabrizio Gallas

Enquanto Rafael Nadal ficou em cima do muro em coletiva de imprensa após a estreia em Roland Garros, Novak Djokovic deu sua opinião, foi incisivo e, ao meu ver, com a visão correta sobre a questão Wimbledon.

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Nada como ele, que viveu de perto uma guerra na Sérvia para saber a dor que um cidadão que está no meio dela pode sofrer, mas também uma opinião bem ponderada dos fatos.

A retirada dos pontos com descarte - resolução da ATP - o deixa como o mais afetado. Perderá 2.000 pontos e muito provavelmente a liderança do ranking em julho. Mas ele é a favor da entidade, a qual criticou bastante e criou uma associação de jogadores paralela, a PTPA.

- Fui afetado porque não serei capaz de defender 4 mil pontos (Australian Open e Wimbledon), mas estou feliz porque a ATP e os jogadores decidiram mostrar a Wimbledon que quando se toma a decisão errada, há consequências - disse o número 1.

E ele irá boicotar o torneio? Não. Seu interesse não são os pontos e nem o prize money, mas sim o torneio (e claro a corrida pelos Slams também, temos que enfatizar),

- Wimbledon ainda é Wimbledon, é meu sonho de criança, nunca olhei pelos pontos ou o prize money, mas entendo que muitos jogadores serão afetados. É uma situação de perda - lamentou.

Como já dito anteriormente nesta coluna, o tênis é um esporte individual, os atletas não têm nada a ver com a guerra e a invasão russa. E mesmo que um ou outro seja a favor da invasão (ninguém se expressou favorável por enquanto), a liberdade de expressão está em jogo. Imagina se banirem atletas de todos os países que estão em guerra? Existem e existiram invasões de outras grandes nações nas últimas décadas.

Outra questão dita pelo próprio Djokovic é que ele teve acesso a documentos em que o governo britânico deu outras opções de punição ao torneio que não fosse o banimento. E isso não foi seguido e tampouco Wimbledon pediu a opinião dos atletas.

Nesses primeiros dias já temos algumas opiniões sobre o assunto. Naomi Osaka está pensativa, dizendo que Londres será um torneio de exibição e está ponderando sobre. Fabio Fognini atenta ao prize money que pode cair e se for o caso irá para as ilhas Baleares passar férias com a família. Certamente uma galera não vai jogar. Outros dependem do dinheiro, mesmo que caia a premiação. Outros querem brigar pelo título importante.

Bia Maia e o caminho interessante
Os dois primeiros dias da chave feminina foram com várias top 10 eliminadas, principalmente na chave debaixo. Garbiñe Muguruza, 10ª, Anett Kontaveit, 5ª, Barbora Krejcikova, 2ª, Ons Jabeur, 6ª.

Bia, 48ª colocada, venceu bem sua estreia e encara a estoniana Kaia Kanepi, 46ª, na segunda fase. Jogo difícil, Kaia tem experiência e já bateu várias top 10. Se passar pode ter a difícil Coco Gauff, mas nada de outro mundo. Nas oitavas a adversária melhor ranqueada é a cabeça 31, a belga Elise Mertens.

Até a semi tem as cabeças 23, Jill Teichman, ou a cabeça 26, a romena Sorana Cirstea, como melhores em termos de posição. Notemos que Teichmann vem de bons resultados no saibro, jogando muito bem, mas ninguém por aí deveria ser temida e o caminho é de certa forma interessante. Dá para sonhar. Não será fácil, o equilíbrio será grande, mas se a brasileira jogar o seu melhor terá possibilidades. Vamos torcer. Sua próxima partida é apenas na quarta-feira, ou seja, chegará descansada.